
Vozes se levantam, a favor e contra. Vídeos e mensagens pululam na internet, a favor e contra. A comunidade judaica se posiciona, exibindo vídeos da abordagem e mensagens de enfermeiras que atenderam ao chamado quando convocadas ao porto de Ashdod, para onde foi desviada a flotilha. O antisemitismo cresce, surgem comentários bestiais nos mais diversos sites, basta acessar a Folha On Line ou a UOL para verificar do que são capazes os ignorantes. A repercussão é enorme e a pergunta que sobrevem é: quem está com a razão?
Os judeus dirão que a terra prometida por Deus e por eles habitada durante milênios lhes pertence. 1 x 0. Os palestinos haverão de alegar que de lá foram expulsos depois da guerra de independência, em 1948, e que nada fazem além de querer retornar a seus lares (e que se não vai por bem, vai por mal). 1 x 1. Então de quem é a culpa?
O grande vilão (agora sim) é o processo histórico. É ele quem estimula a ação opressiva do homem através dos séculos, seja ele judeu, muçulmano, inglês ou argentino. Quando se trata de supremacia e conquista não existe cor, credo ou raça que sobrepuje o caráter humano.
Vejamos: nos primórdios, como narra o antigo testamento, Abraão deixou sua cidade natal, Ur, na Caldéia, a mando de Deus. Seguiu em direção a Canaã (hoje território israelense) para dar início a história do povo judeu e sua ligação com 'Eretz Israel', ou a Terra de Israel. A história segue com os outros patriarcas (Issac e Jacó), com os reis (Saul, Davi e Salomão) e com a divisão do país nos reinos de Israel e Judá, invadido em cerca de 600 a.c. por Nabucodonosor e os exércitos babilônicos. O templo é destruído e dá-se início a chamada primeira diáspora, quando os judeus são obrigados a deixar suas terras para só voltar 70 anos depois, quando os persas derrotam os babilônicos. O templo é reconstruído e a região passa pelo processo de helenização quando Alexandre, o Grande, conquista os persas. Depois cai em mãos romanas, época em que recebe a denominação de Palestina. Na tentativa de expulsar os romanos, por volta do ano 70 d.c., os judeus são novamente dispersos(segunda diáspora) e o templo uma vez mais destruído.
É quando os judeus espalham-se pela Europa, o império romano é dividido e sua porção oriental toma capital em Bizâncio. Enquanto seguem no exílio, o avanço do Islã conquista a região, cruzados e muçulmanos brigam por Jerusalém, os otomanos a dominam por séculos até passar à administração britânica com o fim da primeira guera mundial. Os judeus são perseguidos na Europa e o movimento sionista ganha corpo, primeiro no início do século XX, depois com maior intensidade após a segunda grande guerra. O 'voltar para casa' se intensifica.
Entretanto, desde a saída dos judeus sob domínio romano, no século I, até seu retorno mais contundente, no século XX, populações árabes se instalaram na região (lembrando o crescimento do islã a partir do século VII). Ou seja, quando do retorno à terra prometida, encontraram novos 'proprietários'. A princípio, entre 1910 e 1920, os árabes optaram por vender parte de suas terras para os novos antigos moradores. Mas a partir daí, receosos de que poderiam perder sua identidade e seu país, os conflitos começaram, arrastando-se por quase 3 décadas até que a recém criada ONU propôs, em novembro de 1947, a partilha das terras, criando-se um estado árabe e outro judeu dentro do território e tendo Jerusalém como cidade internacional e administrada pela própria ONU. A agência judaica topou, a liga árabe não. 6 meses depois, a 14 e maio de 1948, com o fim do mandato britânico e a retirada das tropas da região, Israel declarou sua independência.
É nesse momento que o drama palestino se intensifica. Jordania, Egito, Síria, Líbano e Iraque atacam o novo país e são sumariamente derrotados (parte do processo histórico). Tudo que conseguiram foi aumentar o território israelense em mais da metade da área que a ONU havia destinado aos árabes e criar uma massa de refugiados palestinos calculada em 700 mil. Gaza e a Cisjordânia, regiões onde hoje concentra-se o povo palestino, foram incorporados ao território israelense mais tarde, em 1967, após a guerra dos seis dias. O resto da história se desenrola com mais guerras, ataques suicidas, revides, invasões e a série de embates que bem conhecemos.
É neste ponto que entra a crítica ao processo histórico e ao absurdo conceito de apropriação e conquista. Que o digam os nativos americanos, os incas, os tupiniquins, todos alijados de suas terras e riquezas e vivendo sob domínio alheio. Até o final desta semana, os mesmos olhos que hoje desaprovam a ação israelense estarão voltados para a copa do mundo, na África do Sul, país que há pouco tempo caracterizava-se pelo apartheid e a opressão da maioria negra. Ora, isso só ocorreu porque em determinado momento (processo histórico) nações européias resolveram 'explorar' o continente e subjugar suas populações em busca de mais riquezas. Foi assim com a Líbia, Argélia, Marrocos e Congo, entre outros. Os muçulmanos não fixaram suas fileiras na Península Ibérica até serem de lá expulsos na guerra de reconquista? Processo histórico. Não é assim que funciona a lei humana, sancionada sob os auspícios do poder? Processo histórico. Quem haverá de questionar a força em detrimento da razão?
Os judeus tem direito à terra que herdaram de seus antepassados há 4 mil anos. Os palestinos, por sua vez, também. Tiveram a chance histórica de dividi-la, mas não foram capazes de superar o radicialismo a ponto de aceitar um estado judeu. De lá pra cá a situação só tem piorado e Israel parece dar mostras que não tolerará nenhum tipo de afronta a sua política que, diga-se de passagem, passou da antiga divisão ao expansionismo, acentuando o ódio que permeia a região. Nada mais natural, nada mais alinhado com o processo hisórico.
Ao homem será dada a chance de viver em paz quando estiver capacitado a superar diferenças políticas, ideológicas ou religiosas em nome de um bem maior que abrace a espécie como um todo e não apenas determinadas populações. Enquanto isso não ocorrer, seguiremos sujeitos à mesquinhez e insignificância que caracterizam nossas lideranças e nossos atos, repletos de manchas dentro da consolidação do processo histórico.
Muito legal seu texto.Parabéns!
ResponderExcluirNão tenho certeza - corrija-me, por favor se há erro. - mas não foram os britânicos que começaram a venda de terras na Palestina para alguns judeus?
Abços
despues de leer lo que escribiste, quise escribir un comentario, y despues de terminarlo lo borre y no estuve segura de poder escribir uno nuevo que sea productivo para tu blog.
ResponderExcluirtrate de entender que me provoco el no poder escribir, y entendi que la sensacion fue de impotencia.
concuerdo en un 100% con lo que escribiste.
podemos artarnos en hablar sobre la intolerancia, el odio, las difenecias ideologicas, politicas y religiosas (en las cuales mas de uno se escuda diariamente sin tratar al menos de pensar realmente en lo que sucede), de la ignorancia del mundo y de lo poco que podemos llegar a entender (en este caso) lo que significa una guerra, ya que estoy segura que hay mas intereses economicos de lo que podamos llegar a imaginar.
que no podamos llegar a utilizar y a usufructuar toda la inteligencia que el ser humano tiene para evitar este tipo de cosas me genera impotencia.
las unicas 2 palabra que me surgen son: eduacacion e informacion.
(solo con ellas creo que podriamos cambiar un poco al menos todo esto).
Ola, Lucy, seja bem vinda. Os árabes eram os proprietários de terra e não se incomodaram em vende-las aos judeus, já que se tratavam, em sua maioria,de terrenos desérticos. Aos ingleses cabia o controle da região, inclusive sobre o petróleo, ponto determinante na 2a. grande guerra. Abço!
ResponderExcluirSiempre estamos en la cuestion de los intereses, no? Que pasa a esta gente que no sabe lo que es mirar al lado (y acá digo los radicales de los dos lados)? Bs!
ResponderExcluirTaí uma questão bem delicada, porém o pouco que sei não me permite formar um juizo. Prefiro acompanhar, entender se é que encontraremos explicações.
ResponderExcluirUm beijo
Olá André!
ResponderExcluirMais uma vez, obrigada pelas lindas palavras registradas em comentário, no meu último post.
O povo de Israel foi um povo grandemente abençoado por Deus. Abraão deixou sim, sua cidade para seguir à terra prometida: Canaã. Mas, Cristo foi rejeitado pelo Seu próprio povo e de lá pra cá, Israel nunca mais foi o mesmo. É triste ver tanta guerra, tanta morte, e tanta falta de paz.
BjO*
Olá, Isadora! O que vale, em qualquer campo, é o equilíbrio, a tendencia em estabelecer um balanço que seja proximo ao ideal para todos. Como nem sempre é possivel agradar a gregos e troianos... bjs|
ResponderExcluirPermita-me discordar de voce, San. Nao creio que Cristo tenha sido rejeitado por seu proprio povo, já que tinha milhares de seguidores. O que houve foi um trabalho de bastidores das lideranças locais para que ele fosse tirado do caminho, já que sua filosofia e pregação colocavam em risco a soberania dos sacerdotes sobre o povo. Uma vez que eram esses caras que mandavam... Deu no que deu. Bjs!
ResponderExcluirOlá, saudades deste cantinho da sabedoria, vim fazer parte do seu mundo, mas não me faça tão lucida ...rs, seu texto é importantissimo, e fazer parte do seu mundo foi formidavel.eu aki estou no oreiente em busca várias coisas, entre elas o auto conhecimento.
ResponderExcluirFica bem. com carinho
Hana
olha andré, a verdade é que no mundo corporativo do século XXI, não se dá ponto sem nó.
ResponderExcluirtá tudo errado
sofro apenas pelos que tombam nessas batalhas, porque não existem inocnetes no mundo, tirando aquela banda Punk dos anos 80.
e os ingleses começaram tudo que é desgraça no mundo, inclusive a clonagem
Sempre bem vinda, Hana!
ResponderExcluirSó a clonagem? E a saga dos goleiros frangueiros...?
ResponderExcluirOi André, bom estar aqui.
ResponderExcluirÓtima lição histórica
Ótima lição para reflexão.
Difícil ter orgulho do "Homens", mas chegamos lá
Muita paz querido amigo virtual
Ah! O café tá na "chaleira" e o queijo está uma delícia hem? As férias estão chegando e as montanhas continuam lindas hehe
Te seguindo no Twitter
ResponderExcluirAbração
Como é que a religião que devia ser o ícone da paz, consegue ser manipulada pelos homens a ponto de gerarem conflitos sem fim à vista.
ResponderExcluirAcontece infelizmente também noutras partes do mundo.
Acho que enquanto os homens existirem, existirá sempre guerra e ódio, não há volta a dar.
Excelente texto, parabéns!
Um abraço
Fê
Confesso que cada vez que tocam nesta questão israelo-árabe fico confusa...Quid iuris?Quem tem Direito a esse pedaço de terra?Pedaço de terra repleto de História e simbologia?
ResponderExcluirNum mundo ideal, as pessoas viveriam em paz, partilhando o mesmo espaço, alheios ás raças ou religiões..
Como dizia Lennon:
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace...
You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one
Era tão simpes e tão bom...
Hoje uma oração para os meus amigos:
ResponderExcluirSenhor, Olhai pelo meu amigo!
Que as pedras sejam removidas do seu caminho,
Que tenha forças para carregar seus fardos,
Que encontre coragem para resistir ao mal,
Que possa ver o amor em todos os seres,
Que seja abraçado pela lealdade,
Que encontre conforto e saúde se estiver doente,
Que seja próspero e saiba partilhar,
Que tenha paz cobrindo seu espírito,
Que sua mente obtenha os conhecimentos,
Que use sabedoria para aplicá-los,
Que saiba distinguir o Bem do mal,
Que tenha Fé para manter-se forte na dor.
SENHOR, Olhai pelo meu amigo!
Protegei cada passo que ele der,
Que a cada novo dia ele aceite o novo,
Que saiba alegremente comunicar novidade,
Que Vos sinta em todos os momentos
E que tenha o Vosso colo por toda a Eternidade!
Amém.
(desconheço autoria).
beijooo.
Obrigada pelo excelente texto, uma aula de História.
ResponderExcluirPena o teor ser tão triste...
Aguardo o dia em que ninguém será dono da Terra, nem de nada, pois nada aqui a ninguem pertence. Se eu não ver, que seja o privilégio e justiça enfim conquistada das próximas gerações.
Estou estudando num forum, o mapa da Palestina. Estranhas configurações, onde as origens ancestrais é vista pelo simbolismo do futuro e da igualdade, Aquário. E Urano/ Júpiter no eixo 2;8 , os bens próprios, e adquiridos através de parcerias estão em oposição, significando conflito por bens territoriais sim, e quem manda onde...
Todas as fronteiras do mundo estão por um fio...
Bjs
André, amado!
ResponderExcluirSumido hein??? Hoje venho lhe fazer um convite: ir conhecer o blog do Dudu (Eduardo) www.umbrasileiroembuenosaires.blogspot.com Acabei de postar no Divã. Acho que além de gostar vocês vão fazer "um tricô" só.
Beijuuss n.c.
Rê
www.toforatodentro.blogspot.com
Puxa, Mada, que visão interessante essa, conta mais!!
ResponderExcluirTô indo pra lá, Rê!
ResponderExcluirOI MSG TD BLZ ADOREI SEU BLOG. TEM COISA MUITO LEGAIS PARA PESQUISA...........BJÃO
ResponderExcluirADOREI.............MUITO OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO......................
ResponderExcluirInteressante o texto bem informativo.Pois a uma pequena duvida já que os árabes venderam pros judeus algumas terras isso também dá direito a eles e porque a intriga se foram os árabes que venderam e agora querem conquistar algo que foi perdido, e o que e pior reconquistar com sangue de pessoas que não eram nem dá ápoca e pessoa muitas das vezes inocentes isso e injustiça será que e tão difícil de se perceber que as vezes pra sair ganhando tem que dar o braço a torcer. Pra mim o orgulho do homem as vezes o cega de tal maneira que acaba se prejudicando e prejudicando os outros!!!
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