19 de dezembro de 2010

Um país em desequilíbrio


Dizer que o Brasil é um país de contrastes não revela nenhuma novidade. Do clima árido da caatinga à geada catarinense, das belas praias nordestinas aos platôs do meio oeste, dos abismos que insistem em dividir ricos e pobres, por mais que o governo Lula tenha integrado à sociedade boa parte da camada miserável que por trás dela se escondia. Exemplos existem aos montes, mas nada fala mais alto do que a linha divisória que existe entre o homem público e o privado.

O congresso acaba de aprovar um aumento de 62% para deputados e senadores que eleva o salário da categoria para R$ 26 mil ao mês, sem levar em conta os extras como auxílio moradia, passagens aéreas, gasolina e motoristas, verba indenizatória e o diabo a quatro, totalizando a bagatela de quase R$ 1 milhão ao ano por safado. Sim, é isso que custa um parlamentar em um país em que ainda há fome, déficit habitacional, sisitema de saúde miserável, educação pífia e falta de saneamento básico (em Manaus, onde se pretende construir um estádio para abrigar a copa, pouco mais da metade da população tem acesso à rede de esgoto). Se estivesse vivo, Renato Russo insistiria em cantar seu famoso refrão 'Que país é esse?', que ecoa sem trégua na minha cabeça quando me deparo com abusos como esse. Dou passagem então aos Titãs e seu 'Bandido, corrupto, ladrão, filho da puta!' - porque não há outro sentimento capaz de tomar corpo ante tal acinte. E algum deles ainda se saiu com aquela que diz que se político ganhar bem não precisa roubar, outro tiro na cara do contribuinte. O que temos, na verdade, é um bando de pilantras que legisla em causa própria e se vê acima de qualquer preceito social que exige equilíbrio, bom senso e ação. Não é possível imaginar que um país do terceiro mundo, como somos, tenha políticos mais bem pagos que o Japão, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra. Simplesmente não temos cacife para isso.

O que temos são profissionais de assalto que se preparam para tomar o poder e, uma vez dentro dele, agem de acordo com seus interesses. Nada, absolutamente nada justifica um salário de R$ 26 mil para uma corja em passo de caramujo que trabalha de terça a quinta e tem à sua disposição todas as mordomias que o dinheiro pode comprar. E dizer que estudaram e se preparam para isso? Temos aí o Tiririca para provar o contrário. O palhaço nunca riu tanto daqueles que deveriam estar lá justamente para dele rir. Seu primeiro projeto? Não entendeu a pergunta e respondeu que era comprar um apartamento...
Trago um exemplo sueco, que anda na contramão do progresso. Provavelmente porque o país deles seja atrasado, desinformado, sem estrutura e com indicadores sociais piores que os nossos. Deve ser isso que justifica a retidão, honestidade e principalmente o enquadramento do homem público no seu devido lugar, o de servir a comunidae que o elegeu. Sem excessos, mordomias ou nada que o faça pensar que sua posição o qualifica como um ser superior. Ao contrário. Seu objetivo, longe de ser o ganho particular, é servir. Afinal, ele é um servidor público dentro do conceito que foi criado, não moldado aquele que assumimos por aqui.

Bastilha neles...

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15 de dezembro de 2010

O ULTIMO MENSAGEIRO - SINOPSE



As perspectivas da Terra são sombrias, o homem insiste em não respeitar os limites da natureza e de seu semelhante. Logo, a reação virá de maneira desproporcional.







É pensando nisto que os mestres do universo convocam Abel Antunes. Abel passará por um processo de iniciação ritualística em Bali, na Indonésia, onde receberá os poderes para que sua missão se cumpra. A CIA dispõe de tecnologia para localizar os contatos e parte em sua captura, mobilizando seus agentes e o exército indonésio. O trabalho de Abel se desenrola em meio às constantes tentativas de eliminá-lo, até o surpreendente final em 2046.






Ensinamentos espirituais, tradições balinesas, origens da humanidade. Pink Floyd e o Mágico de Oz. Amor, magia e poder se misturam nesta grande aventura que certamente levará o homem a repensar suas atitudes em relação ao planeta e a forma como lida com ele.






Antes que seja tarde demais.




1 de dezembro de 2010

ELE VEM AÍ!

Por conta do lançamento do livro, previsto para o próximo dia 16 (Livraria da Vila, Rua Fradique Coutinho 915 a partir das 18hs00), me afastei durante o mês de novembro deste blog. Não dava pra ser diferente. Na reta final o trabalho de revisão é intenso, o material é examinado em detalhes para que não haja falhas na composição final. Desgastante, mas ao mesmo tempo enobrecedor.

Isso me faz lembrar um texto que escrevi no final de 2006, época em que o livro estava praticamente pronto (e que foi o primeiro publicado neste blog - 'Recomeços' - em fevereiro de 2009). Eu discorria sobre a validade de ter jogado tudo para o alto para me dedicar exclusivamente a ele, como isso tinha afetado minha vida e tudo mais. Nas minhas próprias palavras:

"Assim se fazem caminhos, criam-se lendas e heróis. Homens mais fortes e verdadeiros, obcecados pelo destino e carregando dentro de si a semente de um projeto transformador. É a palavra que se espalha em busca de realização, traduzida não apenas em valores de ordem pessoal, mas nos mais nobres atributos que direcionam o caminho do homem. Esta é a luz que me leva adiante.



Começar é difícil. Deixar para trás toda uma estrutura montada e aceita como verdadeira, a base de sustentação de toda uma vida, é um passo audacioso e arriscado. Acerca-se do lado aventureiro, do peso do incerto, e trás como consequência a instabilidade natural, o desequilíbrio, que só ocorre porque o ideal que luta dentro de você clama por vir à tona. Caso contrário, bastaria ficar quietinho no meu canto deixando a vida passar, consumida por bons e maus momentos, alheio às transformações globais que, em última instância, não me interessariam. Mas não é por isso que estou aqui.

Abracei meu ideal e pronto, não há nada que mude a história. Tive a energia necessária para fazê-lo, mas isso não faz de mim um mártir ou um alguém em busca de reconhecimento, não neste sentido. Quis que a vida tivesse como âncora meu ideal, transformado em palavras que circulam as esferas e fazem de mim seu instrumento. É para isso que criei "O último mensageiro", para que a palavra correta se faça ouvir. E fico me perguntando se valeu a pena...

Claro que valeu. São momentos de transição que colocam em jogo as escolhas, que suscitam dúvidas pelo vácuo que se abriu neste ínterim e que me inclinam a pensar em arrependimento. Depois passa, nada pode ser mais importante do que saber que minha obra pessoal, aquela que investi bons anos de meus estudos e valores, esteja finalmente pronta. O resto é pura consequência."
 
Valeu mesmo! É com o coração aberto e cheio de alegria que convido a todos para estarem presentes no dia 16, física ou espiritualmente, para comigo compartilhar desse momento tão especial. Até o final da semana terei pronto o convite, que será encaminhado a todos.
 
Como diz Hugo Almeida, com a licença do autor: Vida longa ao romance e à sua luz!!

4 de novembro de 2010

É PRECISO ACEITAR OS DESAFIOS

"A vida pode ser vivida como uma suave descida ou como uma árdua subida. Se você está descendo a ladeira, ela é conveniente, confortável. Não é necessário de sua parte nenhum esforço, nenhum risco, nenhum desafio. Mas também você não ganha nada - simplesmente vai à deriva, do nascimento até a morte. A vida permanece um grande vazio.

É preciso ser laborioso, é preciso aceitar os desafios que levam a pessoa a uma jornada para cima. Isso é difícil, é perigoso, mas desperta o que há de melhor em você. Cria integridade, cria finalmente uma alma em você. Você precisa aplicar todas as energias à tarefa, só assim... É preciso arriscar tudo, só assim... Assim a vida desabrocha, floresce. Ela se torna uma alegria, uma realização, uma satisfação, uma bênção".

Osho, em "Meditações Para o Dia"
http://www.palavrasdeosho.com/ 





2 de novembro de 2010

A hora e a vez de Dilma Rouseff

Reza o conceito democrático que metade mais um dos votos válidos de uma eleição, habitualmente conhecido como maioria simples, confere ao candidato escolhido a condição de vencedor. Mais do que consensual, o método é matemático e vale como regra, já que não há outra forma de estabelecer um referencial quando se trata de alçar um cidadão comum a um cargo público, principalmente quando se trata da presidência da República. Dilma Rouseff venceu sim, mas não com esmagadora maioria dos votos, o que limita a questão do consenso. Em uma eleição marcada por difamações, cinismo e troca de farpas, a história registra mais uma vez a derrota do candidato Serra, desta feita para aquela que será a primeira presidente mulher deste país.

Os números comprovam a divisão do eleitor brasileiro, não apenas no que diz respeito a escolha do candidato, mas no aspecto sócio-econômico: Serra teve maioria no Sul e em São Paulo, principal colégio eleitoral do país; Dilma venceu com ampla vantagem em todo o Norte/ Nordeste e em Minas, outro colégio de expressão. Não é preciso ser nenhuma assumidade para saber que a vitória de Dilma (uma completa desconhecida do público leigo antes de assumir o ministério de minas e energia e depois a chefia da casa civil) decorre da gestão Lula, que em seus 8 anos de governo equilibrou a distribuição de renda e melhorou as condições de vida das populações menos favorecidas. Nesse ponto, é inquestionável a atuação do mandatário da república. 

O que aconteceu depois é uma outra história. Lula confundiu a figura de presidente com suas ambições pessoais e, mal assessorado, caiu na besteira de apoiar governos totalitários como o Irã, a Venezuela ou Cuba e deu adeus às suas ambições internacionais. Deu apoio à sarney na crise do congresso, aceitou o apoio de collor, teceu críticas à situações que não lhe diziam respeito como um cidadão comum, não como um estadista (não esqueci do mensalão, mas não vou mencioná-lo porque não se trata de um invento do PT, embora tenha ganho dimensões extraordinárias sob sua gestão). Mesmo a escolha de Dilma, antes de ser um consenso do partido que o elegeu, é outra decisão pessoal. Com tantas "estrelas" a brilhar em seu partido, como bem lembrou Ferreira Gullar na Folha deste domingo, a escolha de Dilma deve-se, possivelmente, ao desejo do presidente em se reeleger na disputa de 2014. Tudo dependerá de como Dilma conduzirá a questão até lá.

Dilma não representa, portanto, nenhum modelo de administração diferenciado que tenha gerado resultados expressivos ou ideias inovadoras. A "mãe do PAC" (Putz, Arranquei a Cortina!), pelo contrário, conta (ou contou) com gente em sua equipe incapaz de não confundir o público com o privado e é tão articulada no uso da língua portuguesa quanto um aluno de segundo grau. É, na prática, fruto do Lulismo, que conta com crédito suficiente junto à população para eleger um presidente, ainda que sua trajetória política não conte com nada de extraordinário. Eu, particularmente, não tenho nenhum apreço por figuras que se julgam superiores e que passam, em última instância, ares de prepotência e arrogância quando se dirigem a jornalistas ou ao público comum. Sei também que isso pouco importa. O que devemos cobrar são resultados, que passam pela continuidade da evolução econômica deste país e pelo saneamento do congresso, antro de bandidos e corruptos.

A votação expressiva de Lula, há oito anos, refletiu o desejo de mudança do povo. Dilma, hoje, significa sua continuidade. Eu e mais 190 milhões de brasileiros lhe desejamos sorte, Dilma.

18 de outubro de 2010

TROPA DE ELITE 2: O INIMIGO AGORA É OUTRO

Pode até ser, mas a tensão e a realidade nua e crua das armadilhas do poder, criadas no piloto, mantém-se intactas. Um show que não pretendo estragar, caso você ainda não tenha assistido. Quero apenas tecer alguns comentários sobre a importância que esta sequência traz ao abordar o assunto da bandidagem não mais de cima para baixo, quando se trata de acuar bandido em favela, mas de baixo para cima, quando a banda pobre que habita a esfera pública deste país (99,9%) é colocada à prova.

O crime está associado ao Brasil  como a cerveja à Alemanha, a vodca à Rússia ou o whisky à Escócia. Faz parte e ponto, é raiz. Para classificá-lo, façamos uma simples analogia, comparando o nível sócio econômico da população a um tanque de gasolina: quanto mais vazio, mais próximo da miséria; quando mais cheio, mais próximo da elite que trafega na área pública. No frigir dos ovos, é tudo bandido.

Se o ponteiro de gasolina aponta para baixo, na reserva,  lidamos com a população de baixa renda que exerce a prática do crime como caminho mais fácil para mudar de vida, ainda que isso possa custar a expropriação alheia ou a sentença de morte. Quem é que se importa? O nível de consciência de quem pratica o crime tende a zero, o sujeito não tá nem aí com sua vítima, quer mais é se dar bem. O que vale é a lei da selva, sair da base da pirâmide para atingir algo que satisfaça seus desejos materiais.

O ponteiro da gasolina sobe um pouco, passa para o meio tanque. Lá encontramos falsificadores, fraudadores, policiais que aceitam suborno e toda sorte de indivíduo que, indo mais além, consegue traçar um plano para apropriar-se de algo que não lhe pertence. Já não é o ladrão pé de chinelo; o cara trafica, vende gasolina adulterada, altera data de validade do produto que está em seu estoque antes que vença, contrabandeia e por aí vai. A ação policial contra esses caras não é tão ostensiva como quando o tanque está vazio, até porque o trabalho desses caras é mais na maciota, na moita, sem alarde. Não matam ninguém e não recebem 200 anos de pena; pelo contrário, na maioria das vezes saem impunes, já que esta impera em escala ligeiramente maior e a corja se sente confortável seguindo na prática. O Estado não tem agentes suficientes para coibir sua ação, assim que entra ano, sai ano e nada muda.

Ah, e então... O tanque cheio. Vale lembrar que a prática de crimes ocorre em qualquer estágio, ¾ de tanque para mais ou para menos. A diferença é que quanto mais cheio o tanque, maior é a impunidade ou a capacidade que o estado tem em identificar e prender estes bandidos. E quando o tanque está cheio... ah, os malditos sanguessugas corruptos do sistema público. Fazem valer suas leis e pairam acima delas. Fosse o congresso uma casa séria e Sarney já teria sido barrado há muito tempo. Mas como tornou-se um aliado da base do governo (leia-se 'O presidente Lula precisa de um inseto como esse pra sobreviver e chega a ponto de dizer que não se deve dispensar a Sarney o tratamento de um cidadão comum'), nada acontece. Renan Calheiros, que já pediu afastamento do cargo de presidente do congresso por corrupção passiva (descobriu-se que uma empreiteira pagava as contas de sua amante ou algo que o valha), foi novamente eleito e, pasmem, quer ser presidente novamente. Isso jamais aconteceria em uma país sério, onde leis são feitas para quem não tem o tanque cheio (quando chega a vez deles, livram-se com facilidade). Claro, a lei do corporativismo: se um nobre deputado ou ilustre senador condena um colega de classe, certamente receberá o troco. Celso Daniel que o diga.


O que Tropa 2 procura mostrar é que cedo ou tarde a mão da justiça também haverá de alcançá-los (engraçado como o público aplaude após as sessões. Achei que tivesse sido só na minha, mas ouvi no rádio que isso tem acontecido em diversas). Trata-se expor as entranhas do poder público e o sistema que se perpetua em troca de votos, estabelecendo uma relação altamente promíscua e que beneficia, cada vez mais, aqueles que estão na ponta. O que diferencia o criminoso comum de um servidor público é que o primeiro, de tanque vazio, tem que sujar as mãos para obter seus ganhos. Já o do tanque cheio não, usa as benesses do sistema para enriquecer ilicitamente. Quem está "mais errado"? Não há "mais certo" ou "mais errado", há bandidos e ponto. O criminoso comum pode apodrecer 20 anos na cadeia e o caso ainda será lembrado. O do tanque cheio? Bem, esse o tempo se encarrega de esquecer tão rapidamente que parece que nem ocorreu. Calheiros que o diga.

Quando tivermos 200, 300, 500 capitães Nascimento com culhões para peitar essa corja, aí sim poderemos pensar em mudar as regras do jogo. Aqui tem um!

16 de outubro de 2010

Ou o Brasil acaba com a saúva ou...

Santana do Mundaú é um município alagoano a pouco menos de 100km de Macéio. Tem altitude de 221m, área urbana de 223km2 e população de 12.000 habitantes. Entre eles, uma saúva de peso: José Eloi da Silva.


O supra citado, prefeito da cidade, foi afastado por determinação da Justiça do Estado pelo tão comum delito de desvio de recursos públicos. O safado simplesmente guardou para si todos os donativos enviados para as vítimas das enchentes que assolou a região em junho passado e que deixou um sem número de desabrigados. Como se não bastasse, promotores do Ministério Público constataram que mais da metade das residências teoricamente afetadas pelas enchentes e dadas como destruídas, continuam intactas. A indenização, entretanto, foi parar na mão do prefeito e seus asseclas (9 funcionários foram afastados, incluindo os responsáveis pelas “pastas” das finanças, educação e assistência social, que beleza!). Entre fraudes e desvios, há indícios de um prejuízo da ordem de meio milhão ao erário público.

Ainda acho que essas bestas deviam ser queimadas em praça pública ou, pelo menos, terem suas mãos decepadas na mesma condição. Com todo o respeito, fodam-se os direitos humanos. Um cara que tem a capacidade de desviar recursos destinados à caridade e que suprirá, ainda que por tempo determinado, a necessidade da população desabrigada pela chuva, não merece viver. Ou se merece, que seja sem as mãos, assim aprende a não enfiá-las onde não é preciso (garanto que prefeito, secretário, deputado ou quem quer que seja pensará duas vezes antes de meter o nariz onde não é chamado). Está mais do que provado que a impunidade neste país é o maior estímulo para que figuras de baixa estatura como esta, nos confins do mundo, se achem acima da lei para roubar o que não lhes pertence. Pior: não estamos falando do desvio de recursos para uma obra super faturada ou algo que o valha. Estamos falando da assistência a desabrigados.

O Brasil carrega esta condição em cada estágio de sua história sem parecer se preocupar com o fato. A começar pelas capitanias hereditárias e as sesmarias, há 5 séculos, que de início já demonstravam  o corporativismo português fincando pé em terras tupiniquins. De lá para cá, a história só faz mudar os personagens: criam-se leis e colocam-se figuras públicas acima delas. Não há melhor exemplo em tempos recentes do que a figura empobrecida de José Sarney, que manchou a linhagem presidencial ao deixar seu nome registrado na história (aliás 1 - como tantos outros, e aliás 2 - simplesmente herdou essa condição ante a morte de Tancredo Neves. O destino lhe sorriu com um lugar ao sol, e ele rapidamente tratou de arrumar lugar per tutta la famiglia – coisa de mafioso mesmo). Roseana Sarney, a jóia do agreste, teve misteriosos R$ 1,3 milhão encontrados em seu escritório durante sua campanha em 2002; Fernando, filho do bigode, foi/é (nunca se sabe o que vai acontecer) investigado por tráfico de influência, formação de quadrilha, falsificação de documentos e crime contra o sistema financeiro nacional (operação boi barrica). Tem nora empregada não sei onde, a Fundação Sarney já embolsou mais de R$ 1 milhão em doações da Petrobrás (alguém precisa avisar esse presidente pinguço que ainda tem gente passando fome neste país) e o velho coronel nem sabia, segundo suas próprias palavras, que recebia verba de moradia, mesmo tendo domicílio próprio em Brasília. Se o congresso é a casa da democracia, o reflexo dos desejos e anseios do povo, como é possível ser presidido (combina com presídio, José) por um desqualificado do ponto de vista ético e moral?

Perto da famiglia Sarney, o prefeito de Mundaú é dinheiro de pinga. É um otário que se serve da desgraça alheia para abrigar os seus, ainda que seja na longínqua cidade da qual é prefeito. Mas é justamente do micro para o macro que devemos partir, varrendo da história esse tipo de gente para que o país, a médio prazo, possa fazer valer suas leis com respeito e dignidade, alçando ao poder público personagens que tenham condição de fazer algo em benefício da população e não o contrário. Quando não houver mais guarida para esse crimes, quando todos estiverem sujeitos às mesmas leis, então teremos dado um passo adiante. É preciso um basta geral e algumas mãos servindo de exemplo. Não há, nesta balburdia que foi criada, a menor condição de se estabelecer equilíbrio sem uma medida radical, manando os Zé Manés das Santanas de Mundaú da vida para o lugar que merecem.

"Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil", diz o macunaíma sem caráter de Mario de Andrade. E que não haja exceções.

Crédito da foto: Dimas Filho

25 de setembro de 2010

A mãe de todos os males

INEXORÁVEL e ponto. Assim se cumpre o destino do planeta, selado em seus primórdios quando o fator humano pesou - ou deixou de pesar - na atribuição de valores. Não há outro caminho que cedo ou tarde não leve à destruição.

Como raça somos um fracasso. Quando se trata de desequilíbrio, mestres. E tudo por conta de uma simples, porém consisitente razão: não somos capazes de estender os ideais de vida criados para nós mesmos àqueles criados sob nossa semelhança. São tantos os abismos a ponto de encararmos, quase que com naturalidade, a imagem que ilustra este post. Já não nos acostumamos a isso?

A mãe do todos os males é a falta de sensibilidade. É ela quem cria abismos intransponíveis por conta da voracidade humana em fazer de sua passagem por este planeta um acúmulo desmensurado de riquezas e afeta, em última instância, toda a dinâmica comportamental da raça. Não é por outra razão que geramos imperadores incendiários, ditadores fascistas, governos corruptos, mafiosos, torturadores, assassinos profissionais e toda sorte de "ser humano" que enxerga, na desgraça alheia, o trampolim para seu próprio engrandecimento. Isso ocorre porque é assim mesmo, porque nunca se pensou de outra maneira ou se estabeleceu um sistema que valorizasse a comunhão.
Gosto muito daquela historinha que diz que um certo ser humano, algumas centenas de anos à nossa frente, teve a oportunidade de visitar um berçário em um planeta distante. Ficou impressionado ao ser levado a um espaço do tamanho do Maracanã em que havia milhares e milhares de bebes dispostos, todos calmamente dormindo em seus bercinhos. "Como funciona isso?", ele perguntou ao seu anfitrião. "Muito simples. Quando um bebe nasce, nós o recolhemos e o trazemos a esse local. Aqui recebem todo tipo de assistência e crescem felizes e saudáveis". "E como os pais fazem para saber quem são seus filhos?", o humano perguntou. "Não fazem. Aqui todos são seus filhos".

Nada mais a ser dito. 

4 de setembro de 2010

As voltas que o mundo dá


Quando penso no papel que cabe a nós, humanos, na condução de nossas vidas, penso também na condição atribuída a cada um para que as responsabilidades se cumpram. Parece evidente diante da lei do equilíbrio: se por um lado somos agraciados com o sopro divino, por outro temos que retribuir de alguma forma, neutralizando as energias do sistema. De que maneira?

Cada um se expressa a sua, baseado em valores, princípios e ideais. O que serve para um nem sempre serve a outro, o que indigna um passa desapercebido a outro. E assim vai. Eu tenho cá comigo que se fui privilegiado com uma condição qualquer, seja ela econômica, emocional ou intelectual, devo compartilhá-la. É por isso que tantas pessoas realizam trabalhos assistenciais, estendendo não só a mão ao próximo, mas sua própria condição. Esse é o caminho da construção, da solidariedade e da formação de uma sociedade de verdade, que estabelece uma linha de equilíbrio entre seus indivíduos para que não haja falta, de um lado, ou excessos, de outro. Na prática, uma utopia.

A sociedade moderna se desenha de outras formas. O tal equilíbrio dá lugar ao interesse, a competitividade e a lei do mais forte. Tudo posso naquele que me fortalece, o dinheiro, e quanto mais dele disponho, mais longe posso chegar. Não é a toa que se criam grandes bolsões de miséria, contrapostos a luxuosos condomínios onde prevalece o interesse individual. Como expresso em 'O último mensageiro', cada um tem o poder de escolher seus caminhos e encontrar o melhor para si, partindo então para uma situação de divisão e equilíbrio. O que se sucede, porém, é um acúmulo desmensurado que cria abismos tão intransponíveis que nem mais 500 anos de gestão serão capazes de corrigir.

Se 89% das moradias da região Amazônica não contam com rede de esgoto, como bem alertou o Bruno Filleti, como conceber a construção de um estádio de R$ 0,5 bilhão para a copa do mundo? Que espécie de equilíbrio é esse? Creio ser este o grande mal que padece a sociedade moderna: a busca em linha reta pelo interesse individual, sem olhar para os lados. A construção dessa porra de estádio beneficiaria empreiteiras, políticos e todos aqueles que poderão dispor de, sei lá eu, R$ 200 para assistir a uma partida de futebol. Os 89% seguirão nas mesmas condições de higiene e sujeitos as mesmas doenças...

São inúmeros os exemplos que refletem esse estado de espírito. Hoje me dei ao trabalho de assitir ao horário eleitoral e... não é que vi o Collor em palanque pedindo votos pra Dilma? Ou o Temer, que representa todo o retrocesso político na figura mor de seu partido, Don Sarney, ao lado de Lula? Já não me assusto com essas merdas, faz parte do mesmo processo de interesses. O Lula não doou R$ 25 milhões para a reconstrução de Gaza? A troco de que, simpatia internacional? Alguém tem que avisá-lo (ou como diria a Dilma, "alguém tem de avisá-lo") que problemas internos ainda existem aos montes e é preciso corrigi-los antes de se olhar para fora.

A esfera política é apenas um exemplo. Nosso dia a dia é repleto de situações como essa, basta dirigir em uma cidade como São Paulo para entender o que quero dizer. Desrespeito, agressividade, individualidade. Até onde é capaz de chegar o descuido humano? "Que futuro dispõe uma sociedade que não é capaz de preservar a integridade de seus indivíduos?", questiona Abel em suas andanças pelo livro. Obscuro.

 Eu tenho a resposta. Assim como William Mitchell, coronel da força aérea americana que disse, em 1923, que Pearl Harbor era porta de entrada para um possível ataque japonês ao continente. As coisas acontecem, minha gente, o mundo dá voltas...


2 de setembro de 2010


"O maior desafio dos homens de bem reside na constante renovação de suas energias para transpor, quase que diariamente, as barreiras impostas pelo preconceito e pela intolerância. É da união e da força, da solidariedade, que haverão de brotar resultados".

13 de agosto de 2010

Do público ao privado


A história da humanidade registra, quase que em ato contínuo, a espoliação e privação do direito alheio como prática regular e permissível. Foi assim com as civlizações da antiguidade, com a era dos descobrimentos, com a revolução industrial. E chegou aos nossos dias com o exercício do mandato político.

É mais do que sabido que essa corja que habita as profundezas do congresso acostumou-se a sangrar os cofres públicos em causa própria. Na contramão do progresso (congresso e progresso podem até rimar, mas definitivamene não combinam), estabelecem na vida pública a fonte de enriquecimento pessoal, apropriando-se de bens que, definitivamente, não lhes cabem. Como ainda são as raposas que tomam conta do galinheiro é natural que a classe toda se beneficie e ninguém, em última instância, seja punido. Na verdade, e sem medir palavras, estão pouco se fudendo.

A Folha apurou, no final de semana passado, a utilização de dinheiro público no financiamento de campanhas eleitorais. Significa dizer que gente como o Genoino, na tentativa de se reeleger, solicita reembolso de suas despesas com aluguel de mesa, cadeiras e sofás. Não importa o valor (algo em torno de R$ 300), o que vale é o conceito e os três imbecis que fazem parte da história.
Imbecil 1: o responsável por creditar a Genoino o valor do reembolso (provavelmente não questiona porra nenhuma e o faz automaticamente)
Imbecil 2: o próprio Genoíno que, depois de estampada nos jornais a falcatrua, jura de pé junto que não vai mais pedir reembolso. De novo: não se trata do valor, mas do conceito. É essa mentalidade abominável que permeeia o ambiente político e faz com que qualquer um vislumbre, no dinheiro público, a possibilidade de um ganho extra
Imbecil 3: eu, você, todos que pagam impostos para que esse bando de vagabundos se esbalde

Alguém pode explicar como é que quase R$ 1 milhão são gastos com despesas de combustíveis quando o congresso se encontra em recesso (ah, aí está, congresso e recesso não só rimam como combinam!)? Simples: deputados e senadores esão visitando suas bases eleitorais, preparando-se para reeleição, e nós estamos pagando seus deslocamentos! Isso sem contar que 53 deputados solicitaram a quota máxima para esse tipo de despesa, que é de R$ 4.500. Nego recebe 5 paus de gasolina em período de recesso?! Salário mínimo 10% desse valor? Que país é esse?! Bastilha neles, guilhotina já!

Um país que tem boa parte de sua população vivendo em condições de penúria não pode permitir que esse tipo de procedimento ainda exista. Como consciência é algo que passa longe dessa corja, é preciso que gente como nós, cidadãos comuns, denuncie essas práticas e renove o tal congresso (ou como propõe o candidato do PSOL, feche essa merda de uma vez, já que a única coisa que fazem é contribuir com eles mesmos. Não é má idéia, Plínio!).

Um político deveria, por princípio, doar-se, do alto de sua envergadura moral, para dar ao povo exatamente a mesma condição que ele, do ponto de vista privado, detém. Do privado ao público, o Brasil já está de saco cheio do caminho contrário!

PS.: para piorar, esses mesmos bandidos instituem leis que limitam sua exposição ou a condição de serem ridicularizados na mídia. Tem que ser alvo de denúncias sim, de chacotas se necessário para expor sua condição de espoliadores. Que a lei vá para o inferno, a lei moral é superior a qualquer tipo de coação!!


8 de agosto de 2010

Ainda sobre valores

Amizade: originalmente baseada em princípios comuns, em valores substanciados na própria expressão do ser, transforma-se no jogo  que faz da relação um instrumento de troca. Exemplo: Lula é amigo de Sarney
Política: o servir a causa pública em favor da sociedade transforma-se em servir causa própria através de meios públicos em detrimento da sociedade. Exemplo: verbas públicas utilizadas por deputados em suas campanhas eleitorais ou os R$ 800 mil gastos em gasolina quando o congresso se encontrava em recesso
Papo: troca de experiências que reforça laços, orienta, auxilia, descontrai, transforma-se em exibição de valores de segunda categoria. Exemplo: conversava eu animadamente com um amigo sobre experiências de 30 anos atrás quando fomos interrompidos por um terceiro (conhecido dele) que fez uma puta viagem para o exterior a um preço que só ele consegue. Qualquer um no lugar dele teria ido, no máximo, à Bahia.
Agradecimento: a prática de reverenciar o ato de doação alheia e prontamente retribuir, equilibrando as forças, transforma-se, nas mãos dos presunçosos, em movimento de mão única. Exemplo: receber o carro do manobrista, o café do garçom ou o recibo do caixa do banco e não ser capaz de dizer um simples 'obrigado'. Presenciei a cena de um religioso que nem sequer olhou para o manobrista que havia acabado de ajudá-lo a colocar 4 crianças dentro do carro.
Humildade: a percepção de que todos somos iguais aos olhos do Criador, com qualidades e defeitos, mas nem por isso melhores ou piores, transforma-se em instrumento de segmentação e preconceito, deixando para trás seu conceito original. Exemplo: pessoas que passaram dificuldades ao longo da infância, inclusive no que diz respeito a comer, e que após atingirem sucesso na vida profissional não apenas esqueceram-se de suas origens, mas tratam com desprezo todos aqueles que hoje assumem a mesma condição. Seria vergonha de se colocar diante do espelho do passado?
Simplicidade: os pequenos prazeres da vida, via de regra ligados à natureza e aos apelos que atendem aos instintos básicos, transforma-se em ícones da tecnologia e conforto que eliminam, na prática, a verdadeira essência humana. Exemplo: no post anterior, o confornto entre o café no jardim e o sexo inútil
Sexo: já que falamos dele, a substituição do encontro maior, da energia que é trocada em momento de sublimação e ativação de todos os chakras pelo encontro menor, da energia volátil que se perde a cada trepada com alguém que possivelmente nunca mais se verá. Exemplo: no post anterior, a utilização da energia sexual em seu mais baixo grau de aproveitamento.
Música: a ativação da alma através da audição, a recordação e o resgate do que de mais sutil transita em nosso ser, transforma-se no culto ao choque, à energia da pior qualidade. Exemplo: Machine Head, banda que traduz à risca a essência do caos e que move massas perdidas e sem direção. Fácil manipulação.
Rapidinhas:
Pisca pisca: instrumento que, quando acionado, automaticamente acelera o carro que se encontra na pista em que você tem a intenção de mudar. Pura concidência o sujeito acelerar naquele momento!
Fila: feita par ser furada, a não ser que seja dos famintos que aguardam o sopão em uma dessas casas de assistência. Há respeito, o que não se pode dizer de um jogo de futebol, um concerto de rock, entrada do cinema e tantas outras manifestações.
Relógio: o que era para ser um instrumento de medição do tempo e controle do planejamento diário, transformou-se em símbolo de status e condição social. Meu relógio 'diz' que sou mais bem sucedido que você (seriam minhas horas mais valiosas?)
Ração: o alimento animal tranforma-se em referência de valor. Exemplo: 'gasto mais em ração com meu cachorro do que você ganha em um mês!' (esses meninos do Santos são o claro exemplo de como o mundo atual subverte os valores e reduz a cinzas o respeito que temos uns pelos outros)

Darwin, não se trata de teoria da evolução quando a questão é o comportamento humano, meu velho, mas de involução... 



1 de agosto de 2010

Da inversão de valores

De todas as contradições que dominam o coletivo humano, nenhuma fala mais alto do que a inversão de valores. As auto proclamadas 'sociedades modernas', que desesperadamente buscam a superação através da tecnologia, traduzida (com raras execeções) em modelos de comodidade e conforto, criam caminhos supostamente avançados e ao mesmo tempo tão contraditórios que colocam em xeque o valor humano. Viver sim, mas com que finalidade?

Vejamos dois exemplos práticos: ontem, sábado, tive a oportunidade de visitar, em companhia da Regina, a feira de orgânicos do Parque da Água Branca. O termo orgânico não se refere apenas ao tomate, cenoura, pepino ou qualquer outra hortaliça cujo desenvolvimento passa longe de fetilizantes químicos ou agrotóxicos (e que naturalmente contribui para o bem estar humano), mas também pela preservação do solo, da água e dos baixos índices de poluição. Devolvemos à terra, da maneira mais natural possível, a dádiva que ela gentilmente nos oferece, sem comprometer seu uso de maneira indiscriminada. É de se esperar que as pessoas envolvidas neste contexto, de um lado ou de outro do balcão, tenham um tipo de comprometimento diferente com o planeta, seus pares e consigo mesmas. Não é à toa que o ambiente é extremamente acolhedor, o perfil do público é diferente, a motivação é outra. Algo me remeteu  ao passado, duzentos ou trezentos anos talvez, quando as pessoas comungavam da energia que locais como esse são capazes de oferecer com sua gentileza e clima. De quebra, um café da amnhã em meio ao verde, 100% natural e em ótima companhia. Resgata-se a prática simples, iluminada pelo prazer de desfrutar o momento, sem pensar em 'tirar proveito da situação', tão comum aos olhos do capital. Será preciso ir além para entender o valor da vida?

Parece que sim. Em outras circusntâncias, claro. Porque quando a essência do viver se dilui em máscaras, criadas por sociedades que já desenvolveram tantas alternativas que não sabem mais por onde ir e, já quase sem rumo e mais nada para acreditar, abrem mão da própria dignidade, perdida nesta absurda inversão de valores. É o que constata e me informa, estarrecida, a mesma Regina, ao se deparar com um programa de TV que retrata a vida noturna norueguesa. A balada local consiste em espalhar uma quantidade absurda de espuma pela pista, que na batida da música ensurdecedora é tomada por jovens pilhados (ectasy ou algo que o valha). O que se segue é deprimente: roupas voam, começa o agarra geral e a balada se consome em um espetáculo de dar inveja às orgias do império romano. E não estamos falando de pessoas que cansaram de suas vidas sexuais e partiram para experiências diferenciadas, estamos falando de jovens que mal iniciaram a vida nessa área (ótimo jeito de começar). A prática e a identificação extrapolam para outros campos e visão de vida... Bem, não é preciso ir além. A Noruega, diga-se de passagem, é o país mais rico do mundo.
Para onde tudo isso leva? Eu não sei, mas posso assegurar que cria um distanciamento do propósito original da criação, muito mais voltado à situações como a do Parque da Água Branca. A balada norueguesa expressa até que ponto pode chegar o homem quando se trata de subverter os princípios que, um dia, deveriam ter norteado sua trajetória, e que ainda cintilam em feiras onde pessoas criam um sentido diferente. O planeta se encontra neste estágio destrutivo justamente porque estas populações, embora ganhem espaço a cada dia, quase nada representam.

Arquemos pois com as consequências.


20 de julho de 2010

"Há séculos sabe-se que o silêncio é a maior das necessidades. Por isso as pessoas fogem do mundo, achando que é impossível permanecer em silêncio, conclusão absolutamente errada porque o silêncio nada tem a ver com o mundo exterior. Ele é interior, você pode cultivá-lo em qualquer lugar.



Há pessoas que gostariam de ficar em silêncio, mas gostar não basta. É necessário amar. Gostar é morno, é mais ou menos. Amar significa envolver-se apaixonadamente. Amar significa que é uma questão de vida ou morte. O amor significa intensidade, totalidade.



E as grandes dádivas da vida são somente para as pessoas que estão dispostas a entrar totalmente em algo, seja ele o silêncio, a liberdade, a verdade — não importa o quê. Todos os valores supremos exigem que você ame". Osho

18 de julho de 2010

Da pobreza de espírito

A copa do mundo se foi, e com ela o sentimento que boa parte da população costuma chamar de felicidade. O êxtase que toma conta nos dias de jogos, a pátria de chuteiras e a tal irmanação que levianamente coloca estratos tão distintos da população em pé de igualdade (e que já foi tema neste blog) já fazem parte do passado, ciclicamente presente a cada 4 anos. 'Panis et circencis', diriam os romanos. Por mais paradoxal que possa soar, 2014 nunca esteve tão perto: a chama da redenção se acende, a oportunidade de dar a volta por cima reluz em slogans de apoio e a perspectiva de conquista, o tão almejado hexa, encoraja o sonho dourado das novas gerações. Bebemos na fonte do prazer, como se não houvesse mais nada a fazer.

Há, pelo contrário, muito a ser feito. Muito! E não diz respeito à construção de estádios de futebol, de infraestrutura aeroportuária ou da rede hoteleira das grandes capitais. Diz respeito à inclusão social, à redução dos abismos colossais que se interpõe entre as camadas populacionais, à infraestrutura básica que permita que as chuvas, por exemplo, matem menos e causem menos estragos. Diz respeito a empossar pessoas capacitadas e dotadas de ética em cargos públicos - temos eleições pela frente -, a tratar a natureza e o próximo com o devido respeito, a criar condições para que os serviços públicos como saúde, transporte, segurança e moradia funcionem. Diz respeito a tirar gente das ruas, a trazer crianças para escola, a reduzir a mortalidade infantil. A fazer bom uso do dinheiro gasto em impostos, a reduzir o montante que se paga com a esfera pública (um senador brasileiro custa cerca de 4 vezes mais do que um senador francês), a fazer valer nosso direito como cidadão. Diz respeito a dar condições mínimas para que todos possam, de fato e direito, serem chamados de cidadãos.

O Brasil deve, de uma vez por todas, parar de achar que seus problemas se resolvem em um campo de futebol e que a conquista de um campeonato lavará a honra nacional. Piada! O país precisa arregaçar as mangas e trabalhar, contando com pessoas capacitadas à frente da administração pública para dar o tom, não ufanistas de plantão que fazem uso da ingenuidade do povo ou sanguessugas que brigam, politicamente falando, pela realização do jogo de abertura nesse ou naquele estado/ estádio. Piada! Diante das agruras que tomam conta desse país isso é mesmo uma grande piada e de mau gosto.

Assim como a própria natureza humana, que elegeu como fonte de prazer uma modalidade em que a felicidade depende, em última instância, da tristeza de outros...


Foto: Folha de São Paulo

26 de junho de 2010

Todos ligados na mesma emoção (quando interessa)

É copa do mundo. O clima festivo encerra, na ordem mundial do evento, a integração planetária em nome do popular, levado às últimas consequências nos âmbitos esportivo, tecnológico e mercadológico. Não necessariamente nesta ordem porque ao final, independentemente de quem se sagre campeão, Adidas, Puma, Nike e especialmente a FIFA saem como grandes vencedores, engordando as já polpudas somas depositadas em seus cofres. Nós, os aficcionados, alimentamos o vício, deleitamo-nos com as imagens que em menos de 30 dias farão parte do passado e abrirão novamente as portas da rotina.

Enquanto isso não acontece, o clima que toma conta do país é dos mais contagiantes. As ruas se revestem de verde e amarelo, o troar das vuvuzelas soa como música. É o desejo comum que une brasileiros pela 'causa'. Como pregava o hino da copa de 70, criado sob os auspícios da ditadura militar que via na conquista da copa a oportunidade para consolidar a imagem do regime, "Todos ligados na mesma emoção, tudo é um só coração". Estimule as massas, faça-as parecer participativas e sempre terás controle.


Tudo é festa em dia de jogos do Brasil. Clientes abraçam garçons em bares, executivos saúdam, com entusiasmo atípico, porteiros e manobristas. "Dá Brasil hoje, doutor?" - "Na cabeça!", o doutor responde, polegar estendido e o sorriso torto. A troca é clara e o funcionário sorri para si mesmo, satisfeito por ter tido um segundo de atenção de seu empregador, de quem nem obrigado escuta no dia a dia. O 'efeito copa', entre outros, é esse. Nos torna parte de um mesmo ideal, nos leva a deixar diferenças de lado em nome da conquista, relegando a prática de ignorar o semelhante em segundo plano (principalmente quando se trata de indivíduos em condições econômicas ou sociais inferiores). Na copa do mundo somos todos irmãos.



Em duas semanas não haverá mais copa, muito menos o sentimento que cria essa identidade nacional. Virá o Natal, viveremos algo parecido e entraremos o ano novo já desprovidos da sensação. Esse é o movimento, o retorno aos interesses individuais circunscritos na própria insignificância e opostos aos desejos da comunidade. É o caminho natural dos políticos corruptos, dos mandatários inflexíveis, daqueles que se voltam para o próprio umbigo e trabalham, em última instância, em benefício próprio e dos seus. É o caso de Geddel Vieira Lima, ex-ministro da integração nacional no governo Lula durante 3 anos.


À frente do ministério, Vieira Lima destinou quase a metade da verba para prevenção de catástrofes naturais (como as enchentes que tristemente tomam os estados de Pernambuco e Alagoas nestes dias, com nada menos do que 154 mil desabrigados e cidades totalmente soterradas) para o seu próprio estado, a Bahia. Pernambuco, pasmem, levou menos de 4% e Alagoas ficou sem nada. Nada! Coincidentemente, Geddel Vieira Lima é pré-candidato pelo PMDB ao governo da Bahia. E do ponto de vista prático poderíamos até levantar a questão da razoabilidade do ato, já que o estado, sabe-se lá, poderia mesmo necessitar de mais verba. De 2003 a 2009, como noticiou hoje a Folha, a Bahia apresentou 431 casos enquadrados na condição de catástofre naturais. Pernambuco 542. A  questão já havia sido levantada no início do ano, quando da tragédia que se abateu sobre Angra, e absolutamente nada foi feito. Agora, em escala emergencial, o governo federal libera verba para a região. E o bom e simpático Geddel segue em sua trajetória política.


É evidente a ação de favorecimento do homem quando há interesses outros em jogo. Um ministro de integração nacional, que teria por obrigação olhar para o país como um todo (a própria denominação diz, 'nacional'), provilegia seu estado porque sabe que beneficiará sua carreira, a despeito de tantos outros que serão prejudicados em função de seu ato. Ô raça filha da puta essa que domina nossas instituições!


O Brasil é um antro de crueldades neste sentido, mas o conceito pode ser facilmente estendido ao mundo: imensos estoques de alimentos espalhadospor países desenvolvidos enquanto outros, em condições adversas, tem suas populações passando fome; empresas 'escondendo' mercadoria para que seu valor de mercado suba (comum com commodities, como grãos) e aumente seus lucros; deturpação de conceitos como o não reconhecimento ao acesso à água como um direito humano (siga o link), como o Brasil teve a proeza de fazer no ao passado, na Turquia, durante o 5o. fórum mundial sobre água.

A igualdade não é, de fato e direito, para todos. Vale apenas quando interessa.

15 de junho de 2010

Das origens


Presunçosos que somos, fazemo-nos valer de vicissitudes em favor da razão, acreditando no que é mais conveniente e construindo verdades próprias, muitas vezes forjadas em valores impostos ou mal direcionados. Vejamos o caso de Ahmedinejad, por exemplo. Para ele, o holocausto não passa de obra de ficção e a disseminação dessa sua 'verdade' estende o conceito a ponto de torná-lo um axioma (já vi questionamentos, na própria blogsfera, sobre o assunto, gente que escuta de orelha e passa a aceitar a nova 'verdade' sem consultar qualquer registro histórico. Esse poder pessoal, usado para distorcer a realidade, é comum e abominável). O que dizer das supostas feiticeiras que arderam até a morte nas fogueiras da inquisição? Não era a questão da bruxaria que estava em jogo, bem sabia Torquemada, mas o alinhamento incondicional de todos, sem excessão, com os dogmas da igreja (uma maneira de manter o rebanho sob controle e sem deixar espaços para outras opções). Podemos passar pela 'contribuição religiosa' da igreja universal (claro que é uma piada, mas essa 'verdade' vale para milhares), pelo 'caráter celibatário' dos membros do clero (pedófilo, eu?), a 'dádiva' do bolsa família (me engana que eu gosto), a negação da existência dos ETs (evidências existem aos montes, mas a verdade da CIA e do FBI é outra). Jesus não foi crucificado para expiar os pecados do homem? Não é essa a verdade da igreja? Ou na realidade se tratava do perigo que este homem representava às lideranças locais? Seja como for, são estas 'verdades' que saltam aos olhos dos incautos e funcionam como leis, quase que imutáveis, contribuindo para a manutenção do controle absoluto e criando toda sorte de distorções. Adão e Eva que o digam.


O mito mais antigo da humanidade tem sua raiz na origem do homem através do sopro divino. Louvamos a figura celestial não apenas para justificar o ato da criação, mas para a ele dar uma caráter sobrenatural e uma dimensão maior do que é, traço caracterísitico do ser humano. Que graça teria, por exemplo, se houvéssemos sido criados na condição de escravos de uma outra raça, que por este planeta passou há milhares de anos em busca de minérios? Já imaginaram? Nós, a elite do universo, seres criados por Deus em sua mais absoluta bondade (se assim fosse e, como diz a Bíblia, criados a sua imagem e semelhança, porque não herdamos o caráter gentil e construtivo ao invés de estabelecer leis que passam por guerras, extermínios e escravismo?), relegados à posição mais baixa na hierarquia social, que vexame. Seria nossa vaidade capaz de aceitá-la? Obviamente, a resposta é não. Nossa dignidade passa por submeter a condição da criação ao mito revelando, uma vez mais, nosso ego inflado e caráter exibicionista que se perpetua até os dias de hoje. Onde se encaixa a verdade?


Tampouco sei, mas há enormes evidências da natureza acima descrita na obra de Zecharia Sitchin, autor que defende a teoria da criação do homem a partir de seres extraterrestres. Seus estudos sobre a civilização suméria estão documentados em uma série de livros, sendo o principal deles 'O décimo segundo planeta'. Sitchin narra a vinda de seres do espaço em busca diamantes para recompor uma camada deste material existente em seu planeta de origem (como a nossa de ozônio), tendo encontrando na Terra, mais precisamente no sul da África (vale lembrar que testes com carbono 14 registram extrações nas minas de diamantes em cerca de 14.000 a.C., tendo o homem surgido no planeta cerca de 10.000 anos depois). A tarefa, por demais desgastante (a história é riquíssima e cheia de detalhes, narra a revolta dos trabalhadores liderados por um tal de Satan, o anjo caído, para acabar com as péssimas condições a que eram submetidos), mobilizou os chamados 'deuses' a criar uma nova espécie para cumprir com o papel. Para tanto, mesclou seus genes aos das espécies hominídeas que habitavam a Terra, por volta de 4.000 a.C., e criou o homem (já ouviram falar do elo perdido, do salto evolutivo do desenvolvimento humano em determinado período como se faltasse uma etapa na espécie? Pois é, isso explicaria tudo). A raça trabalhadora foi mantida sob controle até o dia em que conheceu o 'pecado original', o direito à reprodução. É esse o mito de Adão e da cobra (nada além de uma alusão ao genital masculino) que entra para a história como o primeiro deslize humano e que até os dias de hoje é condenado pela igreja, exortado como a origem de todos os males. E por que? Porque a reprodução permitia o crescimento da espécie e, por consequência, a perda do controle por parte dos deuses, que depois de cumpridas suas prerrogativas partiram, nos largando à própria sorte. É deles que herdamos o caráter bélico, explorador e colonialista (de algum lugar tinha que vir). Não é à toa que todas as civilizações, dos Andes ao oriente, apresentem deuses em seu panteão mitológico, muitos deles com características e traços semelhantes. Seria uma enorme estupidez não considerar tais evidências.

Por outro lado, crescemos na tradição secular do mito, vez ou outra mesclado com teorias evolucionistas em base científica. Do espaço? Nem pensar. Seria absurdo encerrar a origem humana em sua provável insignificância, além de jogar por terra os instrumentos de controle religiosos. Seria o caos.

Não tenho intenção de introduzir teorias que afrontem convicções religiosas ou pessoais, cada um tem a sua. Falo apenas do que entendo como verdade dentro de um processo histórico que leva em conta o caráter humano e sua trajetória ao longo dos séculos. Acredito em Deus e em toda sua bondade e magnificência, mas também na existência de seres imtermediários que negociaram nossa criação e que fazem parte da nossa história.
As verdades, a bem da verdade, nunca são absolutas.

6 de junho de 2010

O conflito árabe-israelense sob perspectiva histórica

Na semana que passou, os olhos do mundo voltaram-se uma vez mais para o estado judeu. Uma operação do exército israelense levou à morte 9 ativistas da chamada 'flotilha da paz', que tinha por objetivo romper o bloqueio econômico imposto à faixa de Gaza. O que houve, com exatidão, ainda não se sabe. Tudo leva a crer que a reação intempestiva dos soldados se deu por legítima defesa ante o ataque de alguns 'ativistas', ligados a entidades terroristas, que os receberam com paus, estilingues e instrumentos de corte. Por outro lado, há versões que mencionam a chegada do comando israelense por helicóptero de madrugada, armados até os dentes e atirando para matar (fosse esse o objetivo e o saldo de 9 mortos seria uma vergonha para a competente máquina de guerra israelense). Desde então a guerra vem sendo travada no campo midiático, nas versões apresentadas por cada lado em defesa de seus direitos. Esse é o jogo que comove a comunidade internacional e condena as ações israelenses visto que, em última instância, é a população civil de Gaza que sai prejudicada com o bloqueio. Deixando-se de lado por hora o processo histórico, apenas um fato se apresenta como verdadeiro: a legitimidade que qualquer país do mundo tem em garantir sua segurança ao obrigar que cargas sejam inspecionadas antes de entrar em seu território, sobretudo se serão encaminhadas à região controlada pelo Hamas, grupo fundamentalista/ terrorista que tem por objetivo a aniquilação do Estado de Israel. É imperativo que haja controle para restringir a entrada de material bélico e a flotilha da paz não escapa a esta condição.
Vozes se levantam, a favor e contra. Vídeos e mensagens pululam na internet, a favor e contra. A comunidade judaica se posiciona, exibindo vídeos da abordagem e mensagens de enfermeiras que atenderam ao chamado quando convocadas ao porto de Ashdod, para onde foi desviada a flotilha. O antisemitismo cresce, surgem comentários bestiais nos mais diversos sites, basta acessar a Folha On Line ou a UOL para verificar do que são capazes os ignorantes. A repercussão é enorme e a pergunta que sobrevem é: quem está com a razão?
Os judeus dirão que a terra prometida por Deus e por eles habitada durante milênios lhes pertence. 1 x 0. Os palestinos haverão de alegar que de lá foram expulsos depois da guerra de independência, em 1948, e que nada fazem além de querer retornar a seus lares (e que se não vai por bem, vai por mal). 1 x 1. Então de quem é a culpa?
O grande vilão (agora sim) é o processo histórico. É ele quem estimula a ação opressiva do homem através dos séculos, seja ele judeu, muçulmano, inglês ou argentino. Quando se trata de supremacia e conquista não existe cor, credo ou raça que sobrepuje o caráter humano.
Vejamos: nos primórdios, como narra o antigo testamento, Abraão deixou sua cidade natal, Ur, na Caldéia, a mando de Deus. Seguiu em direção a Canaã (hoje território israelense) para dar início a história do povo judeu e sua ligação com 'Eretz Israel', ou a Terra de Israel. A história segue com os outros patriarcas (Issac e Jacó), com os reis (Saul, Davi e Salomão) e com a divisão do país nos reinos de Israel e Judá, invadido em cerca de 600 a.c. por Nabucodonosor e os exércitos babilônicos. O templo é destruído e dá-se início a chamada primeira diáspora, quando os judeus são obrigados a deixar suas terras para só voltar 70 anos depois, quando os persas derrotam os babilônicos. O templo é reconstruído e a região passa pelo processo de helenização quando Alexandre, o Grande, conquista os persas. Depois cai em mãos romanas, época em que recebe a denominação de Palestina. Na tentativa de expulsar os romanos, por volta do ano 70 d.c., os judeus são novamente dispersos(segunda diáspora) e o templo uma vez mais destruído.
É quando os judeus espalham-se pela Europa, o império romano é dividido e sua porção oriental toma capital em Bizâncio. Enquanto seguem no exílio, o avanço do Islã conquista a região, cruzados e muçulmanos brigam por Jerusalém, os otomanos a dominam por séculos até passar à administração britânica com o fim da primeira guera mundial. Os judeus são perseguidos na Europa e o movimento sionista ganha corpo, primeiro no início do século XX, depois com maior intensidade após a segunda grande guerra. O 'voltar para casa' se intensifica.
Entretanto, desde a saída dos judeus sob domínio romano, no século I, até seu retorno mais contundente, no século XX, populações árabes se instalaram na região (lembrando o crescimento do islã a partir do século VII). Ou seja, quando do retorno à terra prometida, encontraram novos 'proprietários'. A princípio, entre 1910 e 1920, os árabes optaram por vender parte de suas terras para os novos antigos moradores. Mas a partir daí, receosos de que poderiam perder sua identidade e seu país, os conflitos começaram, arrastando-se por quase 3 décadas até que a recém criada ONU propôs, em novembro de 1947, a partilha das terras, criando-se um estado árabe e outro judeu dentro do território e tendo Jerusalém como cidade internacional e administrada pela própria ONU. A agência judaica topou, a liga árabe não. 6 meses depois, a 14 e maio de 1948, com o fim do mandato britânico e a retirada das tropas da região, Israel declarou sua independência.
É nesse momento que o drama palestino se intensifica. Jordania, Egito, Síria, Líbano e Iraque atacam o novo país e são sumariamente derrotados (parte do processo histórico). Tudo que conseguiram foi aumentar o território israelense em mais da metade da área que a ONU havia destinado aos árabes e criar uma massa de refugiados palestinos calculada em 700 mil. Gaza e a Cisjordânia, regiões onde hoje concentra-se o povo palestino, foram incorporados ao território israelense mais tarde, em 1967, após a guerra dos seis dias. O resto da história se desenrola com mais guerras, ataques suicidas, revides, invasões e a série de embates que bem conhecemos.
É neste ponto que entra a crítica ao processo histórico e ao absurdo conceito de apropriação e conquista. Que o digam os nativos americanos, os incas, os tupiniquins, todos alijados de suas terras e riquezas e vivendo sob domínio alheio. Até o final desta semana, os mesmos olhos que hoje desaprovam a ação israelense estarão voltados para a copa do mundo, na África do Sul, país que há pouco tempo caracterizava-se pelo apartheid e a opressão da maioria negra. Ora, isso só ocorreu porque em determinado momento (processo histórico) nações européias resolveram 'explorar' o continente e subjugar suas populações em busca de mais riquezas. Foi assim com a Líbia, Argélia, Marrocos e Congo, entre outros. Os muçulmanos não fixaram suas fileiras na Península Ibérica até serem de lá expulsos na guerra de reconquista? Processo histórico. Não é assim que funciona a lei humana, sancionada sob os auspícios do poder? Processo histórico. Quem haverá de questionar a força em detrimento da razão?
Os judeus tem direito à terra que herdaram de seus antepassados há 4 mil anos. Os palestinos, por sua vez, também. Tiveram a chance histórica de dividi-la, mas não foram capazes de superar o radicialismo a ponto de aceitar um estado judeu. De lá pra cá a situação só tem piorado e Israel parece dar mostras que não tolerará nenhum tipo de afronta a sua política que, diga-se de passagem, passou da antiga divisão ao expansionismo, acentuando o ódio que permeia a região. Nada mais natural, nada mais alinhado com o processo hisórico.
Ao homem será dada a chance de viver em paz quando estiver capacitado a superar diferenças políticas, ideológicas ou religiosas em nome de um bem maior que abrace a espécie como um todo e não apenas determinadas populações. Enquanto isso não ocorrer, seguiremos sujeitos à mesquinhez e insignificância que caracterizam nossas lideranças e nossos atos, repletos de manchas dentro da consolidação do processo histórico.

28 de maio de 2010

Pra matar saudades













Esta semana tive a satisfação de rever amigos de longa data. Quando digo longa data, me refiro a laços de 30 a 40 anos que por uma razão ou outra se perderam no tempo e, como névoa, passaram a habitar mundos distantes. A cronologia da vida tem seu balanço natural, é verdade. Cria movimentos que se desdobram na razão da própria existência. Esse é o caminho. Uns se encontram mais, outros menos, uns casam mais jovens e tem filhos, outros vivenciam a paternidade mais velhos. Não se pode dizer que há padrões no que diz respeito a destinos e afins, mas é possível identificar algo sutil que permeia nossa trajetória e que se faz presente em momentos tão interessantes como esse.


Falo de energia manifesta. Se tenho me deparado com manifestações não convencionais ao longo destes últimos meses, surge aqui mais um evento. É como se 30 ou 40 anos se comprimissem em um vácuo de espaço x tempo e existissem em outros planos, continuamente, sem que houvesse nada a estranhar.

Fatos vão, fatos vem e o emaranhado de emoções continua lá. Ao final, é o rastro de bem estar que se espalha no ambiente e auxilia os mestres em seu trabalho de recodificação.

Vida longa à irmandade.

16 de maio de 2010

Nada mais importa



Minha reação foi de espanto ao ver, pela primeira vez, a campanha da copa do mundo da África, sobretudo pelo fato de Bono Voz, vocalista do global U2, emprestar sua voz na locução. Se a intenção do incansável batalhador dos direitos humanos era ganhar mais alguns pontinhos na consolidação da imagem de 'garoto' pop socialmente responsável, perdeu, ao menos na minha modesta opinião. A assinatura do filme, 'Nada mais importa', não faz parte das palavras de Bono. Mas isso é o que menos importa, a associação já está feita.
Vamos ao filme. A idéia é a mesma que mobiliza qualquer evento de grande monta: isolá-lo a ponto de torná-lo único, soberano perante qualquer outra questão que embale o mesmo momento e que a torne, obrigatoriamente, de menor importância. A sucessão de imagens mescla conceitos distintos e o problema surge quando política, comércio ou religião são colocados na mesma dimensão que aquecimento global, escassez de água e direitos humanos. Cabem todos na mesma cesta? É possível nivelar a questão das diferentes correntes religiosas (vale lembrar que o Itaú explorou o conceito em comercial onde judeus e muçulmanos se unem em torno da bola, ainda que suas diferenças não sejam colocandas de lado; é totalmente metafórico) com o lento caminhar do planeta para o esgotamento? Ou com o respeito pelos direitos humanos? Diga isso ao cara que é torturado nos calabouços de regimes totalitários, à mulher que anda 3km para obter água, às pessoas que vivem em acampamentos permanentes sem condições higiênicas. Pergunte ao voluntário do médico sem fronteiras se ele deixará de assistir a um paciente para assistir um jogo, ou ao refugiado haitiano se ele trocará a refeição que conseguiu obter a duras penas por 90 minutos em frente a TV. A copa do mundo não é tudo.
Naturalmente, há motivações econômicas para que isso aconteça. A FIFA investiu US$ 1 bilhão e boa parte desse investimento retornará através dos direitos de transmissão. Todo mundo ligado na copa do mundo, não é? Não. E por uma simples questão que Einstein colocou com propriedade: tudo é relativo, depende do ponto de vista do observador. Reduzir questões tão amplas e importantes para a humanidade ao mesmo espectro de uma copa do mundo demonstra, uma vez mais, o quanto o poder de persuassão humano é proporcional a sua insignificância.

Veja o filme e tire suas próprias conclusões


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9 de maio de 2010

Complementando 2: assim já é demais...


Domingo, 9/5, 10hs30, levando a Gisele para fazer exame de sangue no Delboni...

Complementando...

... o post anterior, domingo cedo é dia de pãozinho, esse é o cartão que recebi com o código de barras para pagamento...

Um ótimo domingo a todos e um feliz dia a todas as mamães!!

8 de maio de 2010

99 numbers 99

Minha relação com números é uma daquelas coisas que garante a existência de uma força oculta, alheia a vontade e provavelmente cheia de boas intenções, trabalhando na calada da noite no tabuleiro de peças que compõe o xadrez humano.
Sempre tive predileção (para não dizer obsessão) pelo 3 e seus múltiplos, em especial o 9 . É uma relação sem qualquer explicação razoável, apenas uma intenção maior, totalmente intuitiva (vale lembrar que nasci em um 12 de abril do ano de 1964, que na somatória leva a 27 e a 9 na redução). Pois bem, deparo-me com eles a todo instante, atravessam meu caminho sempre que podem. É a mesa no restaurante, a espera no cartório, o número do prédio (quando me casei, fui morar no 1485 - 9 na redução - apto 81 - idem). Mas de um tempo pra cá a coisa tem se acentuado de tal forma que não dá pra deixar passar em branco. São tickets de teatro, lava rápido, estacionamento, operadoras de telefonia, laboratório (todos na imagem), que abraçam a teoria na medida em que convergem, em sua somatória e redução, para o misterioso 3/9. Claro que isso não acontece em 100% dos eventos - aí seria demais - mas o que vejo é uma tendência, fora da curva probabilístca regular, para que estes números se manifestem.
Foi o que ocorreu ontem no atendimento da Claro no Shopping Villa Lobos (o ticket está no canto baixo direito): senha 39 (somatória 12, redução 3), horário 21:03hs (6) em 7/5/2010 (somatória 15, redução 6). Indo além, AT (1+20) se reduz a 3. Todos somados, teremos 81, 9 por ele mesmo. Não é intrigante?
Esse cruzamento me fascina. Quando menos espero lá estão eles, acenando pra mim como se dissessem que, em algum ponto obscuro do universo, essa relação tem sentido. Enquanto não desvendo o mistério, trato de guardar os comprovantes que me levam à terra de Oz.

1 de maio de 2010

Tempo de refletir

Afastar-se-se da rotina, ainda que de maneira involuntária, é o primeiro passo para o processo de revisão e, por consequência, de reformulação. Práticas e posturas são avaliadas sob o espectro do tempo e do valor humano, centrados nas questões que habitam os recônditos de nosso ser: é mesmo essa a vida que quero? Sou feliz da maneira que a conduzo? Onde isso vai parar?

Foi meu amigo Bruno quem disse que se você não para, a vida te para. E para mesmo. A dengue foi um acaso, um erro de cálculo de um mosquito multívago que, inadvertidamente, se apropriou de um sangue de baixo valor protéico que corria pelas veias de um corpo quase sem imunidade. dadas as condições de vida que eu havia estabelecido para mim mesmo. Daí pra frente foi queda livre.


15 dias foram suficientes para sentir na pele os efeitos da 'mardita'. A experiência em si é péssima, óbvio, mas dela também se extrai algo positivo (como tudo na vida). No momento em que o ciclo começa a se fechar e a condição interna retoma seu ritmo normal, sem febre e dores, um novo horizonte vai se desenhando lá fora. Por que? Porque dentro do intervalo compulsoriamente concedido é possível rever o ritmo da vida e o fio que a conduz.


Não se trata de escolha, embora em algum momento deva ter existido essa possibilidade. Trata-se do turbilhão de tarefas que preenchem o dia a dia, do deixar-se levar pela louca presunção que tudo por ser feito no período. No começo, bem me lembro, deixava que as pendências do dia a dia preenchessem minha mente e, passo a passo, dentro das prioridades que se estabeleciam, ia resolvendo. Depois, ante o acúmulo de tantas tarefas, passei a organizá-las no papel, depois no outlook, dando baixa a medida em que cada uma ia sendo realizada. Surgiram então dois problemas: o menor deles dizia respeito a imensa lista de atividades profissionais e pessoais que tomava o espaço do outlook; o outro, o estado de irritação e ansiedade diante da incapacidade de administrá-las. Quanto mais itens eu baixava, mais itens surgiam, tornando a lista uma interminável pendência de vida a tomar o tempo sem efetividade. Não dava mais, passei a registrar os itens e, ao mesmo tempo, ignorá-los. Então pra que fazer tudo isso?


Pausa. 15 dias. Análise. Renovação. Visões. Ritmo. Palavra chave: desacelerar!

O mais óbvio, e que na maior parte do tempo insistimos em não enxergar. é que a atribuição total de tarefas simplesmente não cabe no espaço de tempo que determinamos. Querer resolver tudo que está pendente e se irritar a cada olhar para lista diante do que ainda é preciso fazer é, antes de organização, um atestado de incompetência. Não no sentido de não saber fazer, mas no plano administrativo. É como querer ganhar uma guerra, que normalmente dura anos, em dias!






Ordenar e manter o ritmo adequado a necessidade, este é o segredo. Não se cobrar ao extremo, posando de super herói e zerando todas as atividades, até porque isso não vai acontecer. O que decorre dessa situação é que, diante da irritabildade em deixar questões em aberto, acelera-se o processo e faz com que a vida esteja limitada a um acúmulo de funções. A paisagem, as relações, os elementos, a sensibildade e o prazer passam ao largo, figurando como acessórios. Não é à toa que tanta gente que já alcançou um patamar financeiro acima do considerado estável simplesmente não consegue usufruir...






A maneira mais simples de resolver a questão é desacelerando. O mundo não vai acabar porque a proposta que tinha que ser entregue na terça ficou para quarta ou o texto demorou mais do que o previsto para sair. Mito. Quando ligamos o piloto automático e fazemos tudo na inércia, não só nos sentimos frustrados por não completar a lista de tarefas, mas passamos por cima de tudo sem alma e coração, mal se lembrando em que condições o que tinha que ser feito foi feito. E daí? Valeu a pena? Não basta alcançar ao destino, é preciso apreciar a paisagem que se encontra no caminho!






É fundamental ter disciplina para iniciar e principalmente dar continuidade ao processo. De que maneira? Focando a mente e controlando a respiração, cruzando os dois movimentos para obter o melhor dos resultados. Foque sua atenção na respiração e você sempre viverá o momento presente, não haverá interferência de qualquer espécie. O ritmo é mais cadenciado, mas a satisfação que isso lhe traz é fora do comum. Posso afirmar que a alegria de viver volta da maneira mais enfática!






Em uma semana, velhos hábitos foram ficando para trás: acelerar no amarelo para passar o farol, trocar as memórias do rádio a cada minuto, resumir conversas por ter outras coisas "mais importantes" a fazer, sentar-se diante do computador com a obrigação de escrever. Correr, correr, correr e no final chegar no mesmo lugar, exausto, cansado, estressado. Over!






Posso afirmar que o ritmo dessa semana que passou foi diferente e que os resultados apareceram de outra maneira: mais leves, soltos, mas ao mesmo tempo mais contundentes. Há mais energia circulando, há mais vibração. Durmo menos, acordo mais disposto. E encaro a vida numa boa, não com a obrigação de fazer história, mas com o prazer que ela merece. Afinal, como diz meu amigo Ricardo do Viver é pura magia:






'VIVER É PURA MAGIA'!



Encontre a frequência correta e faça da sua vida um acúmulo de prazeres, não de obrigações. Elas existem, claro, mas é a mistura desses elementos que garante a sua felicidade.

Uma ótima semana a todos!