1 de novembro de 2009

Heróis Anônimos: Ricardo Calmon



“A natureza sempre profundo me tocou, a ela a vida devo, com a água contato, em fechadas matas entrar até hoje, cachoeiras, rios, igarapés, lagos, praias, tudo da natureza seduzia e consolava, sempre refúgio meu foi, da solidão,do medo de porrada levar,do desamor,da tristeza,da depressão infantil aterradora por sofrer sem saber o que foi que fiz,sentimentos que sempre inundaram minha alma,pois parte fazem do meu corpo,de ser meu,da alma minha viva”. (R.C.)

Ricardo André Calmon nasceu em Manaus, na madrugada de 12 de novembro de 1946. Sua trajetória ao longo destes quase 63 anos é marcada por lições de amor, coragem e apego à vida, com passagens que vão do lirismo à tragédia. É por isso que tenho a honra de incluí-lo entre os heróis anônimos que fazem parte deste projeto.

Filho de mãe paulista, de Guaratinguetá, e pai capixaba (médico que a residência deslocou para Manaus a fim de atuar como cirurgião chefe e obstetra da Beneficência Portuguesa), Ricardo teve a infância traumática caracterizada por problemas físicos e a rejeição de seus pais. De pés curvos e fechados, que lhe permitia apoiar apenas o calcanhar e a ponta dos dedos no chão, tinha enorme dificuldade em caminhar, além de uma curvatura na coluna que o obrigava a usar colete de pano e espartilhos (não é preciso dizer que por conta disso era alvo de chacota e até de agressões por parte de seus colegas de escola). À época, diversos especialistas recomendaram intervenção cirúrgica para corrigir o problema, mas seu pai pareceu não se importar (até hoje, Ricardo calça 35/36). Ao contrário, o obrigava a ir a pé para a escola no período da manhã, enquanto seus irmãos estudavam à tarde e iam de carro com ele. Ricardo chegou a fraturar os calcanhares por 11 vezes.

Desde pequeno, hiperativo e elétrico, costumava cantarolar ao longo do dia, irritando pai e mãe que proibiam o uso de vitrola ou rádio em casa. Essa veia criativa e a inquietação natural fizeram com que sua mãe colocasse gotas de vinho do Porto na mamadeira para que fosse possível fazê-lo dormir, o que acabou por criar vínculo com as medicações, sem as quais Ricardo não conseguia dormir até por volta dos 40 anos. Quando comparecia às missas da capela hospitalar, sempre que o padre passava com o incensário, era comum sentir-se tonto, ficar roxo e desmaiar. Sua mãe, aos berros, o chamava de filho do demônio com o capeta e era comum apanhar em casa depois dessas situações, causando cicatrizes não apenas físicas, mas principalmente emocionais.

Foi ainda menino que Ricardo criou seu amigo imaginário, o indiozinho Peri, habitante da mata que passou a ser seu companheiro de aventura pelos rios e igarapés, além de tornar-se seu protetor e confidente (me lembra muito Calvin e seu amigo tigre, Haroldo). Foi a ele a quem Ricardo recorreu quando, triste por deixar sua terra natal e suas histórias, soube que a família se mudaria para o Rio de Janeiro, o pai eleito deputado federal.

Uma vez mais, Ricardo foi hostilizado pelos colegas de escola: seringueiro, bicho do mato amazônico e tantas outras provocações que invarialvelmente acabavam em briga. Seu mau desempenho em matemática fez com que fosse reprovado por 5 vezes na primeira série, o que lhe custou novamente surras e até colherada de pau na cabeça (!). veio então sua tentativa de suicídio: a mãe (hoje com 85 anos e com quem ele não fala há 22) achou por bem contar à namorada, por quem Ricardo havia se apaixonado, que ela estava se relacionando com um maluco. Ricardo desceu à praia, acendeu uma vela na areia e, ao voltar, a família reunida em torno da TV, fechou-se na cozinha para cortar os pulsos, ligar o gás do fogão e enfiar a cabeça no forno. Salvo, permaneceu em como durante 3 dias, sendo depois internado em uma clínica psiquiátrica para tratamento a base de eletrochoques. Ficou seis meses sem pronunciar uma única palavra.

Recuperado, teve seu primeiro emprego como contínuo na Cia. Estanífera do Brasil, servindo cafezinho. E daí em diante desenvolveu carreira na área de comunicações, passando por TVs e agências de publicidade, produzindo diversos programas (incluindo o primeiro programa sobre automobilismo para a TV brasileira, o 'Grand Prix') e tornando-se mestre em TV educativa (na Alemanha), além de professor de planejamento de propaganda e marketing na UFF fluminense. Na prática, superou toda e qualquer expectativa de quem via nele um ser desqualificado e sem qualquer pespectiva.

Ricardo costuma dizer que deu a volta por cima depois dos 50 anos. “Foi quando a vida descobri e soube que Quasímodo não era!”, diz ele. Casou-se com a professora Regina Victória, com quem teve os filhos Ana Paula, Mariana e Wilson. Hoje é avô da linda Luana e blogueiro de mão cheia, expondo suas ideais através do 'Viver é pura magia' , onde exalta a importância de valorizar os aspectos do bem e da vida, irmanando seus amigos e leitores na busca de um mundo melhor sem as fronteiras de raça, credo, países e continentes com as quais estamos acostumados. Foi por estas andanças pelo mundo virtual que o conheci, adorei sua forma de se expressar e principalmente o conteúdo que ele é capaz de gerar. Ricardo é um exemplo de superação e vitória, de quem já teve a vida presa por um fio e que por isso mesmo batalha em favor dela. Sua luta foi, é e sempre será para que o bem prevaleça.
Vida longa ao Ricardo e seu Viver é pura magia!

29 de outubro de 2009

Produtividade x Assistencialismo

Que vivemos em um país marcado por abismos sociais e incongruências políticas não é nenhuma novidade. Que o país precisa, isto posto, de gente honesta que arregace as mangas e trabalhe no sentido de corrigir estas distorções, criando um padrão de sustentabilidade econômica baseado em potencial produtivo, também. Uma nação economicamente viável e pujante só se desenvolve quando a roda econômica gira com os recursos que ela mesma produz através do capital humano, alicerçado sobre investimentos, políticas de longo prazo e visão extemporânea. Costuma-se chamar a isso de produtividade, a mola mestra que gera riqueza e evolução.


Do outro lado está a prática assistencialista. Em um país como o nosso é difícil prescindir de tal instrumento, principalmente quando boa parte da população de baixa renda mal tem acesso a recursos básicos de educação, saneamento e saúde. A bem da verdade, a política do governo Lula, através do Bolsa Família, tem lá seus méritos quando retira parte das famílias que recebem assistência da total miséria. Mas ao mesmo tempo, cria um círculo vicioso cruel que beneficia, sobretudo, o próprio governo.




Presidente Vargas é um município no estado do Maranhão de 10.000 habitantes. Segundo Zé Neumane, da Pan, a população ativa é de 4 pessoas. Isso mesmo, 4 pessoas! Partindo-se do pressuposto que se trata de informação verdadeira, dada a credibilidade do jornalista, o número é assustador. Apenas 4 pessoas trabalham por lá, enquanto o resto da população vive do Bolsa Família. Sugere, a rigor, um mal estar sem precedentes, uma vez que narcotiza toda uma população, que naturalmente prefere ganhar um pouco a mais com o benefício do que se lançar no mercado de trabalho local, que não deve ser lá grande coisa. Não importa. É o princípio da produtividade que vai por água abaixo na ociosidade de quem encontra, em políticas como essa, um motivo para encostar o burro na sombra e não produzir. É o processo de geração de riqueza, ainda que em níveis ínfimos, totalmente estagnado e sem perspectivas. E quem ganha com isso?




Ganha a população, que sem grandes esforços mantém um padrão de vida (se é que isso lá é padrão) acima do que teria se optasse pelo trabalho. É mais cômodo, sem dúvida, mesmo que o processo produtivo seja estancado (e quem se importa?). Ganha o governo, que atrela votos que garantem reeleições através destas práticas, não muito distantes do 'pão e circo' romano. Perde o homem nestas circusntâncias, nas palavras do próprio Neumane, sua dignidade.




Povo bom, na ótica do governo, não é aquele que produz e questiona, fazendo valer seus direitos, mas aquele se ajoelha e agradece pelo pouco que tem.




Foto: ministério do desenvolvimento social e combate à fome

12 de outubro de 2009

Entorpecentes


Se ao ler o título deste post e fazer associação com a imagem você logo se viu mergulhando em um mundo obscuro e sem volta... Relaxe, não é sobre isso que quero falar. A falta de lucidez pode levá-lo a lugares que sua alma jamais sonhou em visitar e dos quais certamente haverá de se arrepender pelos transtornos que causa, mas a verdade é que, na maior parte do tempo, passamos por isso sem mesmo nos darmos conta.

Um dos postulados para uma vida saudável diz respeito a tratar nosso conjunto corpo/alma como um templo. Assim como quando nos encontramos em um (e o significado pode variar de indivíduo para indivíduo, atrelado à religião em si - uma igreja, uma sinagoga - ou a serenidade que o mar ou o campo representa), centramos nossas energias em forma de prece na busca de equilíbrio, paz e conforto, saímos fortalecidos e confiantes no caminho da luz que atravessa nossas crenças. Só que nem sempre é assim.

Existem dois tipos de entorpecentes que, agindo em campos opostos - corpo e mente - contaminam o processo e violam o princípio da salubridade. Se quiser experimentá-los em conjunto, basta abrir um pacote de Doritos diante da TV.

(Pausa. Discorrer sobre o assunto não significa dizer que eu mesmo não me abasteça dessas fontes nos momentos em que julgo 'necessário', justamente aqueles em que a mente pede pausa e o corpo anseia pela caloria vazia. Continuemos).

Horas e horas e mais horas diante da TV e da programação que a acompanha é um verdadeiro exercício de atrofiamento mental. As grandes corporações sabem disso, e não é à toa que expõe figuras insólitas como Faustões e Gugus para comandar o circo, desligando cérebros em nome do controle das massas. 'Panis et circensis', os romanos espremidos no Coliseu. Se os tempos mudaram, as políticas não, basta ver quem é que na prática elege presidentes e manda no país.

Mudemos o lado. Em ritmo da ansiedade, substituímos os nutrientes que nosso organismo necessita por qualquer porcaria que abafe nossas lamentações, agústias e escapes. E o corpo trabalha em dobro, processando o alimento absolutamente desnecessário. A prática do jejum, por exemplo, é recomendada uma vez ao mês e reestabelece o fluxo energético através da eliminação de toxinas, devolvendo ao organismo o conceito de templo momentaneamente esquecido. É normal nos sentirmos mais despertos e produtivos quando comemos menos, com qualidade, e longe da TV.

Um pouquinho do BBB, um pastelzinho na feira, vá lá, de vez em quando são práticas que nos devolvem ao mundo real. O que é preciso, nem que seja necessário nos exercitarmos continuamente para isso, é estabelecer o limite do que não nos torna escravos de nossos próprios vícios.

6 de outubro de 2009

'Sometimes I feel like screaming!"


Bendita sejas tu, ó luz do universo, que sobre mim derrama tuas bençãos em sonhos cálidos, reveste-me da tua aura e faz com que me sinta assim, moleque e meio, ginga pura, em sublime conexão e possuído pela incontida arte de amar, soltando a voz que se perde pelo vazio infinito: 'Sometimes I feel like screaming!'

(efeito Flamel)
'Sometimes I feel like screaming' by Deep Purple

4 de outubro de 2009

Heróis Anônimos: Rodrigo Yoshida

É com grande prazer que este blog inaugura a tag Heróis Anônimos’. Trata-se de um espaço destinado aos batalhadores do dia a dia que procuram externar, através de suas atitudes ou pensamentos, o verdadeiro valor e sentido da vida. É preciso fazer valer a pena!

Rodrigo Yoshida. 28 anos, casado há 5, analista de marketing do Banco Itaú. Há 10 anos tem como companheira uma cadeira de rodas, fruto de um acidente com moto que o deixou paraplégico. Não ia a mais do que 30km/h quando um carro o atingiu e ele, ao cair, prensou o capacete junto ao pneu de um carro estacionado, fatalidade que fez com que apenas a coluna se deslocasse e sofresse fratura. Naquele momento, relata ele, percebeu que alguma coisa mais grave se passava: “Quando me dei conta, vendo meu corpo virado para um lado e as pernas para outro, sem poder movimentá-las, entendi o que tinha acontecido . Mas fiquei aliviado, em parte, quando percebi que podia movimentar os braços”.


De lá para cá, adaptou sua rotina entre o trabalho e os estudos (é formado em administração de empresas) sempre de maneira objetiva e com muito bom humor. Quando pergunto se nesses anos todos não houve nenhum momento em que pensou desistir de tudo, ele responde com convicção: “Sim, durante os 2 segundos em que percebi que podia estar tetraplégico e preso a uma cama para sempre. Quando mexi os braços, mesmo sem a devida sensibilidade, vi que a história seria outra e a partir daquele momento teria que fazer minha opção dentro da vida que estaria destinado a levar: vivê-la em angústia, pelas limitações naturais que eu teria, ou aprender a ver o lado positivo de tudo isso. Foi o que eu fiz”. A velha história entre encarar o copo com água até a metade como meio cheio ou meio vazio. Cada um faz a sua opção!

Creio que foi isso que chamou minha atenção em relação ao Rodrigo. Nos cruzamos poucas vezes, é verdade, mas em todas ele sempre se saía com um comentário engraçado ou uma piadinha. No aniversário do Bruno, quando recusou a cerveja que o garçom insistia em colocar em seu copo, respondeu “Para, desse jeito você acaba me deixando bêbado. Já não tô nem sentindo minhas pernas...”


Isso é lição de vida. Por onde passa, Rodrigo deixa um rastro de luminosidade, mesmo sem perceber, e que faz dele um exemplo pra tanta gente que reclama de barriga cheia. Um mundo melhor se faz com melhores pessoas e melhores atitudes, um viva a estes Heróis Anônimos!

30 de setembro de 2009

Deus existe?

A frase invade minha mente e de imediato abro os olhos: 4hs49 da manhã, marca o celular ao lado da cama. Tenho a quarta-feira pela frente dentro de duas horas, penso, ao mesmo tempo em que viro para o lado em busca do sono. Segundos depois ela reverbera, como que sussurrada em meus ouvidos: 'Deus existe?'

Sento-me na cama. Que brincadeira é essa, afinal? Fecho os olhos a espera de alguma imagem que acompanhe o 'áudio' e o que vejo são manchas alaranjadas em torno de um sol límpido, nascente, que prepara terreno para mais um dia. Entendo a mensagem: é um 'Deus existe?' em forma de post. É chegada a hora de fazê-lo.

Deus não existe.

Ao menos esse Deus da doutrina judaico-cristã que fomos obrigados a aceitar como único e verdadeiro, o criador que castiga os ímpios e é, sobretudo, o instrumento de controle que permite a seus representantes na Terra manter o caminho do rebanho às cegas. 'Deus castiga', 'você não vai para o céu', 'isso é pecado' , dizem eles em meio a tantas outras objeções que tem por objetivo cercear a ação e atender aos anseios de uma minoria.

Estabelece a doutrina cristã que padres, por exemplo, não podem casar e ter filhos. Mas se a consagração do matrimônio é um dos pilares do cristianismo, a família, porque é que seus próprios representantes não podem fazê-lo? Que mal há em preservar a espécie humana - dádiva divina - dentro da estrutura religiosa? Ora, é sabido que desde os primórdios da idade média padres não se casavam simplesmente para evitar que as riquezas da igreja, a instituição mais poderosa e organizada da época, fossem divididas! Rabinos, por outro lado, conclamam à leitura da Torá, o livro sagrado do judaísmo, convidando membros da congregação para subir ao altar e a eles se juntar nas festas mais tradicionais. Ao mesmo tempo, é comum ouvir histórias sobre leilões que são realizados dentro das sinagogas para que os mais privilegiados subam ao altar para a leitura da Torá, contribuindo com uma 'módica' quantia em dinheiro. Religião, poder, dinheiro e Deus, na concepção do homem, sempre andaram lado a lado.

Que espécie de Deus é esse que se esconde por trás de interesses duvidosos e designa quem pode pelo poder da reprodução, assim como pelo poder do dinheiro? Esse é o Deus do homem, do Edir Macedo, do Michael Jackson e da Madonna. É o Deus baladeiro, que gosta de grana e de poder, e que nada tem a ver com a verdadeira essência divina. É, na prática, o reflexo do homem diante do espelho.

Deus, na minha visão, tem outro conceito. Deus é a energia maravilhosa que nos irmana, que nos faz pertencer ao mesmo plano, que nos faz alegre quando um de nós está alegre ou que nos torna solidários quando um de nós sofre. Deus é compaixão no sentido literal da palavra, é amor quando se abraça o todo, é o respeito constante que mantemos a nossa volta, seja para com nossos semelhantes, seja para com a mãe natureza e seus elementos. Deus é a essência, a chama divina que habita nossos corações e junta peça por peça em um quebra-cabeças infinito, sem que nenhuma delas seja a mais importante. Deus é pureza de espírito, liberdade e poesia, longe de ser 'faça isso' ou 'faça aquilo'. Deus é livre-arbítrio.

Essa é a verdade que não somos capazes de perceber porque ficamos presos aos dogmas que permeiam nossas tradições há séculos. Antes de esperar que "alguém" lá em cima faça rumo por nós, desabrochemos nossa semente divina e façamos valer nosso verdadeiro papel.

Nós somos Deus.

27 de setembro de 2009

Ecos do Japi




Patty, se me permite, tomo a liberdade de fazer uso do título do seu blog , o Ecos do Japi (sigam o link e boa viagem), para este post. Lá estive no último sábado em companhia dos amigos Haroldo e Priscilla para uma gostosa caminhada em meio à mata, acompanhado também da Rosana e dos pequenos notáveis incansáveis João Pedro e Luiza. Além, é claro, da nossa querida guia Patty 'Salerosa' em pessoa.

A Serra do Japi é uma cadeia montahosa que se divide entre os municípios de Jundiaí, Cajamar, Pirapora do Bom Jesus e Cabreúva. Foi declarada reserva da Biosfera pela Unesco e tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. "Um santuário", como diz a Patty em seu blog, que abriga natureza diversa e exuberante.
Recorro ao meu querido Abel Antunes, personagem de 'O último mensageiro', em uma de suas passagens à beira do rio com Marina, deslumbrada com a beleza do lugar em que se encontravam:



"– Que lugar maravilhoso é este?

À luz do dia, por entre o voar dos beija-flores e a passagem dos esquilos pelas árvores próximas ao rio, Marina estava fascinava com a beleza simples da Lumiar. Encontrara Abel recolhido junto à margem, exatamente no ponto mais alto antes da embocadura que levaria aos chalés.

– Já tomou seu café? – Ele perguntou.
– Saí de lá neste instante – ela apontou para a recepção. – Onde você estava?
– Fui dar uma volta, acabei de me acomodar aqui.

Na elevação em que se encontravam, podiam observar a parte mais larga do rio, embora fosse também a mais rasa, com pedras de tamanhos e formatos variados dispostas quase que em linha reta de uma margem à outra. A água circulava suavemente por entre elas em um esteio cristalino, sem muita velocidade.

– Não canso de vir para cá – Abel disse. – Abre meu espírito, me conecta com a natureza.
– Não é pra menos. Aqui dá pra esquecer da vida.
– Ao contrário, Marina. Aqui se resgata o verdadeiro valor da vida".

Eis aí o mesmo sentimento que me mobiliza em situações como essa: a simplicidade de estar conectado à natureza e seus elementos e o prazer de desfrutar da magia das pessoas, verdadeiro bálsamo para quem vive o dia a dia do concreto, da razão e do egocentrismo espalhado por todas as esferas. A alma agradece o privilégio!

Crédito da foto 'Borboletas':Priscilla P. Gutierrez

24 de setembro de 2009

Momentos

Lapsos de tempo ou oportunidades, átimos que se abrem com a chuva e saem em disparada embalados pelo vento. Olhares difusos. Multidão, solidão, traços em constante mutação.
Momentos! Essências, fragrâncias, visões e texturas cravados no segundo, no minuto ou no tempo que você achar necessário. Tome-o, ele é seu, faça bom uso. O passado enterrado está, o futuro a Deus pertence. O presente? A dádiva que a vida lhe deu, a magia de sorver cada momento como se fosse o último. Abrace-a! Radiolab traduziu o estalo no composto abaixo, um tributo a cada 'single special moment' que, como seres humanos, somos capazes de gerar e compartilhar. Esse é o seu momento, nada mais resta a fazer senão desfrutá-lo!

Crédito: Radiolab

21 de setembro de 2009

Smiling at Simple Special Spaces


Talvez nada seja mais representativo do que o sorriso. Expressão espontânea de rara felicidade, transborda alegria, cria, irmana e abastece. Faz crer que os pequenos gestos que propiciam situações como essa fazem a vida valer a pena. E nada melhor do que poder ver refletido no rosto de cada um a sensação de prazer que se traduz, em última instância, no simples estar juntos. Momentos, sorrisos...
Agradeço o privilégio e agrego mais essa vírgula ao rastro que vou deixando pelo planeta!

17 de setembro de 2009

Heróis anônimos

O Blog do Mensageiro inaugurará, em breve, o tag 'Heróis anônimos'. Trata-se de espaço dedicado àqueles que, no silêncio e na simplicidade, contribuem para um dia a dia melhor dos que estão ao seu redor através de atos, gestos e sorrisos. Um mundo melhor se faz com pessoas melhores e melhores atitudes!

Sugestões serão muito bem vindas e podem ser encaminhadas para andrecharak@uol.com.br com foto e uma pequena biografia!



Crédito da foto: Picto Brand

12 de setembro de 2009

Le dor va dor

Ou no original em hebraico, de geração em geração. Diz meu amigo Ricardo Calmon, incansável guerreiro, que 'viver é pura magia'. E é. Mas isso, meus amigos, não se diz impunemente, é preciso criar e treinar o olhar que encara a vida e seus desígnios sob essa ótica, sem se distanciar de valores que dizem respeito à troca e doação. No caso dele especificamente, um mestre no assunto, levou seus requisitos além, muito além do simples existir (Oscar Wilde escreveu 'viver é a coisa mais rara do mundo; a maioria das pessoas apenas existe') e fez valer a frase que dá título ao seu blog. Acredito que é apenas dessa maneira que a vida se torna uma grande dádiva, um exercício em que toda sorte de preciosidades trabalha a favor do fator humano, não como indivíduo que é, mas como elo de uma corrente imaginária e infinita que, quebrada qualquer ligação, leva o todo consigo.

Exemplos de bondade não nos faltam, assim como exemplos do simples existir. Quando a vida se torna uma corrida desenfreada em busca de segurança, traduzida no acúmulo de bens que criam a condição ilusória da 'salvação' e que passam a representar o foco de toda uma trajetória, a semente divina deixou de soprar, substituída pela simples existência. Quando deixamos de valorizar os pequenos sabores do dia a dia, simplesmente porque perdemos a sensibilidade para com eles, é chegado o momento de parar e refletir. Ninguém vive apenas das emoções, naturalmente; é necessário um trabalho árduo no dia a dia para garantir condições de subsistência e progresso, elevando-se padrões. Mas daí a ter essa estrada como única referência, ignorando as oportunidades que se apresentam em nossas vidas para fazer e receber o bem, seja através de um gesto, sorriso ou palavras, é entrar em terreno escorregadio e perigoso. Como diz minha amiga Cris Toth, 'um propósito materialista sem a perspectiva espiritual não sobrevive por muito tempo'. Parece que se encaixa com perfeição.

Esse é o meu olhar. Respeita os demais, entende sua natureza, mas pauta-se pela sua própria sensibilidade. É ele quem cria minha trajetória entre erros e acertos, glórias e derrotas, conquistas e decepções. Esse é o meu conceito de vida. Nunca deixei de sorrir para ela, assim como ela nunca deixou de sorrir para mim. Sou pai, sou filho, sou o acúmulo de meus registros e daquilo que procuro transmitir adiante. A palavra, quase sempre, é meu instrumento.

Dedico este post aos meus pais, responsáveis por parte daquilo que hoje sou, e minhas filhas, que me fazem acreditar, sempre, que o propósito maior é a base de toda educação, mesmo com o trabalhão que dá (rs). E ao velho e bom Ricardo, sem o qual viver ainda seria magia, mas não com a mesma qualidade.

Uma ótima semana para todos!


6 de setembro de 2009

Pinceladas


"Da vida. Em flores, tons e cores, texturas e amores. Na chuva, na benção, na alma. Temores. Luzes e palavras".