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24 de junho de 2021

 


MENSAGEM D'ELE



Galera da Terra,

Hoje acordei meio irado, sei lá. Fiquei pensando se realmente valeu a pena a criação de vocês aí embaixo, nesse pedacinho do universo que eu, em toda minha misericórdia, emprestei a vocês. Na melhor das intenções, claro. Aliás, nunca é demais lembrá-los, vocês são hóspedes desse espaço, condição permanente de quem se encontra apenas de passagem. E, como tal, deveriam ter mais respeito com quem lhes dá abrigo. Engraçado isso, não? Porque quando vejo vocês comendo em seus sofisticados restaurantes, por exemplo, não os vejo cuspindo no chão, atirando a comida no garçom ou limpando a boca na toalha. E a educação parece que para por aí. Porque quando se trata de respeitar vosso anfitrião, o 'pálido ponto azul' chamado Terra, a atitude é outra. Exploração em nome do lucro, essa é a máxima, não importa que o efeito seja destruidor. Árvores? Pra quê? Vocês não são tão burros como parecem, eu sei. Claro que sabem o que seus atos causam, só não se preocupam com eles porque também sabem que os reflexos só vão aparecer lá na frente, quando as gerações futuras terão que pagar o preço. Hello! O futuro já chegou, vocês fazem parte da geração que arca com os danos. Não deu pra perceber ainda? Esse seu anfitrião anda dando suas chacoalhadas. Sabe picada de pernilongo? Aquela coisa chata que começa a coçar e você se irrita, coça, resmunga, enfim... Reage! Pois não lhes parece óbvio que a Terra faça o mesmo? Vocês a maltratam, violam, esgotam seus recursos e querem que ela cruze os braços. O problema, mortais, é que a reação do planeta é proporcional ao seu tamanho, o que significa dizer que uma coçadinha na picada equivale a um tsunami. Aí, como é de se esperar, paga com a vida quem não tem nada a ver com a história. 

Bom, vou ficando por aqui porque acordei cedo e essa conversa me dá uma preguiça danada. Mas fica aqui meu recado: a hora que essa mãe se encher o saco e virar aquela porrada, não vai sobrar ninguém pra contar a história. Tá na hora de vocês pensarem na mãe com um pouco mais de carinho, antes que seja tarde. Depois não adianta chorar, não vale dizer que eu não avisei...

PS.: eu demoro pra pegar no sono. Por isso peço encarecidamente que, ao menos pelos próximos 30 dias, parem de ficar me pedindo coisas!




20 de maio de 2009

O poder da religião


Diz a sabedoria popular que futebol, religião e política não se discutem. Tampouco vou me dar ao trabalho de fazê-lo, acredito que dentro destes 3 campos cada um tenha suas próprias crenças e, via de regra, as defenda com unhas e dentes, quase que cegado por suas convicções. O que farei aqui será simplesmente expor as minhas.

O caráter religioso - e vou me ater aqui aos povos do livro, judeus e cristãos; embora tenha grande apreço pelas filosofias orientais, não me sinto apto a incluí-las nestes comentários - pode ser dissecado de duas maneiras, lembrando que não estamos falando de um tratado filosófico nem de um estudo em profundidade, mas simplesmente das impressões de quem há anos convive com isso:


1. O caminho da fé, que desenvolve um mecanismo interno onde o sentimento de pertencer, coletivamente falando, é acionado.


2. O caminho da doutrina, que subjulga a essência da fé e do divino aos interesses humanos.



Olhemos pelo primeiro aspecto. Minha amiga Priscilla postou há questão de algumas horas em seu blog, olhos verdes, 'Deus, pastor dos homens', onde usa como referência o Salmo 22 e o poder mágico que este exerce sobre o espírito. Aquieta a alma, eleva a vibração, cria a perspectiva de luz onde ela não existe! Eis aqui um exemplo claro do serviço que a religião deve prestar ao homem (nunca ao contrário). Nas palavras da própria Priscilla: "Se não fosse pelo amor e pela fé, o que moveria todos os dias as pessoas aos seus trabalhos e desafios a vencer?" - Divino! Criamos nestes movimentos nossa conexão com a essência através da fé, da oração, do sentimento que se abre em busca de algo maior e que não precisa, necessariamente, estar contextualizado em nenhuma religião. Vale para todos: judeus, cristãos, muçulmanos, budistas, taoístas, masoquistas e quantos istas sejam necessários para se irmanar e criar esta conexão, sem se sobrepor ou sem tirar do indivíduo sua capacidade de discernimento. A partir do momento em que isso ocorre... Bem, é aí que as coisas se complicam. Por tabela, caímos no segundo aspecto.


A religião, na medida em que se afasta do tênue fio de esperança que representa o encontro do homem com Deus e que em última instância resultou em sua criação, não vai além de controle e manipulação, como se houvesse sido criada com este propósito. São homens subjulgando homens em nome de uma causa maior, que na prática perdeu sua razão de ser. A não ser que vislumbremos como correto padre que excomunga médico que faz aborto em menina de 12 anos, maquininhas de cartão de crédito que correm por entre fiéis para arrecadação de dinheiro (depois a bispa Sônia manda um postal de Miami!) ou judeus ortodoxos que tiveram que ser arrastados de suas casas construídas em território ocupado (leia-se palestino) quando o exército de Israel retirou-os à força, já que depender da boa vontade deles para dividir espaço com outros seres humanos, que não judeus, dentro de um território que por 'intervenção divina' é exclusivamente deles (ou nosso, já que circuncisado fui aos 7 dias ou algo assim, não me lembro mais), é algo impensável. E assim caminha a humanidade: eles te dizem o que fazer e o que não fazer, te dão obrigações e responsabilidades e pasmem, com tudo isso você ainda corre o risco de não ir para o céu. Os pressupostos do item 1 se foram. A essência, é óbvio, se perdeu.



Aqui, trecho do mensageiro onde Abel (eu te amo, cara, você é meu herói!) expõe a questão ao entrar em embate com um padre:



– Espere um momento – o padre Eliseu interveio. – Acho que temos questões mais preemente a resolver. Esse homem se intitula descendente de Jesus Cristo, um verdadeiro ultraje à religião!
– E por que, padre? – Abel o desafiou. – Porque a religião reconhece neste homem o espírito divino, porém nega sua condição humana? Cria a simbologia capaz de atrelar milhões à causa, sem deixar transparecer a verdade?
– Cuidado, meu rapaz, você está indo longe demais.
– Por questionar o papel da religião? Por ver nela um instrumento de controle que preserva suas “verdades”, que estabelece seus códigos e conjuga o poder? Ou o senhor vai me dizer que a Igreja não se prestou a este papel através dos séculos?
– Herege!
– Ora, padre, não sejamos hipócritas! Não posso negar que há um comprometimento espiritual neste caminho, principalmente daqueles que abraçam a fé com abnegação, mas é ingenuidade pensar no papel meramente religioso da Igreja. Ou o senhor acredita, por exemplo, que o espírito que incitou as cruzadas e a retomada da Terra Santa das mãos dos “infiéis” muçulmanos era apenas religioso? Os cavaleiros francos precisavam de ação para bancar suas fileiras e uma jornada ao santo sepulcro abria esta possibilidade, novas conquistas e principalmente novas propriedades. O senhor entende o que quero dizer, não? Suas riquezas aumentariam, e o que era mais importante, sem colocar em risco as da Igreja. Não sejamos ingênuos, padre, a religião sempre teve seus interesses.
– Se o senhor insistir em denegrir...

– Não se trata de denegrir – Abel interrompeu com a voz firme – mas de se fazer enxergar. A manipulação não é privilégio exclusivo da sua religião, padre. Todas, em maior ou menor grau, se afiguram como meio de disseminar o medo e manter o controle. Há uma certa validade, como eu disse, pois de alguma maneira estabelecem relação com o que é divino. Mas a verdade é que se perderam no tempo, cederam aos apelos dos mais poderosos. A quem Cristo incomodava ao criticar os preceitos de sua época, senão aos sacerdotes do templo? Não foram eles que apelaram aos romanos?
– O senhor está colocando em xeque o trabalho de Nosso Senhor? Seus ensinamentos?
– Claro que não, padre. Não questiono o papel de Jesus, mas sim o uso que se fez dele. Jesus foi um mensageiro enviado a este planeta para trabalho similar ao meu, apenas sob diferentes condições. A deturpação de sua obra é o que mantém o homem sob controle e afastado da verdade. A religião, senhoras e senhores, não atende a outros interesses que não aos do próprio homem!



Fim de papo. Sou torcedor do tricolor paulista de coração, quero mandar tudo que é político pra fogueira (podem me chamar de Torquemada que será um prazer) e essa é minha visão do quanto a essência religiosa foi deturpada. Em meu íntimo rezo, prezo e apelo. Não como judeu de origem, mas como um cidadão do universo em busca de melhores dias para todos que estão à minha volta, sem olhos para raça, credo ou cor. E como diria o grande e não menos amável Ricardo Calmon, VIVER É PURA MAGIA!



Crédito da imagem: Rob Brocoli ( o cara deve ser vegetariano)