Foto: Terra
15 de janeiro de 2011
CATÁSTROFE NO RIO: EPICENTRO EM BRASÍLIA
Foto: Terra
19 de dezembro de 2010
Um país em desequilíbrio
Dizer que o Brasil é um país de contrastes não revela nenhuma novidade. Do clima árido da caatinga à geada catarinense, das belas praias nordestinas aos platôs do meio oeste, dos abismos que insistem em dividir ricos e pobres, por mais que o governo Lula tenha integrado à sociedade boa parte da camada miserável que por trás dela se escondia. Exemplos existem aos montes, mas nada fala mais alto do que a linha divisória que existe entre o homem público e o privado.
O congresso acaba de aprovar um aumento de 62% para deputados e senadores que eleva o salário da categoria para R$ 26 mil ao mês, sem levar em conta os extras como auxílio moradia, passagens aéreas, gasolina e motoristas, verba indenizatória e o diabo a quatro, totalizando a bagatela de quase R$ 1 milhão ao ano por safado. Sim, é isso que custa um parlamentar em um país em que ainda há fome, déficit habitacional, sisitema de saúde miserável, educação pífia e falta de saneamento básico (em Manaus, onde se pretende construir um estádio para abrigar a copa, pouco mais da metade da população tem acesso à rede de esgoto). Se estivesse vivo, Renato Russo insistiria em cantar seu famoso refrão 'Que país é esse?', que ecoa sem trégua na minha cabeça quando me deparo com abusos como esse. Dou passagem então aos Titãs e seu 'Bandido, corrupto, ladrão, filho da puta!' - porque não há outro sentimento capaz de tomar corpo ante tal acinte. E algum deles ainda se saiu com aquela que diz que se político ganhar bem não precisa roubar, outro tiro na cara do contribuinte. O que temos, na verdade, é um bando de pilantras que legisla em causa própria e se vê acima de qualquer preceito social que exige equilíbrio, bom senso e ação. Não é possível imaginar que um país do terceiro mundo, como somos, tenha políticos mais bem pagos que o Japão, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra. Simplesmente não temos cacife para isso.
Bastilha neles...
2 de novembro de 2010
A hora e a vez de Dilma Rouseff
Reza o conceito democrático que metade mais um dos votos válidos de uma eleição, habitualmente conhecido como maioria simples, confere ao candidato escolhido a condição de vencedor. Mais do que consensual, o método é matemático e vale como regra, já que não há outra forma de estabelecer um referencial quando se trata de alçar um cidadão comum a um cargo público, principalmente quando se trata da presidência da República. Dilma Rouseff venceu sim, mas não com esmagadora maioria dos votos, o que limita a questão do consenso. Em uma eleição marcada por difamações, cinismo e troca de farpas, a história registra mais uma vez a derrota do candidato Serra, desta feita para aquela que será a primeira presidente mulher deste país.18 de outubro de 2010
TROPA DE ELITE 2: O INIMIGO AGORA É OUTRO
16 de outubro de 2010
Ou o Brasil acaba com a saúva ou...
13 de agosto de 2010
Do público ao privado
20 de março de 2010
Escrúpulo? Só se for no Aurélio...

10 de dezembro de 2009
Sucessão de erros

É da natureza humana a dificuldade em lidar com a morte. Quando ela atinge crianças, então, o assunto ganha contornos que escapam à compreensão e questionam os desígnios divinos em busca de explicações, ainda que sem sentido, que justifiquem a ceifa. Migramos da letargia ao ceticismo, cobertos de dúvidas quanto à própria existência. Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Por que tão cedo? Mergulhamos em questões embriagados pelo drama da vida, rompendo de vez a barreira que nos transporta ao irracional. É o sentimento de revolta que assume o comando porque sabe que, não fosse pelo casuísmo que toma conta deste país, tragédias como a desta semana poderiam ser evitadas.
Na última terça-feira, depois das fortes chuvas que abalaram a cidade de São Paulo, seis mortes foram registradas. Quatro irmãos, entre eles três crianças (duas de 7 e uma de 9 anos), morreram sob a terra que engoliu o barraco em que dormiam. Para quem ainda carrega um pouco de sensibilidade, a reação é de tristeza e de consternação, pensando nos pais que terão a árdua tarefa de enterrar quatro filhos. Dois ou três dias depois esqueceremos o fardo que este casal carregará para o resto da vida, se ainda tiver disposição para olhar de frente para ela. O que vejo, em meio a tragédia, é uma sucessão de erros que deixa qualquer cidadão indignado.
Essa família não morava em uma zona de risco de deslizamento por espontânea vontade. Morava, com conhecimento de causa ou não, porque não há qualquer movimento do estado no sentido de impedir que estas áreas sejam habitadas. E por que? Porque o estado vai tirá-los de lá e levá-los para onde? Se interferir na questão terá também a responsabilidade de solucioná-la, o que não se encontra em condições de fazer (vale lembrar que boa parte das mazelas sociais e econômicas são foco da iniciativa privada, que através de ONGs e obras assistenciais desempenham o papel que caberia ao estado). O poder econômico é cruel e não cabe a mim questioná-lo, diferenças sempre haverão de criar desequilíbrios dentro de uma sociedade, uns com mais, outros com menos. É natural que seja assim e que cada um batalhe por seu espaço, lutando com dignidade para alcançar outro patamar. O estado, neste contexto, tem a responsabilidade de regular diferenças e criar condições para que as classes menos favorecidas progridam através de políticas de desenvolvimento, a maioria delas (se não todas) bancadas pelos otários como nós que pagam seus impostos em dia. Os erros começam na arrecadação e terminam em tragédia.
Conheço empresas que propositadamente não recolhem ICMs e, quando vão à juízo, já tem todo o esquema comprado para deixar menos dinheiro nas mãos de juízes, fiscais e advogados do que se tivessem que recolhê-lo aos cofres públicos. Dos males o menor, dizem, ainda que sob risco de serem flagrados, o que em mais de dez anos de esquema nunca aconteceu. Para onde vai o dinheiro? Para o bolso dos corruptos. E camelô, recolhe imposto? Claro que não, mas paga uma grana para manter polícia e fiscalização o mais longe possível de seus domínios. Para onde vai o dinheiro? Para o bolso dos corruptos. Brasília e o escândalo do mensalinho: só veio à tona porque um dos gatunos foi precavido e não quis pagar o pato sozinho. Ou vamos ser ingênuos a ponto de não acreditar que a mesma coisa rola em SP, BH, RJ, RS e pelo país afora? Mas é óbvio! Ninguém tá nem aí com o que vai acontecer com o Zé Povinho que mora em áreas de deslizamento, se é a mãe, o pai, o filho ou o espírito santo que vai dessa pra melhor. Mas sequestre o filho de um deputado pra ver o que acontece, é capaz de até a Interpol estar no seu encalço.
É preciso coragem para mudar. Enquanto as raposas tiverem a chave do galinheiro, a dignidade passará longe da farra e a cidade, infelizmente, seguirá enterrando suas crianças. Que futuro pode se esperar de uma sociedade que não sabe preservar seus próprios filhos?
22 de novembro de 2009
No país do pau brasil

29 de outubro de 2009
Produtividade x Assistencialismo
Que vivemos em um país marcado por abismos sociais e incongruências políticas não é nenhuma novidade. Que o país precisa, isto posto, de gente honesta que arregace as mangas e trabalhe no sentido de corrigir estas distorções, criando um padrão de sustentabilidade econômica baseado em potencial produtivo, também. Uma nação economicamente viável e pujante só se desenvolve quando a roda econômica gira com os recursos que ela mesma produz através do capital humano, alicerçado sobre investimentos, políticas de longo prazo e visão extemporânea. Costuma-se chamar a isso de produtividade, a mola mestra que gera riqueza e evolução. 28 de agosto de 2009
O bolsa família e as eternas armadilhas do poder
Não sei dizer ao certo se foi meu senso crítico em relação à política que se tornou mais aguçado, de uns tempos pra cá, ou se foi a política que ganhou maior projeção ao alimentar personagens ainda mais escabrosos do que aqueles que já circulavam pelo meio no século passado. Provavelmente uma mescla de ambos, motivada pelo meu engajamento social e pela representatividade que o PT ganhou desde que Lula assumiu o poder, em 2003. Crédito da imagem: Leonardo Ramalho
5 de julho de 2009
A longa distância da lei ao bom senso

A verdade é que lei e bom senso nem sempre falam a mesma língua. Basta um político metido a besta inventar uma estupidez qualquer que vire projeto de lei, seja aprovada pela maioria da câmara e pronto, o estrago está feito, seja em Brasília ou em Bom Jesus dos Perdões. O que ocorre, via de regra, é que estas invenções, motivadas por ideais oportunistas que em nada contribuem para o desenvolvimento social e econômico de uma comunidade, privilegia bolsos de pequenos grupos e dos próprios autores, destituídos de virtude ou ética. O CQC exibiu, na semana passada, matéria em Americana, interior de SP, em que duas ruas foram literalmente vendidas para uma empresa textil, se não me engano, em troca de uma ambulância, reforma de creche e otras cositas mas que é dever e responsabilidade do estado providenciar. Ora, as ruas foram fechadas e a comunidade local se revoltou porque simplesmente deixou de transitar por espaços que até então lhes eram convenientes, tendo que dar voltas para chegar onde precisavam. Para piorar, as contrapartidas da empresa, que sequer haviam saído do papel, só começaram a andar pela presença da reportagem. Onde estava o bom senso dos veradores da cidade se sob sua tutela encontra-se, em teoria, o bem estar de seus cidadãos? Quanto esses caras não devem ter recebido por fora para aprovar tamanho absurdo?
Seguindo o tema, sem dissociá-lo da última palavra do parágrafo acima, pense na seguinte situação: você está feliz da vida, celebrando seu casamento ao lado da família e dos amigos. A bebida rola solta, a música comanda o ritmo, a aura de felicidade que toma conta do ambiente é indescritível. E então aparece um fiscal e lhe autua em flagrante. O delito: violação de direitos autorais, mais especificamente das músicas que tocavam ao fundo!
Parece piada de mau gosto, mas não é. O Ecad, sigla para escritório central de arrecadação e distribuição, é uma sociedade civil que "zela" pelos direitos das músicas que são executadas pelo país em locais ou eventos públicos. Se o orgão entender que o uso da música possui fins lucrativos... Tá ferrado. Foi o que ocorreu em um casamento em Vila Velha, ES, em uma modesta recepção no salão do sindicato dos panificadores que tocava hinos evangélicos. Nos anos 60, Charles de Gaulle, presidente da França, disse que o Brasil não era um país sério. E quase 50 anos depois a frase continua cheia de sentido.
É certo que a pirataria e os downloads via internet reduziram os ganhos do mercado fonográfico, mas daí a compensar a perda com ridicularidades como essa é reforçar as palavras de De Gaulle. Um orgão fiscalizador que cria suas próprias leis e as faz cumprí-las, dentro do que é de seu interesse, apenas aumenta a distância sobre a qual eu me referia. Lá se vai o bom senso... Haveria como justificar de outra maneira, por exemplo, a autuação de uma barbearia no centro de São Paulo, que deve pagar direitos autorais pelos últimos 9 anos em que a TV ficou ligada? No noticiário, disseram os donos. Vinhetas e chamadas também valem, disseram os fiscias. R$ 12 mil de prejuízo. Socorro, De Gaulle!
Em tempo: no mês passado, a assembléia legislativa de São Paulo publicou um relatório sobre a CPI que investigava o Ecad. Conclusões: falsidade ideológica, sonegação fiscal, apropriação indébita, enriquecimento ilícito, formação de quadrilha e abuso do poder econômico. Que moral! Será que os caras estão querendo concorrer com o congresso?
15 de junho de 2009
Batendo na mesma tecla 2

13 de junho de 2009
Batendo na mesma tecla...

30 de maio de 2009
Para ser bandido neste país, não é preciso assaltar um banco
Há alguns dias os bancos privados, em benefício daqueles que buscam o financiamento da casa própria, aumentaram os prazos e reduziram as taxas de juros do crédito imobiliário. O congresso nacional (minúscula neles!), motivado talvez por crise de ciúmes ou algum outro complexo que o obrigue a estar sempre na crista da onda, fez o mesmo em benefício dos para-lamentares de plantão que parasitam na casa: regulamentou (não lembra reguLAMENTÁVEL?) o auxílio moradia, que dá margem aos dito cujos que possuem imóveis em Brasília a adicionar a seus vencimentos R$ 3.800,00 como se esse dinheiro pudesse ser 'aplicado' como tal. Segundo o senador mão santa, que culpa esses para-lamentares tem se dispõe de imóveis na capital do ócio e da bonança? Eles tem que ter os mesmos direitos daqueles que recebem o auxílio. Ao inferno, mão santa, você e toda essa corja que não cansa de tirar uma com a nossa cara como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. 19 de maio de 2009
Chega de farra!

8 de abril de 2009
Queda da Bastilha

Para! Para tudo! Se os paladinos da justiça são tão corruptos quant0 aqueles para quem apontam o dedo... Sujou. Mais do que coragem e audácia, parece que se faz necessarária a ganância, a falta de hombridade, a certeza da impunidade e uma cara de pau sem tamanho para ser um p0lític0 neste país. E não apenas para satisfazer suas próprias demandas, mas para usufruir de um direito que não possuem, imunes ao sofrimento de tantos desfav0rec id0s espalhad0s p0r aí.
3 de abril de 2009
Comendo calabresa, arrotando caviar...

30 de março de 2009
Déficit de consciência

- Dois dos quatros filhos, além do pai e da mãe, possuem plano de saúde. Os outros dois, por questões de alocação de verba, não;
- Apenas um dos filhos vai à escola; os outros três, por questões de alocação de verba, não.
- Luz elétrica há no quarto do casal e em outro, onde três filhos dormem juntos. O caçula, por questões de alocação de verba, fica no escuro;
- Saneamento básico é um privilégio do casal. Os filhos, por questões de alocação de verba, usam um buraco no mato, atrás da casa, para suas necessidades (embora achem divertido)
- O pai destina parte da verba para divulgar seus negócios, em especial a destilaria . Gasta boa parte do orçamento em propaganda na TV, no rádio e na mídia impressa.
- Como se não bastasse, para deleite de esportistas e atores em geral (que não tem nada a ver com a história), aplica parte da verba no patrocínio de times de futebol, duplas de volei de praia e uma infinidade de espetáculos. A mulher, diante da situação da família, já abriu a boca pra reclamar. Mas como foi esculhambada, sem direito a voto, preferiu não tocar mais no assunto.
E aí você se pergunta: pqp, que pai desnaturado é esse?
Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Entenda-se por pai o governo federal (minúscula neles!), representado pelo presidente da república. A família? Cada um dos 190 milhões de habitantes deste país, privilegiados ou não. O fato é que o governo federal, de acordo com matéria publicada na Folha de São Paulo de hoje pelo jornalista Fernando Rodrigues, gastou cerca de R$ 2 bilhões entre publicidade e patrocínios em 2008, mais ou menos fifty-fifty. Segundo Rodrigues, a verba de patrocínios, que em 2004 era de R$ 500 milhões, duplicou! O bolo publicitário é maior do que os gastos da Unilever na área, um dos maiores fabricantes de produtos de consumo do planeta e que depende da publicidade para se diferenciar de seus concorrentes e gerar vendas. "Um estado forte", disse o magnânimo presidente.
Ora, senhor Lula, um estado forte se faz com pessoas fortes! Fortes no cárater, na saúde, na sabedoria. É assim que se constrói uma nação, não com o blábláblá de quem precisa dizer o que faz (tudo bem, uma verbinha de publicidade a gente até aceita), sobretudo às custas de R$ 2 bilhões de reais que, se investidos em outros setores prioritários, seguramente trariam mais benefícios.
A massa agradece.
26 de março de 2009
300 de Esparta? Não. 378 do congresso, da esplanada dos ministérios...


- O poder é viciado, corruptor e quase sempre inatingível. A lei nunca vale para todos. É um traço cultural arraigado e destrutivo, a maneira mais abominável de se fazer uso do poder.




