28 de janeiro de 2010

Just Breathe!

Acordes se perdem no infinito em inspiração divina.
Melodia, corações, sutilezas...

By Pearl Jam

26 de janeiro de 2010

11 de janeiro de 2010

The Phérias!




Out por 15 dias, merecido descanso do guerreiro. Volto 26/1 cheio de gás, com novos posts e vida. Ah, o Mogli da foto é meu sobrinho querido, o Vitinho... Até a volta!

6 de janeiro de 2010

Pagando o preço (parte I)



Até que ponto somos responsáveis pelas mudanças climáticas que o planeta tem apresentado ao longo dos últimos anos não dá pra dizer com absoluta precisão. Mas que nossa parcela de irresponsabilidade contribui, e muito, não resta a menor dúvida. Meu ponto é simples e despido de qualquer pretensão filosófica ou mistério: plantou, colheu. E fim de papo. Se o objetivo do homem é fazer deste 'pálido ponto azul' fonte inesgotável para sustento de seus caprichos, está na hora - ou melhor, já passou da hora! - de rever seu modo de vida. A indústria e o sistema de transporte, por exemplo, dependem de fontes não renováveis de energia como o carvão ou o petróleo, cuja queima concentra maior quantidade de gás carbônico na atmosfera e eleva a temperatura do planeta. Claro que não podemos mudar, pensar no colpaso do sistema é totalmente insano, levaria ao colapso financeiro e ao fim do mundo. E não é que chegamos ao mesmo ponto, de uma maneira ou de outra?


Escolhemos o caminho mais doloroso, aquele que sacrifica vidas e mexe com o equilíbrio da Terra. Londres enfrenta o pior inverno dos últimos 30 anos, não é preciso falar das chuvas que se precipitaram sobre o Rio e que causaram desmoronamentos em Angra. É como se em um sistema regulado pela troca tivéssemos que disponibilizar o que nos é mais precioso, em nome dessa relação vampiresca que mantemos com o planeta. Se nos anos 70 não havia limites para o descaso - a indústria americana produzia banheiras móveis que bebiam gasolina sem precedentes - tampouco havia a preocupação com as possíveis consequências. O que talvez não tenham se dado conta - ou sarcasticamente o fizeram - é que armaram a bomba relógio para que explodisse em nossas mãos.
Em o último mensageiro, o tema foi abordado da seguinte forma:

"Se eram interesses econômicos que estavam em jogo, que ficasse então sob responsabilidade das gerações futuras os possíveis reparos. Afinal de contas, não era pensando nelas que o sistema se perpetuava? O mundo precisava de estabilidade, consumo e conforto e havia somente um caminho que garantia tais necessidades: o mesmo que a humanidade optara por trilhar desde a revolução industrial. Exigia um certo sacrifício da natureza, é verdade, mas ela não estava lá para isso? Somos nós os degenerados que trabalham até a exasutão, na maioria das vezes sabendo o momento de parar antes que sobrevenha o colapso. Mas quando se trata de um planeta cheio de recursos, que diferença faz uns anos a mais ou a menos em meio a mais de 4 bilhões desde sua suposta origem? Quando o momento definitivo chegar, as tais gerações futuras terão à sua disposição novas tecnologias, prontas a reverter qualquer prognóstico mais pessimista, prontas a carregar o fardo por elas herdado sem maiores consequências. Ou não?"

Ainda estamos longe disso. E seguiremos colhendo o que plantamos...

31 de dezembro de 2009

Feliz 2010!


Agradeço a todos que por aqui deixaram suas marcas, expressas ou impressas, sorvendo dessa doce energia que nos une. Que 2010 traga mais cores, mais sabores, mais valores e toda sorte de amores, preenchendo nossos espaços em busca de harmonia, individual e coletiva. Façamos pois, de nosso caminho, atalho para o caminho de todos. Façamos pois, um brinde, estenda sua taça e feliz 2010!

29 de dezembro de 2009

Frases que gostaríamos de ouvir em 2010


1. Nem pense nisso, pode deixar que eu mesmo faço!

2.Foi um prazer atendê-lo!

3.Eu te amo!

4.Não farei da forma que você sugere, o compromisso da minha empresa é com o ambiente!

5.Grana? Você ficou louco? Eu sou um político de respeito!

6.Que idéia essa sua de dividir com os outros, hein? Viu só a cara de contentamento deles?

7.Como poso lhe agradecer por tamanha bondade?
8.Filho, ainda tens muito para conquistar ao longo da sua vida. Se souberes respeitar o próximo, estarás sempre um passo a frente!

9.Era a minha vez, mas não vejo porque não deixar a senhora passar na frente!

10.Eu já estava mesmo cansado de ficar sentado, o lugar é seu!

11.Ei! Ei! Essa carteira caiu lá atrás, acho que lhe pertence!

12.O senhor que ajuda para atravessar?

13.Sinto muito, senhor, o senhor deve entrar na fila e aguardar. O terno e a gravata não lhe dão nenhum privilégio!

14.Se eu sei quem o senhor é? Honestamente não. Alguém na fila sabe quem é esse homem de
terno e gravata? Parece que ele está tendo uma crise de identidade...

15.Estive pensando... Se eu desviar recursos da merenda escolar, provavelmente alguma criança passará fome. Não farei isso em nome do futuro deste país!

16.Que a paz reine entre todos vocês!

Alguma sugestão?

27 de dezembro de 2009

Beija Flor!


















































"É o seu eu que pede passagem em busca das coisas que verdadeiramente falam ao coração"

Dito. E feito.
Feliz 2010!





19 de dezembro de 2009

O eu, invisível indivisível



O início do último decêndio de dezembro marca também o início da contagem regressiva para o ano novo, eterno encubador dos sonhos de renovação. Vale mudança de visual, fazer regime ou ir atrás de um novo emprego. Descobrir o amor, inscrição na academia, virar a própria mesa ("morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho; quem não se permite, uma vez na vida, fugir do conselho dos sensatos" - Pablo Neruda). Jogamos nossas melhores intenções no novo ciclo que se abre e sabemos que, antes mesmo do carnaval, já teremos esquecido metade do que havíamos prometido para nós mesmos.

A desaceleração de dezembro, tendo em vista a expectativa do ano novo, nos permite recuperar um pouco do folêgo e prestar atenção ao que está a nossa volta. É como se dirigíssemos um veículo em alta velocidade ao longo de quilometros e quilometros e, ao diminuir, nos damos conta da paisagem exuberante que nos acompanha. Ela sempre esteve lá e nós, no ritmo alucinante que toma conta de nossas vidas, é que a apagamos de nossos registros. Mais adiante, quando sentirmos necessidade de aumentar a velocidade, ela novamente desaparecerá e dará lugar à névoa que permeia nossos pensamentos e atitudes, fazendo-nos voltar a ser o que sempre fomos. Essa é nossa natureza.


Aproveite seus momentos de lucidez, que haverão de desaguar no ano novo, para enxergar sua paisagem, ou os aspectos da sua vida que você costuma dar valor e que foram engolidos no meio do caminho. É o seu eu que pede passagem em busca das coisas que verdadeiramente lhe falam ao coração: um passeio pelo campo, um momento de meditação, um abraço amigo. Não importa o que seja, o que vale é estar alinhado com a sua verdade interior. Esforce-se para mantê-la acessa ao longo do ano e, ainda que haja percalços, faça com que a semente da boa intenção gere seus frutos. Você dissemina um pouco de você mesmo pelo planeta, no micro ou no macro ambiente, e faz o registro de sua passagem por aqui. São suas as pegadas que ficam.

E o seu eu, este invisível indivisível, seu amigo inseparável (mesmo quando você não está presente e não presta atenção na paisagem), agradece. Feliz 2010!

10 de dezembro de 2009

Sucessão de erros




É da natureza humana a dificuldade em lidar com a morte. Quando ela atinge crianças, então, o assunto ganha contornos que escapam à compreensão e questionam os desígnios divinos em busca de explicações, ainda que sem sentido, que justifiquem a ceifa. Migramos da letargia ao ceticismo, cobertos de dúvidas quanto à própria existência. Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Por que tão cedo? Mergulhamos em questões embriagados pelo drama da vida, rompendo de vez a barreira que nos transporta ao irracional. É o sentimento de revolta que assume o comando porque sabe que, não fosse pelo casuísmo que toma conta deste país, tragédias como a desta semana poderiam ser evitadas.


Na última terça-feira, depois das fortes chuvas que abalaram a cidade de São Paulo, seis mortes foram registradas. Quatro irmãos, entre eles três crianças (duas de 7 e uma de 9 anos), morreram sob a terra que engoliu o barraco em que dormiam. Para quem ainda carrega um pouco de sensibilidade, a reação é de tristeza e de consternação, pensando nos pais que terão a árdua tarefa de enterrar quatro filhos. Dois ou três dias depois esqueceremos o fardo que este casal carregará para o resto da vida, se ainda tiver disposição para olhar de frente para ela. O que vejo, em meio a tragédia, é uma sucessão de erros que deixa qualquer cidadão indignado.

Essa família não morava em uma zona de risco de deslizamento por espontânea vontade. Morava, com conhecimento de causa ou não, porque não há qualquer movimento do estado no sentido de impedir que estas áreas sejam habitadas. E por que? Porque o estado vai tirá-los de lá e levá-los para onde? Se interferir na questão terá também a responsabilidade de solucioná-la, o que não se encontra em condições de fazer (vale lembrar que boa parte das mazelas sociais e econômicas são foco da iniciativa privada, que através de ONGs e obras assistenciais desempenham o papel que caberia ao estado). O poder econômico é cruel e não cabe a mim questioná-lo, diferenças sempre haverão de criar desequilíbrios dentro de uma sociedade, uns com mais, outros com menos. É natural que seja assim e que cada um batalhe por seu espaço, lutando com dignidade para alcançar outro patamar. O estado, neste contexto, tem a responsabilidade de regular diferenças e criar condições para que as classes menos favorecidas progridam através de políticas de desenvolvimento, a maioria delas (se não todas) bancadas pelos otários como nós que pagam seus impostos em dia. Os erros começam na arrecadação e terminam em tragédia.

Conheço empresas que propositadamente não recolhem ICMs e, quando vão à juízo, já tem todo o esquema comprado para deixar menos dinheiro nas mãos de juízes, fiscais e advogados do que se tivessem que recolhê-lo aos cofres públicos. Dos males o menor, dizem, ainda que sob risco de serem flagrados, o que em mais de dez anos de esquema nunca aconteceu. Para onde vai o dinheiro? Para o bolso dos corruptos. E camelô, recolhe imposto? Claro que não, mas paga uma grana para manter polícia e fiscalização o mais longe possível de seus domínios. Para onde vai o dinheiro? Para o bolso dos corruptos. Brasília e o escândalo do mensalinho: só veio à tona porque um dos gatunos foi precavido e não quis pagar o pato sozinho. Ou vamos ser ingênuos a ponto de não acreditar que a mesma coisa rola em SP, BH, RJ, RS e pelo país afora? Mas é óbvio! Ninguém tá nem aí com o que vai acontecer com o Zé Povinho que mora em áreas de deslizamento, se é a mãe, o pai, o filho ou o espírito santo que vai dessa pra melhor. Mas sequestre o filho de um deputado pra ver o que acontece, é capaz de até a Interpol estar no seu encalço.

É preciso coragem para mudar. Enquanto as raposas tiverem a chave do galinheiro, a dignidade passará longe da farra e a cidade, infelizmente, seguirá enterrando suas crianças. Que futuro pode se esperar de uma sociedade que não sabe preservar seus próprios filhos?


6 de dezembro de 2009

Heróis Anônimos: Patricia Polli

A habilidade em modificar o ambiente confere ao homem, em sua sina perversa, o poder cego que ultrapassa as barreiras da sanidade. Destruir o meio em que vive em troca de recursos outros de maior valor no mercado de consumo, leva ao desgaste irreparável da Mãe Natureza e de seus elementos, na prática que encerra, a médio prazo, a realidade do esgotamento.
Há, felizmente, quem trabalhe no caminho inverso.

Nascida em Jundiaí ('japiense', como ela mesma se define), Paty é uma incansável batalhadora pela preservação da Serra do Japi e sua biosfera. O Japi é uma cadeia montahosa que se divide entre os municípios de Jundiaí, Cajamar, Pirapora do Bom Jesus e Cabreúva e representa uma das últimas porções de Mata Atlântica no estado de São Paulo. "O que aprendo, do ponto de vista científico, procuro transmitir em linguagem acessível, através de um conto ou de uma poesia", diz ela, e que o faz com maestria em seu Blog Ecos do Japi, em textos líricos que traduzem a essência de sua ligação com a natureza.
Formada em gestão ambiental, Paty desenvolve seu trabalho de monitoramento e educação na reserva do japi há dez anos, levando grupos pelas encantadoras trilhas da serra que conhece tão bem. Também faz parte do conselho de gestão do território da serra do Japi, que tem por objetivo avaliar pedidos de novos empreendimentos ou atividades na região. E indo além, presta consultoria ambiental para empresas que desejam se instalar na região - regularização e licenciamento, gerenciamento de resíduos e sistemas de tratamento - criando assim o equilíbrio natureza x desenvolvimento que este planeta tanto precisa.

Paty, as borboletas, cachoeiras, esquilos e tantos outros filhotes da fauna e flora do Japi agradecem. E nós, que vemos destruição onde a mão do homem alcança, também. Esse mundo precisa de mais heroínas como você!

22 de novembro de 2009

No país do pau brasil


A ambição da coroa portuguesa em estabelecer rotas de comércio com o Oriente e garantir o suprimento de especiarias à corte acabou por trazer, por simples obra do acaso, Cabral e sua desajeitada frota a terras tupiniquins. A saga dos aventureiros lusos todos conhecemos, exaltada em tonalidades heróicas nos livros de história ou nas imagens fantasiosas que se solidificaram em nosso subconsciente - quem é que não fica com aquele quadro da primeira missa rezada no Brasil na cabeça? Até índio devoto de Santo Antonio tinha!

A prática exploratória, traço característico da política colonialista, logo deu as caras em terras Brazilis com a extração do pau brasil e quase levou a espécie à extinção (ainda hoje o pb encontra-se na lista de espécies ameaçadas do Ibama. Interessante notar que não apenas a madeira em si era objeto de cobiça, mas a resina obtida no processo de extração caia com perfeição à indústria têxtil da época no tingimento de tecidos). E acho que foi a partir daí que se iniciou o jogo de interesses espúrios que se perpetua até os dias de hoje.
O pau brasil e a população indígena nativa, envolvida por 'livre e espontânea vontade' no processo extrativo (provavelmente em troca de que um super hiper mega ultra desejo de ser catequisada fosse atendido), foram substituídos pelo sistema monetário moderno e por nós, seres 'evoluídos e questionadores'. Piada. Na verdade, somos os mesmos otários que, se na época do descobrimento se satisfaziam com espelhos e miçangas, hoje conformam-se com a atuação vampiresca de uma minoria (tão nobre e altruísta quanto nossos antepassados navegadores) que não se cansa de inventar artifícios para fazer valer seus supostos privilégios. Pode o povo morrer de fome, mas foda-se, há outras prioridades para o dinheiro público. Ou não é para isso que serve a verba indenizatória?
A famigerada 'verba indenizatória' foi criada pelo então presidente da câmara Aécio Neves (quando se trata de poder, meus amigos, não tem PT, PC, PN, PJ ou PZ, à noite todos os gatos são pardos) em 2001,em um ato pernicioso que aumentou indiretamente o salário de deputados e senadores através de, digamos, uma forcinha extra que nem dava muito na cara. Bastava aos nobres deputados e senadores apresentar notas fiscais de suas despesas extras e tava tudo resolvido (só em 2004, quase R$ 1,5 milhão foi gasto em combustíveis e as notas dos 'supostos de gasolina' mantidas em sigilo). Não daria na cara, protestariam os mais cautos, se os filhos da puta que habitam essa vergonha que é o congresso não utilizassem a verba em suas próprias empresas (foi assim que começou a saga do Edmar safado Pereira, dono do castelo em Minas Gerais, usando a verba para pagar funcionários de sua própria empresa de segurança que nunca viram a cor do dinheiro. E o que aconteceu a esse nobre deputado? Nada, tá lá, rindo da nossa cara) ou pior, em empresas que nem existem, como noticiou a Folha esta semana (há que se louvar, e muito, o trabalho do jornalista Fernando Rodrigues). Ou seja, nego inventa uma despesa de uma empresa fantasma, que simplesmente NÃO EXISTE, e enfia a grana no bolso. E os indíos aqui, o que fazem? Observam a passagem dos navios portugueses carregados com o seu precioso pau brasil. E se bobear sorriem, embasbacados com os espelhinhos que ainda ostentam nas mãos. Não dá mais pra engolir.
Celso Pitta, um dos maiores ladrões de dinheiro público que esse país já teve, morreu outro dia (como disse meu pai, tamanha ironia: Pitta, o ex-prefeito negro, morreu no dia da consciência negra, o que obriga Maluf a morrer em um 1 de abril e Lula e em 1 de maio), e quisera eu que a prática exploratória, iniciada há mais de 500 anos, tivesse morrido com ele. O ex da Nicéia foi-se no ostracismo porque, depois de levantadas e comprovadas todas as denúncias contra sua pessoa, tentou, em vão e por duas vezes, se candidatar a deputado. Se fudeu, votação pífia. Quebrou a cara, foi preso de pijamas na operação Satiagraha e pagou com a própria vida. Ao menos serviu de exemplo.
Façamos pois do voto nossa arma, conscientizemos os da nossa tribo que ainda olham deslumbrados para os espelhos em suas mãos e quebremos, de uma vez por todas, o encanto, nem que seja necessário partí-los ao meio (os espelhos, lógico) e correr o risco de 7 anos de azar. Até porque, do jeito que está, corremos outro risco, o de seguir 7, 14, 21 e tantos outros anos olhandos as naus portuguesas se perderem felizes no horizonte...













11 de novembro de 2009

Intolerância

A humanidade dá mostras que soube aproveitar, através dos séculos, o precioso tempo que a providência divina reservou-lhe neste planeta. De lúgubres cavernas, migramos para moradias estruturadas com conforto e higiene; fazemos em minutos viagens que nossos antepassados, no lombo de mulas, levavam semanas; e se a batalha de Maratona entre gregos e persas fosse hoje, Fidípedes, o famoso guerreiro que percorreu os 42km que separavam o campo de batalha da cidade de Atenas, teria enviado uma mensagem no twitter dizendo: "Alegrai-vos, atenienses, nós vencemos!" - e isso apenas para constar, já que os gregos teriam acompanhado o embate em um telão instalado no Partenon sob o patrocínio de alguma marca de cerveja, cigarro ou do Mac Donald´s ('Um big macrópolis com fritas e diet coke sem gelo, please')

Certas práticas, como podemos constatar, mudaram. Outras não. Da mesma forma que fomos capazes de voar, fazendo jus ao sonho de Ícaro, também fomos capazes de manter os mais absurdos preconceitos, enraizados nas "profundas" concepções que nós, humanos, criamos para nossa própria diferenciação. Se a cor da pele, naturalmente, fala por si mesma, fomos além e instituímos as práticas religiosas, as preferências sexuais, tendências políticas, futebolísticas, nacionalistas e tantas outras que, sob a ótica humana (em sua grande maioria), são unilaterais. Não ser capaz de aceitar a opinião alheia ou seus valores é como dizer que aquele que não é por mim contra mim está.

Vivi a experiência esta semana, quando um pai deixou de ir ao casamento do próprio filho, um menino de ouro, porque a noiva não compartilhava da mesma concepção religiosa. Já passei por diversas rupturas na minha vida entre casamentos, separações e nascimento de filhos, abrindo e encerrando ciclos que formataram minha história em cada um destes registros, e me lembro como foi importante compartilhar, com amigos e família, o momento de casar e assumir uma nova vida. Não há - ou pelo menos não deveria haver - motivação religiosa ou de qualquer outra natureza capaz de se interpor entre laços de sangue. E é aí que me questiono até que ponto chega a insensatez humana para justificar suas convicções e abrir mão de significativos pressupostos, jogando pela janela 30 anos de convivência. Não há feridas que o tempo não cure, diz o ditado. Mas as cicatrizes são para sempre.

É preciso dar ao homem mais sustentação, não apenas para que fixe suas bases, mas para que inclua valores, princípios e ideais diferentes dos seus. Quando a semente da intolerância e da discórdia for finalmente superada, aí sim talvez tenhamos condições de construir uma sociedade mais correta, que respeite escolhas e individualidades. E enquanto isso não acontece, continuaremos criando nossos próprios abismos.

Crédito da foto: Phinaphantasy