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25 de fevereiro de 2010

Heróis anônimos: Orlando Silva

Ele carrega no nome a herança do cantor das multidões (e eu, burro, esqueci de perguntar se era mesmo uma homenagem). Nascido Orlando Silva de Souza em 1968, na distante Formosa do Oeste - município paranaense de pouco mais de 7.000 habitantes, segundo o censo de 2004 - veio para São Paulo aos 4 anos de idade. Fez de tudo um pouco: trabalhou como pintor, gesseiro e garçom, profissão que que lhe rendeu um lugar de destaque, até o ano passado, no La Casserole, um dos mais tradicionais restaurantes de São Paulo.
Conosco, no escritório, Orlando está há 5 anos. É ele quem cuida da limpeza e organização diária do local, conferindo um toque de classe por onde passa. Além disso, dispõe de um traço pouco comum à maioria das pessoas: a gentileza. Interessante notar o poder de adaptação que determinados indivíduos possuem quando se trata de interagir com o ambiente que os cerca, não apenas porque constroem, no processo, um canal comum, mas porque são dotados da capacidade de ver a vida em perspectiva, como um espelho, onde o outro nada mais é do que um reflexo de si mesmo. Assim colhemos os frutos de uma vida em sociedade com respeito, dignidade e amor, seja lá qual for a religião, perfil econômico ou sexo. Aliás, isso não faz a menor diferença...

6 de dezembro de 2009

Heróis Anônimos: Patricia Polli

A habilidade em modificar o ambiente confere ao homem, em sua sina perversa, o poder cego que ultrapassa as barreiras da sanidade. Destruir o meio em que vive em troca de recursos outros de maior valor no mercado de consumo, leva ao desgaste irreparável da Mãe Natureza e de seus elementos, na prática que encerra, a médio prazo, a realidade do esgotamento.
Há, felizmente, quem trabalhe no caminho inverso.

Nascida em Jundiaí ('japiense', como ela mesma se define), Paty é uma incansável batalhadora pela preservação da Serra do Japi e sua biosfera. O Japi é uma cadeia montahosa que se divide entre os municípios de Jundiaí, Cajamar, Pirapora do Bom Jesus e Cabreúva e representa uma das últimas porções de Mata Atlântica no estado de São Paulo. "O que aprendo, do ponto de vista científico, procuro transmitir em linguagem acessível, através de um conto ou de uma poesia", diz ela, e que o faz com maestria em seu Blog Ecos do Japi, em textos líricos que traduzem a essência de sua ligação com a natureza.
Formada em gestão ambiental, Paty desenvolve seu trabalho de monitoramento e educação na reserva do japi há dez anos, levando grupos pelas encantadoras trilhas da serra que conhece tão bem. Também faz parte do conselho de gestão do território da serra do Japi, que tem por objetivo avaliar pedidos de novos empreendimentos ou atividades na região. E indo além, presta consultoria ambiental para empresas que desejam se instalar na região - regularização e licenciamento, gerenciamento de resíduos e sistemas de tratamento - criando assim o equilíbrio natureza x desenvolvimento que este planeta tanto precisa.

Paty, as borboletas, cachoeiras, esquilos e tantos outros filhotes da fauna e flora do Japi agradecem. E nós, que vemos destruição onde a mão do homem alcança, também. Esse mundo precisa de mais heroínas como você!

1 de novembro de 2009

Heróis Anônimos: Ricardo Calmon



“A natureza sempre profundo me tocou, a ela a vida devo, com a água contato, em fechadas matas entrar até hoje, cachoeiras, rios, igarapés, lagos, praias, tudo da natureza seduzia e consolava, sempre refúgio meu foi, da solidão,do medo de porrada levar,do desamor,da tristeza,da depressão infantil aterradora por sofrer sem saber o que foi que fiz,sentimentos que sempre inundaram minha alma,pois parte fazem do meu corpo,de ser meu,da alma minha viva”. (R.C.)

Ricardo André Calmon nasceu em Manaus, na madrugada de 12 de novembro de 1946. Sua trajetória ao longo destes quase 63 anos é marcada por lições de amor, coragem e apego à vida, com passagens que vão do lirismo à tragédia. É por isso que tenho a honra de incluí-lo entre os heróis anônimos que fazem parte deste projeto.

Filho de mãe paulista, de Guaratinguetá, e pai capixaba (médico que a residência deslocou para Manaus a fim de atuar como cirurgião chefe e obstetra da Beneficência Portuguesa), Ricardo teve a infância traumática caracterizada por problemas físicos e a rejeição de seus pais. De pés curvos e fechados, que lhe permitia apoiar apenas o calcanhar e a ponta dos dedos no chão, tinha enorme dificuldade em caminhar, além de uma curvatura na coluna que o obrigava a usar colete de pano e espartilhos (não é preciso dizer que por conta disso era alvo de chacota e até de agressões por parte de seus colegas de escola). À época, diversos especialistas recomendaram intervenção cirúrgica para corrigir o problema, mas seu pai pareceu não se importar (até hoje, Ricardo calça 35/36). Ao contrário, o obrigava a ir a pé para a escola no período da manhã, enquanto seus irmãos estudavam à tarde e iam de carro com ele. Ricardo chegou a fraturar os calcanhares por 11 vezes.

Desde pequeno, hiperativo e elétrico, costumava cantarolar ao longo do dia, irritando pai e mãe que proibiam o uso de vitrola ou rádio em casa. Essa veia criativa e a inquietação natural fizeram com que sua mãe colocasse gotas de vinho do Porto na mamadeira para que fosse possível fazê-lo dormir, o que acabou por criar vínculo com as medicações, sem as quais Ricardo não conseguia dormir até por volta dos 40 anos. Quando comparecia às missas da capela hospitalar, sempre que o padre passava com o incensário, era comum sentir-se tonto, ficar roxo e desmaiar. Sua mãe, aos berros, o chamava de filho do demônio com o capeta e era comum apanhar em casa depois dessas situações, causando cicatrizes não apenas físicas, mas principalmente emocionais.

Foi ainda menino que Ricardo criou seu amigo imaginário, o indiozinho Peri, habitante da mata que passou a ser seu companheiro de aventura pelos rios e igarapés, além de tornar-se seu protetor e confidente (me lembra muito Calvin e seu amigo tigre, Haroldo). Foi a ele a quem Ricardo recorreu quando, triste por deixar sua terra natal e suas histórias, soube que a família se mudaria para o Rio de Janeiro, o pai eleito deputado federal.

Uma vez mais, Ricardo foi hostilizado pelos colegas de escola: seringueiro, bicho do mato amazônico e tantas outras provocações que invarialvelmente acabavam em briga. Seu mau desempenho em matemática fez com que fosse reprovado por 5 vezes na primeira série, o que lhe custou novamente surras e até colherada de pau na cabeça (!). veio então sua tentativa de suicídio: a mãe (hoje com 85 anos e com quem ele não fala há 22) achou por bem contar à namorada, por quem Ricardo havia se apaixonado, que ela estava se relacionando com um maluco. Ricardo desceu à praia, acendeu uma vela na areia e, ao voltar, a família reunida em torno da TV, fechou-se na cozinha para cortar os pulsos, ligar o gás do fogão e enfiar a cabeça no forno. Salvo, permaneceu em como durante 3 dias, sendo depois internado em uma clínica psiquiátrica para tratamento a base de eletrochoques. Ficou seis meses sem pronunciar uma única palavra.

Recuperado, teve seu primeiro emprego como contínuo na Cia. Estanífera do Brasil, servindo cafezinho. E daí em diante desenvolveu carreira na área de comunicações, passando por TVs e agências de publicidade, produzindo diversos programas (incluindo o primeiro programa sobre automobilismo para a TV brasileira, o 'Grand Prix') e tornando-se mestre em TV educativa (na Alemanha), além de professor de planejamento de propaganda e marketing na UFF fluminense. Na prática, superou toda e qualquer expectativa de quem via nele um ser desqualificado e sem qualquer pespectiva.

Ricardo costuma dizer que deu a volta por cima depois dos 50 anos. “Foi quando a vida descobri e soube que Quasímodo não era!”, diz ele. Casou-se com a professora Regina Victória, com quem teve os filhos Ana Paula, Mariana e Wilson. Hoje é avô da linda Luana e blogueiro de mão cheia, expondo suas ideais através do 'Viver é pura magia' , onde exalta a importância de valorizar os aspectos do bem e da vida, irmanando seus amigos e leitores na busca de um mundo melhor sem as fronteiras de raça, credo, países e continentes com as quais estamos acostumados. Foi por estas andanças pelo mundo virtual que o conheci, adorei sua forma de se expressar e principalmente o conteúdo que ele é capaz de gerar. Ricardo é um exemplo de superação e vitória, de quem já teve a vida presa por um fio e que por isso mesmo batalha em favor dela. Sua luta foi, é e sempre será para que o bem prevaleça.
Vida longa ao Ricardo e seu Viver é pura magia!

4 de outubro de 2009

Heróis Anônimos: Rodrigo Yoshida

É com grande prazer que este blog inaugura a tag ‘Heróis Anônimos’. Trata-se de um espaço destinado aos batalhadores do dia a dia que procuram externar, através de suas atitudes ou pensamentos, o verdadeiro valor e sentido da vida. É preciso fazer valer a pena!

Rodrigo Yoshida. 28 anos, casado há 5, analista de marketing do Banco Itaú. Há 10 anos tem como companheira uma cadeira de rodas, fruto de um acidente com moto que o deixou paraplégico. Não ia a mais do que 30km/h quando um carro o atingiu e ele, ao cair, prensou o capacete junto ao pneu de um carro estacionado, fatalidade que fez com que apenas a coluna se deslocasse e sofresse fratura. Naquele momento, relata ele, percebeu que alguma coisa mais grave se passava: “Quando me dei conta, vendo meu corpo virado para um lado e as pernas para outro, sem poder movimentá-las, entendi o que tinha acontecido . Mas fiquei aliviado, em parte, quando percebi que podia movimentar os braços”.


De lá para cá, adaptou sua rotina entre o trabalho e os estudos (é formado em administração de empresas) sempre de maneira objetiva e com muito bom humor. Quando pergunto se nesses anos todos não houve nenhum momento em que pensou desistir de tudo, ele responde com convicção: “Sim, durante os 2 segundos em que percebi que podia estar tetraplégico e preso a uma cama para sempre. Quando mexi os braços, mesmo sem a devida sensibilidade, vi que a história seria outra e a partir daquele momento teria que fazer minha opção dentro da vida que estaria destinado a levar: vivê-la em angústia, pelas limitações naturais que eu teria, ou aprender a ver o lado positivo de tudo isso. Foi o que eu fiz”. A velha história entre encarar o copo com água até a metade como meio cheio ou meio vazio. Cada um faz a sua opção!

Creio que foi isso que chamou minha atenção em relação ao Rodrigo. Nos cruzamos poucas vezes, é verdade, mas em todas ele sempre se saía com um comentário engraçado ou uma piadinha. No aniversário do Bruno, quando recusou a cerveja que o garçom insistia em colocar em seu copo, respondeu “Para, desse jeito você acaba me deixando bêbado. Já não tô nem sentindo minhas pernas...”


Isso é lição de vida. Por onde passa, Rodrigo deixa um rastro de luminosidade, mesmo sem perceber, e que faz dele um exemplo pra tanta gente que reclama de barriga cheia. Um mundo melhor se faz com melhores pessoas e melhores atitudes, um viva a estes Heróis Anônimos!

17 de setembro de 2009

Heróis anônimos

O Blog do Mensageiro inaugurará, em breve, o tag 'Heróis anônimos'. Trata-se de espaço dedicado àqueles que, no silêncio e na simplicidade, contribuem para um dia a dia melhor dos que estão ao seu redor através de atos, gestos e sorrisos. Um mundo melhor se faz com pessoas melhores e melhores atitudes!

Sugestões serão muito bem vindas e podem ser encaminhadas para andrecharak@uol.com.br com foto e uma pequena biografia!



Crédito da foto: Picto Brand