4 de outubro de 2009

Heróis Anônimos: Rodrigo Yoshida

É com grande prazer que este blog inaugura a tag ‘Heróis Anônimos’. Trata-se de um espaço destinado aos batalhadores do dia a dia que procuram externar, através de suas atitudes ou pensamentos, o verdadeiro valor e sentido da vida. É preciso fazer valer a pena!

Rodrigo Yoshida. 28 anos, casado há 5, analista de marketing do Banco Itaú. Há 10 anos tem como companheira uma cadeira de rodas, fruto de um acidente com moto que o deixou paraplégico. Não ia a mais do que 30km/h quando um carro o atingiu e ele, ao cair, prensou o capacete junto ao pneu de um carro estacionado, fatalidade que fez com que apenas a coluna se deslocasse e sofresse fratura. Naquele momento, relata ele, percebeu que alguma coisa mais grave se passava: “Quando me dei conta, vendo meu corpo virado para um lado e as pernas para outro, sem poder movimentá-las, entendi o que tinha acontecido . Mas fiquei aliviado, em parte, quando percebi que podia movimentar os braços”.


De lá para cá, adaptou sua rotina entre o trabalho e os estudos (é formado em administração de empresas) sempre de maneira objetiva e com muito bom humor. Quando pergunto se nesses anos todos não houve nenhum momento em que pensou desistir de tudo, ele responde com convicção: “Sim, durante os 2 segundos em que percebi que podia estar tetraplégico e preso a uma cama para sempre. Quando mexi os braços, mesmo sem a devida sensibilidade, vi que a história seria outra e a partir daquele momento teria que fazer minha opção dentro da vida que estaria destinado a levar: vivê-la em angústia, pelas limitações naturais que eu teria, ou aprender a ver o lado positivo de tudo isso. Foi o que eu fiz”. A velha história entre encarar o copo com água até a metade como meio cheio ou meio vazio. Cada um faz a sua opção!

Creio que foi isso que chamou minha atenção em relação ao Rodrigo. Nos cruzamos poucas vezes, é verdade, mas em todas ele sempre se saía com um comentário engraçado ou uma piadinha. No aniversário do Bruno, quando recusou a cerveja que o garçom insistia em colocar em seu copo, respondeu “Para, desse jeito você acaba me deixando bêbado. Já não tô nem sentindo minhas pernas...”


Isso é lição de vida. Por onde passa, Rodrigo deixa um rastro de luminosidade, mesmo sem perceber, e que faz dele um exemplo pra tanta gente que reclama de barriga cheia. Um mundo melhor se faz com melhores pessoas e melhores atitudes, um viva a estes Heróis Anônimos!

30 de setembro de 2009

Deus existe?

A frase invade minha mente e de imediato abro os olhos: 4hs49 da manhã, marca o celular ao lado da cama. Tenho a quarta-feira pela frente dentro de duas horas, penso, ao mesmo tempo em que viro para o lado em busca do sono. Segundos depois ela reverbera, como que sussurrada em meus ouvidos: 'Deus existe?'

Sento-me na cama. Que brincadeira é essa, afinal? Fecho os olhos a espera de alguma imagem que acompanhe o 'áudio' e o que vejo são manchas alaranjadas em torno de um sol límpido, nascente, que prepara terreno para mais um dia. Entendo a mensagem: é um 'Deus existe?' em forma de post. É chegada a hora de fazê-lo.

Deus não existe.

Ao menos esse Deus da doutrina judaico-cristã que fomos obrigados a aceitar como único e verdadeiro, o criador que castiga os ímpios e é, sobretudo, o instrumento de controle que permite a seus representantes na Terra manter o caminho do rebanho às cegas. 'Deus castiga', 'você não vai para o céu', 'isso é pecado' , dizem eles em meio a tantas outras objeções que tem por objetivo cercear a ação e atender aos anseios de uma minoria.

Estabelece a doutrina cristã que padres, por exemplo, não podem casar e ter filhos. Mas se a consagração do matrimônio é um dos pilares do cristianismo, a família, porque é que seus próprios representantes não podem fazê-lo? Que mal há em preservar a espécie humana - dádiva divina - dentro da estrutura religiosa? Ora, é sabido que desde os primórdios da idade média padres não se casavam simplesmente para evitar que as riquezas da igreja, a instituição mais poderosa e organizada da época, fossem divididas! Rabinos, por outro lado, conclamam à leitura da Torá, o livro sagrado do judaísmo, convidando membros da congregação para subir ao altar e a eles se juntar nas festas mais tradicionais. Ao mesmo tempo, é comum ouvir histórias sobre leilões que são realizados dentro das sinagogas para que os mais privilegiados subam ao altar para a leitura da Torá, contribuindo com uma 'módica' quantia em dinheiro. Religião, poder, dinheiro e Deus, na concepção do homem, sempre andaram lado a lado.

Que espécie de Deus é esse que se esconde por trás de interesses duvidosos e designa quem pode pelo poder da reprodução, assim como pelo poder do dinheiro? Esse é o Deus do homem, do Edir Macedo, do Michael Jackson e da Madonna. É o Deus baladeiro, que gosta de grana e de poder, e que nada tem a ver com a verdadeira essência divina. É, na prática, o reflexo do homem diante do espelho.

Deus, na minha visão, tem outro conceito. Deus é a energia maravilhosa que nos irmana, que nos faz pertencer ao mesmo plano, que nos faz alegre quando um de nós está alegre ou que nos torna solidários quando um de nós sofre. Deus é compaixão no sentido literal da palavra, é amor quando se abraça o todo, é o respeito constante que mantemos a nossa volta, seja para com nossos semelhantes, seja para com a mãe natureza e seus elementos. Deus é a essência, a chama divina que habita nossos corações e junta peça por peça em um quebra-cabeças infinito, sem que nenhuma delas seja a mais importante. Deus é pureza de espírito, liberdade e poesia, longe de ser 'faça isso' ou 'faça aquilo'. Deus é livre-arbítrio.

Essa é a verdade que não somos capazes de perceber porque ficamos presos aos dogmas que permeiam nossas tradições há séculos. Antes de esperar que "alguém" lá em cima faça rumo por nós, desabrochemos nossa semente divina e façamos valer nosso verdadeiro papel.

Nós somos Deus.

27 de setembro de 2009

Ecos do Japi




Patty, se me permite, tomo a liberdade de fazer uso do título do seu blog , o Ecos do Japi (sigam o link e boa viagem), para este post. Lá estive no último sábado em companhia dos amigos Haroldo e Priscilla para uma gostosa caminhada em meio à mata, acompanhado também da Rosana e dos pequenos notáveis incansáveis João Pedro e Luiza. Além, é claro, da nossa querida guia Patty 'Salerosa' em pessoa.

A Serra do Japi é uma cadeia montahosa que se divide entre os municípios de Jundiaí, Cajamar, Pirapora do Bom Jesus e Cabreúva. Foi declarada reserva da Biosfera pela Unesco e tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. "Um santuário", como diz a Patty em seu blog, que abriga natureza diversa e exuberante.
Recorro ao meu querido Abel Antunes, personagem de 'O último mensageiro', em uma de suas passagens à beira do rio com Marina, deslumbrada com a beleza do lugar em que se encontravam:



"– Que lugar maravilhoso é este?

À luz do dia, por entre o voar dos beija-flores e a passagem dos esquilos pelas árvores próximas ao rio, Marina estava fascinava com a beleza simples da Lumiar. Encontrara Abel recolhido junto à margem, exatamente no ponto mais alto antes da embocadura que levaria aos chalés.

– Já tomou seu café? – Ele perguntou.
– Saí de lá neste instante – ela apontou para a recepção. – Onde você estava?
– Fui dar uma volta, acabei de me acomodar aqui.

Na elevação em que se encontravam, podiam observar a parte mais larga do rio, embora fosse também a mais rasa, com pedras de tamanhos e formatos variados dispostas quase que em linha reta de uma margem à outra. A água circulava suavemente por entre elas em um esteio cristalino, sem muita velocidade.

– Não canso de vir para cá – Abel disse. – Abre meu espírito, me conecta com a natureza.
– Não é pra menos. Aqui dá pra esquecer da vida.
– Ao contrário, Marina. Aqui se resgata o verdadeiro valor da vida".

Eis aí o mesmo sentimento que me mobiliza em situações como essa: a simplicidade de estar conectado à natureza e seus elementos e o prazer de desfrutar da magia das pessoas, verdadeiro bálsamo para quem vive o dia a dia do concreto, da razão e do egocentrismo espalhado por todas as esferas. A alma agradece o privilégio!

Crédito da foto 'Borboletas':Priscilla P. Gutierrez

24 de setembro de 2009

Momentos

Lapsos de tempo ou oportunidades, átimos que se abrem com a chuva e saem em disparada embalados pelo vento. Olhares difusos. Multidão, solidão, traços em constante mutação.
Momentos! Essências, fragrâncias, visões e texturas cravados no segundo, no minuto ou no tempo que você achar necessário. Tome-o, ele é seu, faça bom uso. O passado enterrado está, o futuro a Deus pertence. O presente? A dádiva que a vida lhe deu, a magia de sorver cada momento como se fosse o último. Abrace-a! Radiolab traduziu o estalo no composto abaixo, um tributo a cada 'single special moment' que, como seres humanos, somos capazes de gerar e compartilhar. Esse é o seu momento, nada mais resta a fazer senão desfrutá-lo!

Crédito: Radiolab

21 de setembro de 2009

Smiling at Simple Special Spaces


Talvez nada seja mais representativo do que o sorriso. Expressão espontânea de rara felicidade, transborda alegria, cria, irmana e abastece. Faz crer que os pequenos gestos que propiciam situações como essa fazem a vida valer a pena. E nada melhor do que poder ver refletido no rosto de cada um a sensação de prazer que se traduz, em última instância, no simples estar juntos. Momentos, sorrisos...
Agradeço o privilégio e agrego mais essa vírgula ao rastro que vou deixando pelo planeta!

17 de setembro de 2009

Heróis anônimos

O Blog do Mensageiro inaugurará, em breve, o tag 'Heróis anônimos'. Trata-se de espaço dedicado àqueles que, no silêncio e na simplicidade, contribuem para um dia a dia melhor dos que estão ao seu redor através de atos, gestos e sorrisos. Um mundo melhor se faz com pessoas melhores e melhores atitudes!

Sugestões serão muito bem vindas e podem ser encaminhadas para andrecharak@uol.com.br com foto e uma pequena biografia!



Crédito da foto: Picto Brand

12 de setembro de 2009

Le dor va dor

Ou no original em hebraico, de geração em geração. Diz meu amigo Ricardo Calmon, incansável guerreiro, que 'viver é pura magia'. E é. Mas isso, meus amigos, não se diz impunemente, é preciso criar e treinar o olhar que encara a vida e seus desígnios sob essa ótica, sem se distanciar de valores que dizem respeito à troca e doação. No caso dele especificamente, um mestre no assunto, levou seus requisitos além, muito além do simples existir (Oscar Wilde escreveu 'viver é a coisa mais rara do mundo; a maioria das pessoas apenas existe') e fez valer a frase que dá título ao seu blog. Acredito que é apenas dessa maneira que a vida se torna uma grande dádiva, um exercício em que toda sorte de preciosidades trabalha a favor do fator humano, não como indivíduo que é, mas como elo de uma corrente imaginária e infinita que, quebrada qualquer ligação, leva o todo consigo.

Exemplos de bondade não nos faltam, assim como exemplos do simples existir. Quando a vida se torna uma corrida desenfreada em busca de segurança, traduzida no acúmulo de bens que criam a condição ilusória da 'salvação' e que passam a representar o foco de toda uma trajetória, a semente divina deixou de soprar, substituída pela simples existência. Quando deixamos de valorizar os pequenos sabores do dia a dia, simplesmente porque perdemos a sensibilidade para com eles, é chegado o momento de parar e refletir. Ninguém vive apenas das emoções, naturalmente; é necessário um trabalho árduo no dia a dia para garantir condições de subsistência e progresso, elevando-se padrões. Mas daí a ter essa estrada como única referência, ignorando as oportunidades que se apresentam em nossas vidas para fazer e receber o bem, seja através de um gesto, sorriso ou palavras, é entrar em terreno escorregadio e perigoso. Como diz minha amiga Cris Toth, 'um propósito materialista sem a perspectiva espiritual não sobrevive por muito tempo'. Parece que se encaixa com perfeição.

Esse é o meu olhar. Respeita os demais, entende sua natureza, mas pauta-se pela sua própria sensibilidade. É ele quem cria minha trajetória entre erros e acertos, glórias e derrotas, conquistas e decepções. Esse é o meu conceito de vida. Nunca deixei de sorrir para ela, assim como ela nunca deixou de sorrir para mim. Sou pai, sou filho, sou o acúmulo de meus registros e daquilo que procuro transmitir adiante. A palavra, quase sempre, é meu instrumento.

Dedico este post aos meus pais, responsáveis por parte daquilo que hoje sou, e minhas filhas, que me fazem acreditar, sempre, que o propósito maior é a base de toda educação, mesmo com o trabalhão que dá (rs). E ao velho e bom Ricardo, sem o qual viver ainda seria magia, mas não com a mesma qualidade.

Uma ótima semana para todos!


6 de setembro de 2009

Pinceladas


"Da vida. Em flores, tons e cores, texturas e amores. Na chuva, na benção, na alma. Temores. Luzes e palavras".

28 de agosto de 2009

O bolsa família e as eternas armadilhas do poder

Não sei dizer ao certo se foi meu senso crítico em relação à política que se tornou mais aguçado, de uns tempos pra cá, ou se foi a política que ganhou maior projeção ao alimentar personagens ainda mais escabrosos do que aqueles que já circulavam pelo meio no século passado. Provavelmente uma mescla de ambos, motivada pelo meu engajamento social e pela representatividade que o PT ganhou desde que Lula assumiu o poder, em 2003.

O idealismo (a palavra em si pressupõe um modelo perfeito de conduta) de nosso querido presidente, antes de assumir o poder, ajustava-se facilmente a qualquer partido oposicionista que via, no abismo social que tomava (e ainda toma) conta do país, a oportunidade para alçar-se ao poder. É o sistema de brechas: o marketeiro, por exemplo, encontra nos diferenciais do produto que cria, sejam eles imprescindíveis ou simplesmente fruto de sua estupidez, o vácuo necessário para entrar no mercado. Um pouco de publicidade e enganação e pronto, está feito. Na política não é diferente. Ao expor os contrates socias e a determinação em combatê-los, candidatos tornam-se paladinos da justiça em luta pela igualdade social (vale lembrar que, em política, a palavra de ordem não é justiça, mas sim interesse) e chegam ao mesmo vácuo, encontrando respaldo na população. O que todos, sem exceção, fazem depois de eleitos, sabemos, é uma outra história.




A trajetória de Lula é digna de louvor, como sempre pontuei. Sua determinação e o saco cheio da população em relação a políticos e partidos que prometiam mudanças e na prática pouco contribuiam, abriram o vácuo necessário para que o cargo máximo da república chegasse às sua mãos. Houve melhoras sim, principalmente no que diz respeito à inclusão social. Mas nosso 'querido líder' perdeu a chance histórica de mudar o sistema já tão viciado e dar início a uma nova era, como sempre propôs o partido. Caiu no mesmo erro que seus antecessores ao se equilibrar sobre os frágeis alicerces do interesse, em lugar da justiça, dando abrigo à falcatruas, alianças escusas e tantas outras ignomínias que só o poder é capaz de justificar. Ao mesmo tempo, garantiu munição de sobra a seus adversários: o escândalo dos atos secretos do senado e a saga Sarney serão exaustivamente explorados nas próximas eleições, assim como o encontro de Dilma e Lina, a absolvição de Palocci ou o inesquecível e inequívoco mensalão. Se tiverem efeito e encontrarem abrigo no povo, serão responsáveis por uma nova virada de poder e, uma vez mais, o início de um novo ciclo. Mas isso é o que menos importa. O que vale dizer, esteja quem estiver no comando, é que haverá sempre de ser consumido pelas eternas armadilhas do poder.




O vídeo abaixo ilustra com propriedade a prática. Nele, dois momentos de Lula: o primeiro na qualidade de presidente, defendendo com unhas e dentes o bolsa família e criticando os que a ela se opõe (chega a chamá-los de imbecis, termo pouco apropriado para um estadista); em outro, o Lula candidato, ainda sonhando com o poder, e que condenava qualquer forma de assistencialismo, comparável a Cabral e a distribuição de espelhos e bijouterias aos índios, em suas próprias palavras. Como diz o então candidato, uma manobra para manter as massas no lugar e angariar votos.
Será preciso dizer mais alguma coisa? Não é interessante perceber como uma simples opinião vira do avesso, tão rapidamente quanto o caminho do poder? Seja Lula, lagostim, camarão ou couve, brócolis ou mandioca. O processo é e será sempre o mesmo, recheado de manobras, desfaçatez, cinismo e descalabro. Aliados sem utilidade e com a capacidade de macular a imagem do partido ou a personificação do poder serão colocados à margem (Zé Dirceus, Silvinhos e Delúbios da vida), enquanto figuras insidiosas, antes adversárias, receberão o caloroso abraço como se nunca tivessem estado em lados opostos (Sarneys, Collors e Calheiros da mesma vida). No fundo, é tudo farinha do mesmo saco.




Encerro com uma frase pinçada do Blog do jornalista Adalberto Piotto: "E quando a inteligência - e honestidade intelectual - é atropelada pela esperteza, destrói-se biografias".







Crédito da imagem: Leonardo Ramalho

22 de agosto de 2009

A tal evolução humana

Se evoluir significa desenvolver, progredir, avançar, pode-se dizer que somos não pouco, mas muito evoluídos. As transformações tem se sucedido em surpreendente velocidade, conduzindo-nos à era em que tecnologia e comodidade integram-se para criar uma nova dimensão em nossas vidas.


Gravadores de rolo e fitas cassete saíram de cena e deram lugar a uma parafernália de opções para a música: ipod, mp3, 4, celulares. O sonho dos adolescentes da década de 70, o tosco Telejogo Philco, evoluiu para a glória virtual com o advento do wii: o que antes era um joguinho de controle com dial transformou-se na prática de esportes como o tênis, por exemplo, em que o jogador simula o movimento da raquete. E o telefone? Concebido para trazer e levar informações, segue cumprindo à risca sua função, embora esta seja a menos importante delas diante dos recursos incorporados: câmera, agenda, acesso à internet, gravador, jogos.

Os elevadores são programados e os mais modernos já nem possuem botões internos; os garçons não anotam pedidos, apontam em seus terminais eletrônicos; vírus não se cura mais com anti-gripal, mas com varredura no sistema; o micro-ondas é programável, as lentes de contato descartáveis, o dinheiro é mais do que nunca plástico; as informações viajam à velocidade da luz e as fronteiras já não existem: amigos, fornecedores e clientes virtuais espalham-se mundo afora na chamada globalização. Somos cidadãos de um mundo civilizado, cheio de alternativas e que evolui a olhos vistos, certo?






Errado. Ao mesmo tempo em que nossos padrões ganham ares cada vez mais sofisticados, reduzindo o nível de esforço físico e intelectual (parece que somos acomodados por natureza), ganham também o distanciamento de nossa porção divina, aquela que ainda guarda a semente da solidariedade. Nas palavras de Abel, em uma das passagens do Mensageiro: "Que futuro dispõe uma sociedade que não é capaz de preservar a integridade de seus indivíduos?" . Creio que é sobre isso que devemos refletir. Sobre como nos tornamos vanguardistas quando a questão 'satisfação de interesses pessoais' vem à tona, assim como ainda engatinhamos quando o assunto é amor, compaixão. O mundo precisa urgentemente de mudanças para viver um resgate definitivo, algo que tire a humanidade da inércia e abra seus olhos ante a destruição iminente. A tecnologia é fantástica e bem vinda, mas tenho certeza que não é a ela que cabe o papel.

Crédito das fotos: david surfer

15 de agosto de 2009

Como nascem os super heróis

Batman, Super Homem, Thor (foto), Homem Aranha, Robin Hood, Zorro. Em comum, o senso de justiça e a luta em prol dos fracos e oprimidos. Personagens criados à razão do insconciente coletivo, que vê na miséria e no sofrimento humano o trampolim para colocar o bem em prática e minimizar desigualdades, ainda que enraizadas na ficção. Os super heróis serão, ad eternum, o passaporte para a consolidação de um mundo ideal.
Transpondo para a vida real podemos afirmar, sem medo de errar, que há quem vista a fantasia e procure dar a mesma dimensão a seus atos, sempre na melhor das intenções. Tenho a impressão que Lula e a consolidação do PT, partido criado sob sua égide, encaixam-se perfeitamente no caso.
A trajetória do ex-sindicalista é digna de louvor. Fico a imaginar o que teria motivado este quase iletrado personagem a dedicar toda sua vida à causa, depois de sair derrotado em três eleições presidenciais em pouco mais de dez anos. Somente uma força maior, a vontade de fazer algo por aqueles que, como ele, viveram a miséria do dia a dia, poderia alçá-lo a esta condição. E então, na qualidade de super herói, o representante do povo chegou ao poder.
É exatamente este o ponto que diferencia ficção de realidade. A primeira não encerra ciclos, não transplanta personagens para a fase pós-conquista. Eles simplesmente não chegam lá! A cada episódio há um reinício, uma nova aventura que coloca nossos amados heróis frente a frente com vilões inescrupulosos. Eles os derrotam, salvam a mocinha ou o necessitado, são aclamados pela população. E amanhã começam tudo de novo. Se tivessem a oportunidade de efetivamente gozar do poder que conquistam, refastelariam-se em seus novos domínios e desfilariam um panteão de barbaridades que só acontecem na vida real. Vejamos: Robin Hood cederia parte de suas terras ao xerife de Nothingham para que pés de maconha fossem plantados e os lucros do tráfico divididos; Zorro contrataria o sargento Garcia e oito de seus familiares como assessores políticos, lotados no gabinete do mascarad0 às custas do dinheiro do povo; Batman receberia, através da fundação Wayne, doações de altas somas de dinheiro desviadas por seu colaborador Coringa, um expert na contratação de empreiteiras para as obras do novo anel viário de Gottham City. Valha-me Deus!
Nossos ídolos de infância, felizmente, não estão sujeitos a estas situações. Ao contrário do paladino justiceiro, que em alguns parcos anos viu a credibilidade do seu partido ruir com dólares na cueca, denúncias de mensalão e tantos outros procedimentos que só cabem a quem chega lá. Ou dar crédito a Sarney, seu antigo desafeto, não faz parte do jogo? Perder o apoio do PMDB para a candidatura Dilma só porque o velho dinossauro embolsou alguns trocados a mais? Que é isso, companheiro!
Super herói, na ficção ou na vida real, é título dedicado a poucos. Mas lá ou cá, tem como base a manutenção de princípios éticos que independem de que lado do poder se está. É assim que são forjados os verdadeiros heróis.

11 de agosto de 2009

5 regrinhas básicas


Fortaleça o corpo
Alimente-se de produtos que não agridam seu organismo. Opte pelos legumes, verduras e frutas, carnes magras e peixe. Evite gorduras, açúcar, sal e álcool em demasia.
Fortaleça a mente
Busque conteúdo. Trave conversas que enriqueçam e estimulem, aceite a perspectiva de outros pontos de vista e isente-se de julgamentos.
Fortaleça o espírito
Respire corretamente, esvazie o cérebro. Medite sempre que possível, nem que seja por 5 minutos ao dia. Sinta-se pleno pelo pertencer coletivo.
Fortaleça os laços
Sorria, abrace, beije. Valorize a família, os amigos e todos que querem seu bem.
Fortaleça a compaixão
Externe sua bondade em potencial. Estenda a mão, auxilie, respeite. Se você já chegou lá, lembre-se que ainda há outros que precisam de ajuda.
Pronto. De dentro pra fora você constrói um caminho melhor para você mesmo, os seus e o ambiente que o cerca. Mãos a obra!

Crédito da foto: Towa-to