9 de maio de 2010

Complementando 2: assim já é demais...


Domingo, 9/5, 10hs30, levando a Gisele para fazer exame de sangue no Delboni...

Complementando...

... o post anterior, domingo cedo é dia de pãozinho, esse é o cartão que recebi com o código de barras para pagamento...

Um ótimo domingo a todos e um feliz dia a todas as mamães!!

8 de maio de 2010

99 numbers 99

Minha relação com números é uma daquelas coisas que garante a existência de uma força oculta, alheia a vontade e provavelmente cheia de boas intenções, trabalhando na calada da noite no tabuleiro de peças que compõe o xadrez humano.
Sempre tive predileção (para não dizer obsessão) pelo 3 e seus múltiplos, em especial o 9 . É uma relação sem qualquer explicação razoável, apenas uma intenção maior, totalmente intuitiva (vale lembrar que nasci em um 12 de abril do ano de 1964, que na somatória leva a 27 e a 9 na redução). Pois bem, deparo-me com eles a todo instante, atravessam meu caminho sempre que podem. É a mesa no restaurante, a espera no cartório, o número do prédio (quando me casei, fui morar no 1485 - 9 na redução - apto 81 - idem). Mas de um tempo pra cá a coisa tem se acentuado de tal forma que não dá pra deixar passar em branco. São tickets de teatro, lava rápido, estacionamento, operadoras de telefonia, laboratório (todos na imagem), que abraçam a teoria na medida em que convergem, em sua somatória e redução, para o misterioso 3/9. Claro que isso não acontece em 100% dos eventos - aí seria demais - mas o que vejo é uma tendência, fora da curva probabilístca regular, para que estes números se manifestem.
Foi o que ocorreu ontem no atendimento da Claro no Shopping Villa Lobos (o ticket está no canto baixo direito): senha 39 (somatória 12, redução 3), horário 21:03hs (6) em 7/5/2010 (somatória 15, redução 6). Indo além, AT (1+20) se reduz a 3. Todos somados, teremos 81, 9 por ele mesmo. Não é intrigante?
Esse cruzamento me fascina. Quando menos espero lá estão eles, acenando pra mim como se dissessem que, em algum ponto obscuro do universo, essa relação tem sentido. Enquanto não desvendo o mistério, trato de guardar os comprovantes que me levam à terra de Oz.

1 de maio de 2010

Tempo de refletir

Afastar-se-se da rotina, ainda que de maneira involuntária, é o primeiro passo para o processo de revisão e, por consequência, de reformulação. Práticas e posturas são avaliadas sob o espectro do tempo e do valor humano, centrados nas questões que habitam os recônditos de nosso ser: é mesmo essa a vida que quero? Sou feliz da maneira que a conduzo? Onde isso vai parar?

Foi meu amigo Bruno quem disse que se você não para, a vida te para. E para mesmo. A dengue foi um acaso, um erro de cálculo de um mosquito multívago que, inadvertidamente, se apropriou de um sangue de baixo valor protéico que corria pelas veias de um corpo quase sem imunidade. dadas as condições de vida que eu havia estabelecido para mim mesmo. Daí pra frente foi queda livre.


15 dias foram suficientes para sentir na pele os efeitos da 'mardita'. A experiência em si é péssima, óbvio, mas dela também se extrai algo positivo (como tudo na vida). No momento em que o ciclo começa a se fechar e a condição interna retoma seu ritmo normal, sem febre e dores, um novo horizonte vai se desenhando lá fora. Por que? Porque dentro do intervalo compulsoriamente concedido é possível rever o ritmo da vida e o fio que a conduz.


Não se trata de escolha, embora em algum momento deva ter existido essa possibilidade. Trata-se do turbilhão de tarefas que preenchem o dia a dia, do deixar-se levar pela louca presunção que tudo por ser feito no período. No começo, bem me lembro, deixava que as pendências do dia a dia preenchessem minha mente e, passo a passo, dentro das prioridades que se estabeleciam, ia resolvendo. Depois, ante o acúmulo de tantas tarefas, passei a organizá-las no papel, depois no outlook, dando baixa a medida em que cada uma ia sendo realizada. Surgiram então dois problemas: o menor deles dizia respeito a imensa lista de atividades profissionais e pessoais que tomava o espaço do outlook; o outro, o estado de irritação e ansiedade diante da incapacidade de administrá-las. Quanto mais itens eu baixava, mais itens surgiam, tornando a lista uma interminável pendência de vida a tomar o tempo sem efetividade. Não dava mais, passei a registrar os itens e, ao mesmo tempo, ignorá-los. Então pra que fazer tudo isso?


Pausa. 15 dias. Análise. Renovação. Visões. Ritmo. Palavra chave: desacelerar!

O mais óbvio, e que na maior parte do tempo insistimos em não enxergar. é que a atribuição total de tarefas simplesmente não cabe no espaço de tempo que determinamos. Querer resolver tudo que está pendente e se irritar a cada olhar para lista diante do que ainda é preciso fazer é, antes de organização, um atestado de incompetência. Não no sentido de não saber fazer, mas no plano administrativo. É como querer ganhar uma guerra, que normalmente dura anos, em dias!






Ordenar e manter o ritmo adequado a necessidade, este é o segredo. Não se cobrar ao extremo, posando de super herói e zerando todas as atividades, até porque isso não vai acontecer. O que decorre dessa situação é que, diante da irritabildade em deixar questões em aberto, acelera-se o processo e faz com que a vida esteja limitada a um acúmulo de funções. A paisagem, as relações, os elementos, a sensibildade e o prazer passam ao largo, figurando como acessórios. Não é à toa que tanta gente que já alcançou um patamar financeiro acima do considerado estável simplesmente não consegue usufruir...






A maneira mais simples de resolver a questão é desacelerando. O mundo não vai acabar porque a proposta que tinha que ser entregue na terça ficou para quarta ou o texto demorou mais do que o previsto para sair. Mito. Quando ligamos o piloto automático e fazemos tudo na inércia, não só nos sentimos frustrados por não completar a lista de tarefas, mas passamos por cima de tudo sem alma e coração, mal se lembrando em que condições o que tinha que ser feito foi feito. E daí? Valeu a pena? Não basta alcançar ao destino, é preciso apreciar a paisagem que se encontra no caminho!






É fundamental ter disciplina para iniciar e principalmente dar continuidade ao processo. De que maneira? Focando a mente e controlando a respiração, cruzando os dois movimentos para obter o melhor dos resultados. Foque sua atenção na respiração e você sempre viverá o momento presente, não haverá interferência de qualquer espécie. O ritmo é mais cadenciado, mas a satisfação que isso lhe traz é fora do comum. Posso afirmar que a alegria de viver volta da maneira mais enfática!






Em uma semana, velhos hábitos foram ficando para trás: acelerar no amarelo para passar o farol, trocar as memórias do rádio a cada minuto, resumir conversas por ter outras coisas "mais importantes" a fazer, sentar-se diante do computador com a obrigação de escrever. Correr, correr, correr e no final chegar no mesmo lugar, exausto, cansado, estressado. Over!






Posso afirmar que o ritmo dessa semana que passou foi diferente e que os resultados apareceram de outra maneira: mais leves, soltos, mas ao mesmo tempo mais contundentes. Há mais energia circulando, há mais vibração. Durmo menos, acordo mais disposto. E encaro a vida numa boa, não com a obrigação de fazer história, mas com o prazer que ela merece. Afinal, como diz meu amigo Ricardo do Viver é pura magia:






'VIVER É PURA MAGIA'!



Encontre a frequência correta e faça da sua vida um acúmulo de prazeres, não de obrigações. Elas existem, claro, mas é a mistura desses elementos que garante a sua felicidade.

Uma ótima semana a todos!

18 de abril de 2010

Ausência

Sigo afastado por conta da dengue. A sensação é de total inércia e me impede de escrever com a alma, assim como ler e comentar os blogs que gosto. Voltarei a fazê-lo assim que estiver melhor, bjos a todos!

4 de abril de 2010

UTOPIA

Estamos em 2046 e o mundo não é nem sombra daquele lugar 'bonito e tranquilo pra gente se amar' que você conhecia. O planeta sucumbiu, graças à irresponsabilidade humana e seus interesses escusos, que juntos contribuíram para o que parecia impossível: destruir tudo a sua volta e desencadear a fúria irreversível da natureza. As calotas polares derreteram, os oceanos tomaram os continentes. Glub, glub, glub... Paradoxalmente, áreas desérticas se abriram no coração da África, incêndios de proporções descomunais tomaram a tundra soviética e o Canadá. Populações foram dizimadas pela fome, doenças e toda sorte de desastres naturais. O subir das águas só poupou aqueles que se encontravam em altitudes superiores a 1.000 metros.


O destino do homem foi, enfim, selado por suas mãos irresponsáveis cheias de sangue.


Relaxe. Se o ambiente lhe parece de total desolação, há um motivo para se alegrar: você conseguiu se salvar. Tomou o vácuo migratório com ligeira antecedência, deixou para trás seus bens materiais e rumou com a família e amigos para um dos pontos altos. A escolha foi sua: Chapada dos Veadeiros, Diamantina, Serra da Mantiqueira. O importante foi se antecipar, acreditar nos boatos e encher-se de coragem. Parabéns! Você está entre os 30 milhões de sobreviventes do planeta Terra (lembre-se que em 2007 a população do planeta chegava a quase 7 bilhões de habitantes), prontos para iniciar uma nova jornada.




Portanto, mãos a obra. Paus, pedras, galhos, folhas... Ou você achou que era só apertar o interruptor? Helloouuuooou, a fase do tudo fácil ficou lá atrás, sua sobrevivência e a dos seus depende, daqui em diante, daquilo que você for capaz de fazer. Bem vindo ao mundo pós-dilúvio capítulo II!



Os trabalhos começam, as comunidades se dividem em busca de locais apropriados para montar suas barracas e iniciar o novo ciclo. A sua tem 45 pessoas: você e sua mulher (ou marido), seus filhos, irmãos e irmãs com seus respectivos agregados e dois casais amigos e suas famílias. Seu vizinho e o cachorro vieram junto, assim como um casal de idosos que encontraram pelo caminho e a quem deram abrigo. Hora de recomeçar: como líder, preservar cada membro desta nova comunidade é a sua tarefa!



Seu primeiro desafio: a uma nova sociedade, sem estruturas pré-estabelecidas e sem vícios, não resta alternativa que não seja desenhar novos princípios. Além dos éticos, como o respeito mútuo, a verdade em essência e o espírito de solidariedade, você deverá organizar os práticos, como a organização do trabalho, a assistência irrestrita, a divisão do que for obtido (lembre-se que é a sobrevivência da sua comunidade que está em jogo. Acumular individualmente mais do que o necessário e desequilibrar o balanço é prejudicar filhos, familiares ou amigos, todos que mantém laços afetivos com você. Não os decepcione!). Em um mundo devastado, você deverá lidar com os aspectos funcionais que surgem em primeiro plano: encontrar comida para saciar a fome, dividir cobertores para proteger do frio, manter a saúde em dia e construir abrigos. Todos os 45 membros de sua comunidade serão beneficiados indistintamente, criando os pressupostos para a nova vida que se abre em perspectiva.



Chegamos a 2056. Dez anos se passaram e sua comunidade manda muito bem, meus parabéns! Conta agora com 66 membros, já que seus amigos tornaram-se avós e outras duas novas famílias foram incorporadas (não se adaptaram ao sistema que havia sido estabelecido em outra comunidade, onde privilégios eram concedidos a indivíduos que haviam acumulado maior riqueza na vida pré-dilúvio). As necessidades básicas foram satisfeitas e seguem a contento, todos trabalham e gozam de ótima saúde. Hora do líder pensar em outras necessidades, não?



O dinheiro não serve pra nada. O que se utiliza como moeda de troca , em todas as comunidades serranas, são toras de madeira. Você sugere que uma biblioteca seja montada e a comunidade aprova. Compra, de uma comunidade vizinha, 15 livros por 15 toras. Um sucesso! Quando vocês se preparam para comprar mais 10 livros, a filha mais nova de uma das famílias que havia se incorporado à comunidade contrai catapora. O remédio disponível custa 3 toras e a comunidade, naquele momento, não dispõe de mais do que 10 toras para negociar. Você sugere que se compre 7 livros e que o remédio seja comprado com as 3 toras restantes. Aprovado! O sacrifício, por assim dizer, não gerou desequilíbrio na comunidade e você, como líder, ganhou mais uns pontinhos.


Anos depois, o projeto de construção de uma piscina é abortado em razão das chuvas, que destruíram parte da horta e a disponibilidade de alimentos para consumo. Não haverá comida para todos e será preciso desviar parte dos recursos destinados à piscina para compra. O equilíbrio da comunidade é então novamente refeito e ninguém passa fome. A piscina, enquanto projeto, fica temporariamente postergado, assim como toda outra necessidade que não tenha, por princípio, preservar a integridade da comunidade. Os anos se passam e ela cresce em ritmo exponencial, mantendo seus ideais e, principalmente, sua unidade. Novos líderes surgem, seu trabalho é preservado, uma era de ouro e prosperidade se inicia...



Fim do sonho.


Somos o exemplo vivo de que não funciona assim. Enquanto lidamos com 66 indivíduos, cujos laços de sangue e afinidade zelam pelo bem estar da comunidade em qualquer circunstância, tudo bem. Em uma estrutura como essa, quem é que em sã consciência deixa faltar alimento a um filho ou não dá abrigo a um amigo? Não compra remédios para um doente ou não manda fazer a palmilha da criança que nasce com o pezinho torto? Ou botinha, que seja. 66, 99, 126, 216... Mas e depois? Atinge-se um ponto em que o crescimento descontrolado sobrepõe os princípios antes adotados e transforma cada homem em uma ilha, em um poço de desejos outros que já não se alinham com os ideais da comunidade. Vira o samba do crioulo doido, cada um por si e salve-se quem puder. Nasce o vigarista, o corrupto, o explorador. Nascem modelos que não mais atendem a comunidade, mas o estilo individual de cada um. E aí está o formato da sociedade em que vivemos, do consumo desenfrado e da voracidade sem limites. Não é à toa que chegamos a beira do abismo.

A responsabilidade recai sobre todos nós. Em maior ou menor grau somos parte do que acontece, muito embora deva admitir que mudar o que se estabeleceu há 4.000 anos atrás seja um parto, só mesmo uma pá de cal gigante pra zerar e começar tudo de novo. Estamos fazendo a nossa parte sim, já somos muitos vibrando na mesma frequência e pensando da mesma maneira - mas daí a achar que podemos mudar a personalidade da raça, que representa 99,99% do que aí esta (padres pedófilos, matadores de aluguel, biscateiras, sequestradores de bêbes, autoridades corruptas, gente mesquinha, invejosa, fofoqueira, competitiva, aduladora, preconceituosa, egoísta, orgulhosa, pedante) vai uma grande distância. O caos é reflexo desse ratsro de mediocridade e ganância que deixamos pelo caminho, a pegada que deixaremos na passagem por esse planeta. Lindo, não?

O segredo consiste em saber evoluir do 216 para 504 e daí para 3.060 com dignidade, fazendo valer os princípios que se estabeleceram no início. Passa por educar, dar assitência, abraçar a causa comum. Simples. Passa pelo berço, e o berço é o começo. Passa pela foice e pela oportunidade de começar tudo de novo.

O resto não passa de utopia. O Rio que o diga.



Crédito da foto: Harpagonis

26 de março de 2010

Give me ou, simplificando, Daime

A reação foi de descrédito. 'Acho que não rolou', pensei, desiludido ao retomar meu lugar no cerimonial depois de verter a primeira dose da viscosa e amarga bebida. Talvez tenha sido melhor assim, enfrentar os meus e tantos outros fantasmas em um estado alterado de consciência pode não ter sido a melhor opção para o sábado à noite. Curiosidade e um 'q' de irresponsabilidade, procuro ser assertivo e... Não deu tempo pra mais nada! Minha mente mergulhou em um oceano de imagens e sons, ainda tentei me concentrar nos cânticos e nas pessoas a minha volta, mas nada disso foi possível. A viagem do Daime começava.






Foi assim que caracterizei meu primeiro (de uma série de dois) contato com o Daime, em novembro de 2003. Uma experiência catártica que fez, da viagem interior, a ponte para um universo mágico e instigante como se eu tivesse pousado em 'Avatar' antes do tempo. Uma porta desconhecida se abriu e eu, inquieto, quis olhar o que havia ali dentro, alçado à condição de explorador pelo uso ritualístico da Ayahuasca. Na prática, tomei coragem e criei meu próprio ritual, extrapolando os tradicionais 10% de capacidade do intelecto que, segundo dizem, costumamos utilizar. Lá fui eu e meus 17,28% rasgando as cortinas da realidade...







Expansão, poderia eu dizer, invadindo reinos que não me pertenciam. Nossa Senhora e seu manto celeste em pouso na lua, as portas de um corredor infinito que se abriam ininterruptamente (tipo Agente 86) em alusão à própria experiência, o símbolo do mensageiro no duto de ar de uma nave espacial. A chave para meus mistérios interiores! Do lado de fora, escancarando a realidade, me lembro de ter visto a água da torneira escorrendo para cima, assim como as rosas do jardim em chamas...






O processo de expansão de consciência, principalmente se estimulado por catalisadores dessa natureza, rompe com todos os dogmas tradicionais e abre as portas de um mundo novo e colorido que, dependendo da abordagem, pode se transformar em um enorme pesadelo. Pode ter acontecido com o jovem Cadu, assassino de Glauco, e levanta a questão de até onde é possível ir com a ingestão de alucinógenos, ainda que sob os auspícios de um ritual religioso. Querendo ou não o Daime conta com o princípio ativo DMT, susbtância psicodélica que afeta o sistema nervoso central e cria alucinações. O que vi, na prática, não foi diferente disso.




A revista Veja foi a primeira a jogar lenha na fogueira: publicou artigo em que especialistas afirmam que a ingestão do Daime por parte de portadores de doenças psíquicas e esquizofrenias só potencializa o quadro clínico. Os daimistas levantaram suas vozes em uníssono para criticar o artigo evidenciando, inclusive, o uso do Daime para fins terapêuticos ou no tratamento de drogados. De uma forma ou de outra, o que se vê é a descontextualização do uso do chá, originalmente atribuído aos incas e posteriormente transferido aos índios do alto Amazonas até chegar às mãos do mestre Irineu, responsável por disseminá-lo em território nacional no início do século XX. Logo, a chamada 'doutrina da floresta', que combina elementos cristãos, espíritas e da própria natureza, ganhou ares urbanos e milhares de novos adeptos.




A questão, portanto, não se resume a factibilidade do uso ou a união de pessoas embuídas (ou não) do espírito religioso para comungar do símbolo e alçar vôos ousados (posso usufruir dos efeitos do Daime, por exemplo, para alcançar a excelência espiritual - ou posso fazê-lo porque sou um maluco beleza e quero mais é curtir a vida e experiências alucinantes como esta que ela me proporciona). Diz respeito a saber por onde caminhar, sem deslizes que podem terminar em tragédia. Não digo que este tenha sido o caso do Glauco - um cara que, diga-se de passagem, colocou-se a serviço do Daime para iluminar o caminho de outros, assim como o Daime já havia feito com o seu - mas é essencial que barreiras sejam criadas a fim de evitar que pessoas despreparadas surtemr. É como um aviso para grávidas ou portadores de problemas cardíacos em fila de montanha russa.
Como experiência e, sobretudo, transcendência, valido a jornada. Minhas definições de limite, universo e vida ganharam contornos nunca antes imaginados.



Crédito da foto: Jeen the flyingrat



20 de março de 2010

Escrúpulo? Só se for no Aurélio...


Fraudar uma licitação pública, pra quem é do ramo, é coisa relativamente fácil. Imaginemos a seguinte situação: um orgão público abre concorrência para a construção de uma determinada obra (sua nova sede, por exemplo). Um edital é publicado e as construtoras que se encaixam nos requisitos participam, cabendo àquela que apresentar o melhor preço, atendendo às necessidades da obra, a responsabilidade de tocá-la. simples assim.
O custo médio da obra pode chegar, digamos, a R$ 100 milhões, e seria natural que os valores orçados por cada construtora girassem em torno deste número. Mas não. O que fazem os espertinhos: reunem-se por fora, como faz a máfia siciliana, estimam o menor custo em R$ 150 milhões para uma delas e passam 3 ou 4 propostas acima deste valor. O orgão público dá ganho à proposta de R$ 150 milhões e as construtoras, diante do acordo que fizeram, dividem o lucro entre si.
Não se trata dos mecanismos que regulam preço no mercado. Você pode se apaixonar por um relógio na vitrine de uma joalheria e se dispor a pagar uma fortuna por ele não só porque estará comprando a possibilidade de manter-se a par do tempo, mas o status que a peça lhe proporciona. Se você vai gastar R$ 1.000,00 ou R$ 10.000,00 o problema é seu, o tamanho do seu ego haverá de determinar o real valor que o tal relógio tem pra você. Enquanto houver uma pessoa disposta a gastar R$ 10.000,00 em um relógio (demanda), haverá fabricantes dispostos a produzí-lo (oferta). Assim funciona o mercado, qualquer mercado. Construa você sua "nova sede" e fatalmente se verá diante da mesma questão.
O procedimento das construtoras, ao criar o cartel, parte do pressuposto que sangrar os cofres públicos é política comum de quem vê, na prática, o ganho ilícito, porém já formalizado, de todas as instituições que trafegam na esfera pública. O pensamento vigente é 'todo mundo é ladrão, todo mundo se apropria do que não é seu, todo mundo não tá nem aí para as carências de infra estrutura do país. Deixa eu garantir o meu!'
Se esquecem que os R$ 50 milhões do exemplo poderiam ser aplicados em escolas, moradias ou saúde. Sabem que, na prática, os R$ 50 milhões e tantos outros milhões estarão nas mãos de deputados, prefeitos, governadores, fiscais, auditores e tantos outros. É ladrão roubando de ladrão!
Agora vem a parte cômica da história e que fala diretamente ao título do post. Entende-se por escrúpulo a "consciência dotada de sentido moral, caráter íntegro". Que isso não existe em política não é novidade, até os mais incautos sabem disso. Mas a palhaçada parece não ter limites: após um acordo entre construtoras para a execução de uma obra, como no exemplo, a que "venceu" deu calote em outra e não pagou a parte que lhe cabia. Resultado: a construtora prejudicada entrou com uma ação na justiça. Quá quá quá quá quá!!! Não é ridículo? Não é fazer piada em praça pública? Tipo dois caras assaltam um banco, um deles foge com a grana e o outro vai dar parte na polícia! Pelamor, os caras acham que somos um bando de imbecis, isso não tem o menor cabimento. Onde já se viu tamanho descaramento? Que espécie de país é esse que aceita esse procedimento, ou melhor, que permite que indivíduos dessa estirpe se manifestem? Bola de ferro nesse caras e trabalho forçado já!
O resultado (menos mal): a construtor "prejudicada" perdeu a ação e a justiça encaminhou cópia do processo à polícia federal, que abriu inquérito sobre o caso.
Em tempo: a obra em questão é a nova sede do Instituto Nacional de Criminalística, orgão que comanda investigações sobre as atuações fraudulentas de, entre outras corporações, nada menos que as construtoras. Vou ter que parar por aqui porque já não estou alcançando o teclao, rolando no chão de tanto rir...
Como diz minha amiga Dani (Dani, parabéns pelo seu aniversário hoje!!): BENZADEUS!!!

14 de março de 2010

Quem quer ser um bilionário?


A revista Forbes aponta, todo ano, as fortunas pessoais que superam a marca de 1 bilhão de dólares. Em 2010 a lista dos felizardos foi encabeçada por Carlos Slim, dono da Telmex mexicana (a Claro, no Brasil) que desbancou o eterno Bill Gates, da Microsoft. A fortuna de Slim supera os 50 bilhões de dólares.


O Brasil conta com 15 bilionários na lista, empresários de gabarito que construíram suas fortunas em negócios de mineração e petróleo, bancos e fundos de investimentos ou no varejo. Juntos, respondem por mais de 80 bilhões de dólares em patrimônio e não faço nenhuma crítica nesse sentido, o céu é o limite - desde que sejam respeitados princípios éticos, fiscais e trabalhistas - no mundo capitalista e as oportunidades de negócio aí estão para quem souber aproveitá-las. O que fazem ou deixam de fazer com seus recursos é questão exclusivamente deles e de suas consciências, não minha.


A minha diz respeito ao abismo colossal que este país não é capaz de administrar: 15 indivíduos concentram capital suficiente para, de acordo com a faixa de renda média anual levantada em 2009 pelo Instituto Análise, cobrir o ganho de mais de 8 milhões brasileiros (6,5% da população economicamente ativa, cujo renda média anual remonta a R$ 9.780,00). Ou seja, distribuindo-se a riqueza acumulada equalitativamente por cada um desse bilionários tupiniquins, seu potencial econômico, como indivíduos, equivale ao trabalho anual de meio milhão de brasileiros. Uau!


Ótimo que existam níveis elevadíssimos de renda para que padrão, recursos e empregos sejam gerados. O capital, ao permitir o desenvolvimento econômico de uma nação permite, ao mesmo tempo, seu amadurecimento social e o traço cívico que enxerga, na sociedade comum, algo maior do que a simples condição individual. As empresas geradoras de riqueza tem a responsabilidade social de fomentar o desenvolvimento e a arrecadação de impostos é fundamental para isso. É necessário que o orgão controlador, no caso o Estado, crie instrumentos para obter e distribuir recursos, sempre de acordo com o potencial econômico de cada contribuinte envolvido. No Brasil, como é sabido, obter é fácil. Distribuir é que são elas.


Constamos na lista de países com as piores distribuição de renda, ao lado de potências como Namíbia e Serra Leoa (que manteve-se em guerra civil por mais de 10 anos). A razão é simples e permeia todas as nossas instituições: o desvio de recursos em benefício próprio, coisa que os Sarneys, Arrudas, Collors, Malufs, Dirceus, Lalaus, Edmars e tantos outros sempre souberam fazer com maestria. O sangramento, em todos os setores, contribui para a degradação das instituições que deveriam fortalecer o capital humano, a começar pela educação, passando por saúde e saneamento básico, até chegar em valores que, para grande maioria da população, não passa de sonho ou luxo. Na verdade não precisamos ir tão longe, basta que a mais básica das necessidades seja satisfeita (pausa: esse é o ponto em que retorno ao post depois de sair para levar minha filha; passo pelo fim da feira na rua Oscar Freire, é deprimente ver o que junta de gente para levar os restos).
Apropriar-se de algo alheio deveria ser motivo de dor, ainda que na consciência, destes párias que fazem do ganho fácil sua fonte de subsitência, traço cultural herdado de gerações e mais gerações de políticos nefastos que levaram a questão da exploração ao extremo. Constróem-se, desta forma, muros para sua exagerada existência - longe daquilo que se propuseram a fazer. É inadmissível que o que arrecadamos, inclusive através dos bilionários que fazem parte da lista da Forbes - se perca em bolsos, meias e cuecas! Ainda não desisti da idéia de colocar uma guilhotina em frente ao congresso para servir de aviso.
A dignidade de um povo passa pelo seu poder em rechaçar indivíduos que o agridem, seja em que sentido for. Que o fdp do Arruda seja apenas o começo.
Quanto ao bilionário, me contento com o solidário. Boa semana!

11 de março de 2010


Entrevista concedida à Radio Jovem Pan para o então 'âncora' do Show da Manhã, Milton Leite, hoje narrador esportivo da ESPN Brasil. Bons tempos!


10 de março de 2010

Sunday Morning





Texto da amiga Fabiana Motroni do blog O prazer do texto, inspirado em foto que fiz no último domingo. Parabéns ao seu pai, Fabi!



poesia silenciosa

a foto suspende o tempo

o menino observa o lento

correr da caneta

eternográfica

no papel que come letra

e cospe palavras

cruzadas as vidas

de cada menino

um no dia claro

outro na câmera escura



a registrarem

o destino



inevitável

das gentes

das semanas

de todo afã



que tudo na vida termina

e começa

novamente

num domingo de manhã





(ao aniversariante do dia, Francisco Antônio, meu pai)

4 de março de 2010

Albertinho, sou teu fã, cara...

Já escrevi sobre Einstein em fevereiro do ano passado ('Einstein', siga o link). Enalteci não apenas a genialidade do físico e sua contribuição para a humanidade, mas aspectos outros demonstrados em sensíveis considerações que bem se adaptariam à visão de um poeta, pintor ou músico (que declarou ele que teria sido, caso não tivesse optado pela ciência).

Pois bem, Albertinho nos brinda aqui com mais uma de suas pérolas. Se o frio é a ausência de calor e a escuridão a ausência de luz, intui ele, o mal é a ausência de amor. Tratemos pois do amor enquanto concepção universal, não o amor restrito que aprendemos a distribuir apenas àqueles que nos cercam, familiares e amigos. Não instituí-lo em larga escala é lidar, depois de ultrapassado um certo ponto, com lacunas que criam abismos sem volta. A mera questão da distribuição de riquezas, lembrando que é o planeta que coloca à nossa disposição, evidencia de maneira absoluta e cruel o tratamento que damos aos 'nossos' e aos 'outros'. É torturante pensar em um país que possui toneladas de grãos em estoque enquanto outro, provavelmente encravado no continente africano, vê sua população dizimada pela fome. Que espécie de amor é esse que atende a uma pequena minoria da raça? Que espécie de amor é esse que privilegia uns e outros, mas não parece capaz de derrubar barreiras em nome da vida? Isso não é amor. Ao contrário, é a ausência dele, como Einstein postula, que cria o mal e consequentemente o desequilíbrio com o qual teremos que lidar até o fim de nossos dias.

Inexorável destino.


Pessimismo à parte, é lindo enxergar o mundo sob a ótica do eterno gênio. Click no filme e boa viagem!