18 de novembro de 2015

PARIS, MARIANA E O TERRORISMO


Se há um elemento comum às tragédias de Paris e Mariana é o terrorismo. Sim, porque se de um lado temos o terrorismo explícito, representado por bestas que se explodem em meio à multidões, de outro temos o terrorismo velado, silencioso, que corrói as entranhas pouco a pouco.

Paris foi vítima de um dos mais inomináveis atos de intolerância já registrados na história da humanidade. Radicais islâmicos estabelecem suas próprias leis através da Sharia e tratam de eliminar quem a ela não se adequa, mesmo que em ‘território inimigo’. Não há espaço para o respeito ao próximo (até porque isso é a última coisa que se espera de um chamado ‘radical’), a ação se reveste de insanidade e o resultado é um banho de sangue.

Mariana, por sua vez, também viveu um ato de terrorismo. Um terrorismo tipicamente brasileiro, que atua como se não tivesse grandes pretensões e que se transforma em catástrofe quando menos se espera. Conjuga a ineficiência e corrupção do estado com a ação predatória de empresas que colocam o capital acima de qualquer princípio, esvaziando a ética de ambos os lados. Nesta composição, portanto, não há um, mas vários grupos criminosos que colaboram para o desenrolar da tragédia. É quem constrói a barragem, quem aprova o projeto, quem o legaliza e quem o fiscaliza. Rola uma grana aqui, libera-se um laudo ali, vista grossa para não comprometer os prazos. E compromete todo um sistema, todo um habitat que levará décadas para ser recuperado, se é que isso é possível.


A França se mobiliza de todas as formas para evitar novos atos terroristas em seu território. Hollande já chamou para si a responsabilidade, uma célula terrorista foi desmantelada cinco dias após o atentado. O país superará este episódio e dele sairá mais forte.  Enquanto isso, o terrorismo brasileiro seguirá da mesma maneira, prejudicando quem menos pode, favorecendo os círculos de poder e minando a já precária estrutura do país. Esse não tem salvação e, com o perdão do trocadilho, vai se afundar no mar de lama.

20 de setembro de 2015

CORRUPÇÃO, ESPORTE NACIONAL



Não acho, sinceramente, que exista corrupção na política. O que eu acho é que existe política na corrupção. Sim, porque a corrupção é endêmica, atávica, enraizada na população como um todo e não faz distinção entre classes, apenas se vale de meios e proporções diferentes. A verdade é que, em maior ou menor escala, toda sociedade é corrupta.

A associação natural que se faz ao termo corrupção é a que remete ao poder público, à troca de benefícios por vantagem econômica. Um servidor que facilita a emissão de um documento em troca de dinheiro, um fiscal que faz vista grossa a uma infração em troca de dinheiro, um parlamentar que recebe dinheiro de empreiteiras em esquema de lavagem que hoje chega a milhões de dólares. Bando de corruptos – sim, eles são – e merecem ser punidos por seus crimes. Mas embora esta seja a associação clássica (atitudes ilegais baseadas em ganhos financeiros), não é aí que o termo se encerra. Corrupção é a antítese do que nossos avós costumavam chamar de ‘bons costumes’, a traição aos princípios morais que deveriam reger o comportamento humano e sua conduta em sociedade. Não se trata apenas de barganhas em nome do dinheiro, mas tudo que diz respeito a obter vantagens por meios não convencionais (e nem sempre ilícitos); não se trata apenas de corromper terceiros através de seus desejos, senão corromper a si mesmo pelos mesmos motivos.

Exemplos não faltam. O carro da madame na vaga de deficientes, a fila dupla na porta da escola, a torcida que pede pênalti quando nem falta foi. Outro dia esperava eu pacientemente pela pista central da Dr. Arnaldo que dá acesso à Consolação – lembrando que a pista da esquerda segue para a Av. Paulista ou é exclusiva aos ônibus que trafegam pelo corredor – quando um pelotão de carros vem cortando pela esquerda. Sarcasticamente, o carro que me fecha e ocupa meu espaço tem um adesivo em tons azuis em que se lê ‘Eu apoio a Lava jato’.

Corrupção grande não pode, pequena pode. O deputado não pode tomar seu dinheiro, mas você pode tomar o espaço do outro carro. Ou adulterar o cartão de zona azul, parar o carro em duas vagas, não respeitar a faixa de pedestres porque sua pressa é sempre mais importante, zerar seus pontos da carteira de motorista com o despachante que conhece alguém no Detran (o trânsito é sempre um bom referencial para demonstrar o quanto somos civilizados). Não é de valores que estamos falando. Aliás, é. Não de valores monetários, mas daqueles que deveriam estender seu direito até onde começa o do próximo. Mas isso é corrupção? Na medida em que você contraria suas normas internas, fazendo algo que inconscientemente sabe que não deveria fazer, você está corrompendo seus próprios valores. A não ser que você não esteja nem aí pra nada (como deve ser o caso do dono do veículo que ilustra esse post).

Como então exigir lisura e ética de políticos se as falhas de caráter são as mesmas, apenas com instrumentos e amplitudes diferentes?


A base está na educação. A do Brasil é digna das sociedades mais atrasadas do mundo, tanto em conteúdo quanto em estrutura. Não formamos mão de obra qualificada, muito menos cidadãos. Somos o Brasil colônia com ares de modernidade, mantendo o mesmo caráter predatório e escravagista, embora subjetivamente. Temos condições de melhorar em 200, talvez 300 anos, desde que o processo se inicie já. Se aliarmos a este aspecto um processo de controle mais rigoroso também teremos melhores resultados. O que temos por hora é uma sociedade fracassada onde impera a corrupção moral – a começar pelo afiador de facas comprado pela presidência da república no valor de R$ 9 mil. Vai dizer o quê?

13 de janeiro de 2015

PORQUE NÃO SOU CHARLIE

O título em si não vai na contramão da comoção e da indignação que toma conta do mundo neste momento, em particular do povo francês, muito menos sublima a atitude covarde e irracional de dois fanáticos que entendem que a sede por vingança se encerra com a morte dos detratores do profeta. Sou a favor da liberdade de expressão, da arte em manifestar o poder crítico ou criativo, mas para mim ela termina no momento em que invade o sensível território em que se confunde com ofensa.

Vejamos: quando se cogitou a abertura da estação Higienópolis do metrô e a resistência da população local em aceitá-la, o humorista Danilo Gentilli foi um dos que saiu com a pérola de que os judeus moradores da região eram contra a ideia porque a última vez que andaram de trem tinham ido para Auschwitz. Não é preciso ser muito inteligente para constatar que a infeliz piada remete a um passado não tão distante que ainda mexe não só com aqueles que foram testemunhas de enormes atrocidades - e que parte hoje vive em  Higienópolis - como das gerações que cresceram ouvindo seus relatos, e que naturalmente repudiaram a piada de mau gosto. Claro que ninguém pensou em matá-lo (se bem que alguns até devem ter tido a ideia) - não deve haver piada ou charge que justifique semelhante ato. Mas a indignação é evidente quando uma brincadeira como essa incorpora valores sagrados para um indivíduo ou grupo de indivíduos, é nesses termos que passamos a desrespeitar o próximo porque, na falta de sensibilidade, não damos importância às suas crenças ou valores. E aí se instala a discórdia.

Cristo morreu na cruz. Se eu resolvo fazer uma desenhinho com ele lá, pregado, um monte de mulatas em volta sambando, peladas etc etc seguramente estarei ofendendo a fé de milhões de pessoas em todo o planeta, simplesmente porque tive uma ideia criativa e engraçadinha. É preciso ponderar até que ponto sua própria consciência lida com este tipo de informação e não há melhor saída do que entender o que pregam as correntes espirituais do oriente: coloque-se na posição do outro. Só assim você consegue captar a essência da sua mensagem e fazer valer a sua liberdade de expressão sem ofender ninguém (em tempo: trata-se da minha visão em particular. Se voltarmos no tempo - os mais velhos haverão de se lembrar - uns 40 anos, existia no Brasil a revista satírica 'MAD' da qual eu era fã incondicional e comprava toda semana. Deixei de sê-lo no dia em que a revista publicou, na última capa, um foto de Hitler com o título 'Por que não perdoá-lo?'. Choveram cartas (sim, escrevíamos cartas para as redações) criticando a montagem, assim como chegaram outras em menor número achando genial. Questão de interpretação.

Se você não pode satisfazer a gregos e troianos, ao menos satisfaça sua própria consciência.

27 de julho de 2014

O PREÇO DA SOBREVIVÊNCIA

                                       

Reza a lenda que um soldado inglês, nos estertores da primeira guerra mundial, teve sob a mira de seu rifle um soldado alemão ferido quando as tropas germânicas já batiam em retirada do território francês. Movido por compaixão, misericórdia ou algum outro princípio moral, resignou-se a atirar e deixou o soldado viver. O nobre ato traria consequências catastróficas 27 anos depois, quando o mundo contabilizaria mais de 59 milhões de mortos ao final da Segunda Guerra Mundial. O soldado inglês havia poupado a vida de ninguém menos que Adolf Hitler.

É essa indulgência que Israel hoje não se permite ter. Sabe que, se o fizer, o preço a ser pago em um futuro próximo será a vida de seus cidadãos. Por isso não mede esforços para desmantelar a estrutura de túneis construída pelo Hamas com o único objetivo de adentrar seu território e matar, sequestrar, difundir o terror. Israel opta por não ser 'merciful', piedoso, porque sabe que não pode se dar a esse luxo, ainda que isso implique na morte de civis inocentes. Claro, ao abster-se destes valores sabe que a luta vai além do Hamas e amplia a ofensiva sobre estas populações, cujas cenas de morte e destruição tem chocado o mundo e recrudescido o ódio antissemita. Ah, mas o Hamas não os deixa abandonar suas casas, o exército avisa com antecedência os locais dos bombardeios etc etc. O princípio não muda, de uma forma ou de outra não há espaço para a comoção. A máquina de guerra israelense trabalha sob quaisquer circunstâncias para atingir o objetivo maior que é a perspectiva de vida de seus cidadãos e ponto, custe o que custar, no matter what. Não se trata de julgamento, apoio ou condenação. Trata-se de simples constatação. 

Nenhuma guerra é limpa, nenhuma guerra preserva princípios por mais justa que seja. Guerras são travadas por questões territoriais e econômicas, religiosas até. Mas esta, em última instância, é a guerra pela sobrevivência de um Estado democrático às voltas com uma organização terrorista que prega seu aniquilamento. É, portanto, legítima. Não se pode questionar proporcionalidade (cada lado luta com o que tem à disposição, é o passivo histórico carregado através de séculos) ou a falta de disposição ao diálogo - ao menos do lado hebreu, que já atendeu ao pedido de três tréguas recusadas pelo Hamas. E por quê? Porque há um componente ideológico geopolítico que faz da população palestina massa de manobra, por opção própria ou não, aos interesses escusos do Hamas, que somada à política 'no mercy' israelense gera o caos, justamente o que busca a organização terrorista para perpetuar e justificar suas hostilidades. Fosse seu objetivo garantir a segurança do povo palestino e lutar pelos ideais de um estado, teriam sido os primeiros a aceitar uma proposta de diálogo. Qualquer outra via, dado o poderio bélico de Israel, é inviável. E é aí que repousa o grande drama: o interesse do Hamas, acima do bem estar da população palestina, é a destruição de Israel. Por esta razão os recursos que chegam a Gaza, ao invés de se transformarem em medicamentos, transformam-se em foguetes; o cimento, que deveria construir escolas, constrói túneis; e a despeito das dificuldades que o povo enfrenta na região, seus líderes vivem confortável e nababescamente no Qatar. É preciso que se diga: enquanto houver gente disposta a morrer em nome da destruição não haverá esperança, enquanto as vozes da discórdia não forem silenciadas não haverá paz, e isso vale para os dois lados. Se Israel pretende conviver em paz com seus vizinhos palestinos precisa rever alguns princípios, inclusive a política dos assentamentos nos territórios ocupados.

Enquanto isso não ocorre, o confronto é inevitável. E ao contrário do que presumivelmente ocorreu ao final da primeira guerra, Israel não deixará lacunas que possam vir a comprometer seu futuro e de seus cidadãos, mesmo que isso implique em 'danos colaterais'.

Imagine se aquele soldado inglês tivesse pensado o mesmo.

12 de julho de 2014

O BRASIL DAS RUAS VAI A CAMPO

Sinto-me confortável para falar da copa porque, desde o princípio, me mantive refratário à euforia que tomou conta do país. Não torci contra, é preciso frisar, mas tampouco me vi tomado pelo espírito de empolgação que irmanou grande parte da população. Também não voltarei à questão política, aos gastos públicos, nada disso. Vou me ater a aspectos que dizem respeito à organização.

A Alemanha sediou a copa de 2006. Naquela oportunidade, me lembro que a mídia destacava a renovação do time germânico depois de ter perdido a final para o Brasil em 2002. Aquele time, que já contava com Lahm, Schweinsteiger e Mertesacker, chegaria em terceiro lugar. Quatro anos depois, na copa da África do Sul e com o reforço de nomes como Khedira, Ozil, Boateng e Muller, ficaria a um passo da final, sendo eliminada na semi pela Espanha que se sagraria campeã (a Alemanha bateria o Uruguai e ficaria novamente em terceiro). Em 2014, a Alemanha garante vaga na final após retumbante goleada de 7 a 1 sobre o Brasil e enfrenta a Argentina. Ainda que termine como vice campeã, a campanha na copa prova que a evolução não ocorre ao acaso, mas é fruto de planejamento, organização e profissionalismo. Neste aspecto, 7 a 1 ainda é pouco.

Planejamento, organização. Palavras que em terras tupiniquins causam arrepios - não apenas nos campos de futebol - e que caminham na contramão  da essência de um país que vive no improviso, no imediatismo, e que insiste em não se ajustar. A infraestrutura é precária e ultrapassada, os serviços básicos não funcionam, a lei da carteirada impera. Planejar... pra quê? Esse é o modelo do país, transposto ao campo de jogo na medida em que um seleção de nível sofre humilhante derrota. Vamos aos fatos:

- Inciou-se sim uma preparação após a vexatória eliminação na copa da África do Sul na derrota para a Holanda. O trabalho, iniciado por Mano Menezes, contou com  uma boa vitória sobre o time dos Estados Unidos. Mas foi só Ricardo Teixeira cair e Marin assumir que Mano tambem caiu (não estou defendendo o técnico, que ate então não tinha apresentado nenhum resultado tão decepcionante a ponto de ser demitido, mesmo perdendo a final olímpica), em clara demonstração de que o que estava em jogo não era o profissionalismo, mas o apadrinhamento e as relações;

- Veio então o ultrapassado Felipão, um técnico que abandonou um Palmeiras à beira do abismo da segunda divisão e pouco se importou. Não houve reformulação, a base se manteve (apenas acrescentou Fred na frente, que na prática não acrescentou coisa nenhuma) e um esboço tático começou a se desenhar ainda na copa das Confederações, pura ilusão. Não houve evolução;

- O técnico ainda testou Kaká, Ronaldinho e Robinho neste período, mas não levou ninguém que pudesse dar maior maturidade ao grupo ou comandá-lo em campo quando necessário. A liderança ficou à cargo de jovens como Tiago Silva e David Luiz, voluntariosos porém imaturos; são daqueles que acham que cantar o hino a plenos pulmões já implica em vantagem emocional, empunham suas espadas e aos berros cortam o ar enquanto o inimigo vem em silêncio e aplica um golpe mortal;

- O time estava visivelmente mal treinado; jogadores que perderam espaço em seus respectivos times (Luis Gustavo saindo do Bayer e Marcelo reserva no Real Madrid, assim como Paulinho no Totteham e Oscar no Chelsea) e outros que não conseguiam acertar dois passes (Hulk, Daniel Alves) compunham um time desfigurado, sem qualquer padrão. O mais comum era ver os chutões de David Luiz para frente, sem a ligação com o meio de campo;

- A postura do técnico, a medida que o time alemão abria vantagem, compunha a antítese do líder: sem reação, sem atitude, sem presença. Um zero. Não havia ninguém como Didi, que após o gol da Suécia na final em 58 foi buscar a bola no fundo das redes e voltou incentivando os outros jogadores (obrigado pela lembrança, Tobias). O Brasil virou o placar e ganhou por 5 a 2, conquistando seu primeiro título mundial.

A falta de planejamento  foi fatal e o resultado não poderia ter sido diferente, eu já falava isso antes mesmo da copa começar. O Brasil não perdeu apenas para a Alemanha; perdeu para seus próprios erros de execução que, quando não precedidos por um plano de trabalho, podem dar em qualquer coisa, sobretudo em desgostos não previstos. A economia brasileira, a segurança pública e o atendimento médico que o digam...

14 de junho de 2014

VTNC: é preciso contextualizar

São Paulo e Bahia se enfrentaram no Morumbi em uma tarde de agosto de 2000. Foi a estreia da Julia, minha filha mais nova, em estádios, à época com 3 anos. 14 anos se passaram e me lembro daquele dia porque, ao devolvê-la à casa da mãe e questionada sobre o que mais havia gostado naquele dia, deixou de lado a vibração do gol tricolor (a partida acabaria 1 a 1) ou a alegria dos sorvetes para categoricamente afirmar: a hora que a gente levantava e gritava 'Ei, Bahia, VTNC!'.


Foi cômico, obviamente. Me lembro do olhar de reprovação da mãe - para mim, não para ela - ao que respondi que estávamos em um estádio de futebol e a prática lá cabia - faz parte da tradição - e que fora dali o comportamento deveria ser outro, como nunca deixou de ser. E isso me leva a duas constatações:

1. Um estádio de futebol abriga as iniquidades do povo, sua postura em sentir-se acima da lei, moral e bons costumes. São como os espectadores dos antigos embates de gladiadores no Coliseu, que serviam-se dos banhos de sangue como instrumento de diversão e outorgavam-se o poder de decidir sobre a vida e a morte dos combatentes que sucumbiam. Não é assim que funciona? Mal o juiz entra em campo e a sua mãe é ovacionada; o time adversário entra sob sonora vaia; e quando começa a fazer cera, cometer faltas em demasia, segurar o jogo, escuta o coro que a Julia tanto gostou: "Ei, timeco, VTNC!". Não é nada pessoal, é parte de um ritual que habita os estádios e embriaga as massas do esporte há décadas, mesmo que essas massas sejam consideradas por alguns míopes a 'elite branca paulista' em jogo de copa do mundo. Fora dali, isso deixa de existir.

2. Se não fosse assim, é bem possível que minha filha saísse mandando todo mundo tomar por aí em qualquer situação que não lhe fosse conveniente, o que na prática não ocorre. Imagine o constrangimento que seria testemunhar situações dessa natureza, assim como quando presenciamos situações de xingamento no trânsito ou no caso do cara da fila do supermercado que cansou de esperar (de fato, outro dia um senhor reclamou da espera na fila para pagar porque a moça do caixa era uma "monga". Gerou um mal estar geral, a menina do caixa foi às lágrimas e o senhor mostrou-se visivelmente arrependido, mas o estrago já estava feito). Ou seja, apropriar-se do VTNC, remetê-lo ao caráter individual e vomitá-lo em uma situação cotidiana é constrangedor e, de fato, exibe a falta de respeito de quem o usa.

Isso me leva a crer que ninguém, em sã consciência, apontaria o dedo na cara da presidanta e diria 'Ei, Dilma, VTNC!". Nem eu. O que ocorreu foi reflexo de uma prática comum em estádios, como manda o figurino, e foi direcionada à mandatária da nação por sua incompetência em fazer com que o país saia do buraco em que se meteu. Dilma estava no lugar errado na hora errada (como presidanta não poderia deixar de estar ali) e por conta de sua incompetência foi alvo dos xingamentos. Se o time adversário não deixa o seu jogar e é xingado, o que dizer de alguém que emperra o seu crescimento e te obriga a gastar cada vez mais no supermercado para comprar as mesmas coisas?

Assim, contextualizado dentro das tradições do futebol, onde o que vai para o estádio deve por lá ficar, digo que se estivesse lá eu teria gritado em alto e bom som: "EI, DILMA, VTNC!"

22 de março de 2014

O PAÍS ÀS PORTAS DA COPA. E O QUE HÁ PARA SE COMEMORAR?


Se você é belga, cervejeiro ou membro do comitê organizador da Fifa, parabéns, o mundo está a seus pés. Faturou uma grana preta na venda da refinaria texana, vai arrebentar de vender seu produto na copa, está faturando milhões com a venda de ingressos, produtos licenciados e a entrega dos estádios. Mas se você é parte deste Brasil sem foco, sem rumo e sem alicerces... Vai comemorar o que?


A copa no seu quintal, o caos na sua casa. A dona da pensão é a estupidez em pessoa: incapacidade, arrogância e desqualificação em clara cisão com a realidade, vivendo em um mundo de fantasias à espera da reeleição - que em um países de populações desinformadas e facilmente manipuláveis como o nosso é de uma probabilidade infeliz, porém gigantesca. O que esperar de uma gestora - se é que assim pode ser chamada - que conseguiu a proeza de quebrar uma loja de R$ 1,99 e, pior, loteou e incapacitou a Petrobrás a ponto de torná-la, em 5 anos, uma empresa deficitária e cheia de problemas, que caiu de 12o. para 120. entre as maiores empresas do mundo? Não é à toa que o Estadão costuma utilizar o termo 'poste' para referir-se à mandatária da nação. Se bem que o poste ainda serve para cachorro urinar, já essa aí ainda não descobri para que serve...

Na esteira desta incompetência, a inflação dá sinais de recrudescimento, o desenvolvimento econômico é pífio (e motivo de comemoração para o ministro da fazenda em claro sinal, uma vez mais, de falta de sintonia com a realidade), a indústria caminha a passo de tartaruga. Educação? Os índices do Enem são péssimos, é comum alunos deixarem as cadeiras do ensino médio semi analfabetos. Saúde? Vai bem, obrigado, tanto é que precisamos importar médicos cubanos pra dar conta do recado, que lixo. Melhor parar por aqui, porque se for para discorrer sobre a qualidade da segurança - no Rio é o BOPE que está nas ruas - da distribuição de energia - estamos à beira do racionamento, rezando para chover apenas o suficiente para alimentar os reservatórios, porque quando passa disso transforma cidades como São Paulo em cenário de carros flutuantes, faróis inoperantes e famílias que perdem suas mobílias, quando não a própria vida. E quando o assunto é São Paulo e seu trânsito não dá pra esquecer do tal Haddad, um infeliz que com suas ideias de gênio conseguiu piorar o que já era ruim.

Assim estamos. Comemorar o que? Um gol do Neymar? Uma vitória sobre a Alemanha? Um título mundial que abafa a realidade nacional, inebria o povão com sua costumeira fantasia e abre caminho para mais um mandato de pão e circo? Fifa, Ambev e Astra Oil estão rindo à toa. Eu tô fora. 

9 de fevereiro de 2014

POR QUE O BRASIL NÃO DÁ -E PROVAVELMENTE NUNCA DARÁ - CERTO

O Brasil moderno é fruto de uma política de desenvolvimento predatório e depreciativo nascida nos tempos coloniais. Sim, somos herdeiros de um sistema selvagem que nunca privilegiou a sociedade como tal, mas castas e grupos políticos que se agarraram ao poder em busca de diferenciação e criaram, como consequência, os abismos colossais que se interpõe entre governantes e governados. Mas por que?

O país nasceu à luz de contrastes sociais gritantes. Quando um filho de Portugal resolveu declarar a independência, em 1822, muito mais por conflitos com a corte do que propriamente como um grito à liberdade do povo brasileiro, a pátria contabilizava mais de um milhão de escravos - que somados a índios, mestiços e mulatos representava 2/3 da população. Libertos 66 anos depois, muito provavelmente por pressões sociais que cedo ou tarde resultariam em uma insurreição gigantesca com graves consequências, ao invés do sentido romântico que se procurou criar através da Princesa Isabel e a Lei Áurea, iniciaram um processo de integração que nunca se concretizou. Juntamente com outros fatores que contribuíram para o desenvolvimento da sociedade - as ondas migratórias da Europa e Ásia, por exemplo - chegamos ao modelo do Brasil do século XXI, cheio de falhas, inconsistências e, sobretudo, desequilíbrio.

Creditar essas diferenças à exploração econômica do sistema capitalista como fazem hoje os black blocs ou os manifestantes contra a exploração do pré-sal, por exemplo, beira o ridículo. A livre iniciativa pressupõe a busca do lucro como forma de gerar excedentes, que por sua vez se transformam em riqueza tendo o monetarismo como pano de fundo. Assim se constroem as bases de sustentação econômica e a geração de empregos que mantém a sociedade ativa e a riqueza distribuída, certamente de acordo com o grau de participação de cada agente dentro do sistema. Cabe ao governo, como agente regulatório, fiscalizar e alimentar a engrenagem, fazendo com que a lei se cumpra e usando a parte que lhe cabe neste mecanismo, coletada na forma de impostos, para garantir os pressupostos básicos da vida em sociedade: educação, moradia, segurança, atendimento médico e saneamento básico. Não apenas servir ao cidadão, mas também capacitá-lo como mão de obra para que gere benefícios a si mesmo e ao desenvolvimento da economia do país como um todo.

Nada disso acontece. O modelo que se criou foi responsável por perpetuar estas diferenças por duas razões básicas. Primeira: o governo não cumpre a sua parte. Segunda: é usado como trampolim para os que veem na máquina administrativa a abertura necessária para amealhar suas pequenas fortunas, assim como fizeram recentemente os fiscais do ISS. A regra de distribuição de riquezas não se cumpre e a promessa de uma sociedade justa não passa de ilusão. Indo além, há que se ressaltar o papel da oposição nesta história toda, ela que em tese critica o modus operandi governamental e apregoa os fundamentos de uma sociedade justa. Este foi o papel que coube ao PT, por exemplo, nas eleições de 2002. Lula, um político demagogo e de extraordinária capacidade de expressão, seguidamente derrotado em eleições presidenciais, sinalizava com as bases de uma sociedade mais homogênea e menos distorcida do ponto de vista econômico. Sem dúvida que seu governo foi responsável por trazer os brasileiros abaixo da linha de pobreza para uma condição econômica menos deplorável, muito mais por conta de uma política assistencialista garantidora de votos do que por mudanças em pilares econômicos que teriam introduzido essa massa na sociedade de uma outra maneira (capacitação como citado acima, por exemplo. Ensinar a pescar no lugar de entregar o peixe). A despeito da melhoria, o que se criou foi uma massa que vive às custas do governo e que gosta disso. Ao mesmo tempo, na medida em que perdeu a condição de oposição para se tornar governo, o partido enveredou pelas mesmas armadilhas, se é que se pode assim dizer, que atuam sobre quem está no poder: o desvio, a corrupção, a regalia em nome de poucos. O mensalão não é exclusividade do PT, como se sabe, embora tenha sido ele a ser pego com a boca na botija. Mas é o exemplo vivo que basta estar lá para não mudar o sistema.

A sociedade que nasceu marginal no século XIX assim permanece. E o ciclo vicioso que se criou é a garantia que nada mudará enquanto não houver um esforço absurdo para desconstruir o sistema, começando pela base educacional e garantindo oportunidades para quem se dispõe a progredir e contribuir para o desenvolvimento econômico. Para encerrar, relato um exemplo de disparidade que mostra, ao final, porque estamos onde estamos e porque um país, que até menos de cem anos  não existia, encontra-se anos luz à frente:

A cidade é Tsfat, norte de Israel. Pequena, me lembro de ter visto apenas dois postos de gasolina. Parei em um para abastecer antes de retomar viagem para Tel Aviv. Havia um funcionário no posto, um garoto de 18/ 20 anos, que habilmente abastecia três carros ao mesmo tempo em que passava os cartões e registrava os débitos (as bombas de gasolina são programáveis pelo valor desejado, dá pra fazer algumas coisas ao mesmo tempo). Mesmo com o posto cheio, não foram mais do que cinco minutos. Cortamos agora para São Paulo, posto Ipiranga, aquele que tem tudo. Posto vazio, encosto na bomba. Três funcionários. Um coloca gasolina em um outro carro, outro está tirando uma nota no caixa, o terceiro passando um pano em um carro que está parado mais ao fundo, provavelmente saído da lavagem. Passam-se dois minutos e eu ali parado, sem ser atendido, religo o motor e dou sinais que vou sair. Ninguém se manifesta. Vou embora. A vida segue.


26 de outubro de 2013

Bolsa Família e Mais médicos: mediocridade a céu aberto

É muito comum - e principalmente cômodo - direcionar esforços/recursos para evidências ao invés de origens. Ir ao ponto de partida e colocar o dedo na ferida requer planejamento, inteligência e principalmente paciência para saber que problemas estruturais se resolvem a longo prazo. Os resultados demoram a aparecer, é verdade, mas quando isso ocorre a questão fica definitivamente sanada. É preciso coragem e determinação - não apenas projetos de poder baseados em ignorância e carência - para atacar causas, não consequências.

O Bolsa família nasceu com o objetivo de tirar da miséria milhões de brasileiros que viviam abaixo da linha da pobreza. Conseguiu. É válido, mas ao mesmo tempo questionável. Trata-se do programa assistencialista que, embora moldado nos padrões dos programas de transferência de renda do governo FHC, virou cartão de visitas do PT, a referência para que este remeta a si mesmo o rótulo de salvador da pátria, gerador de riquezas e tantas outras baboseiras que só servem mesmo para enganar essa população carente, conivente e agora de barriga cheia.

E é fácil explicar. Imagine que você vê uma casa em chamas. O que você faz? Chama os bombeiros para apagar o incêndio. Digamos que foi um fogo pequeno e que rapidamente tudo fica sob controle. Depois do rescaldo, o laudo do corpo de bombeiros indica que é necessário fazer alguns reparos na parte elétrica da casa para que o problema não se repita. Ninguém faz nada e duas semanas depois a casa volta a ter um curto circuito, o fogo se espalha, os bombeiros são chamados e o fogo extinto. A parte elétrica, gente, é preciso corrigir o problema. Ninguém faz nada, o fogo volta, os bombeiros são chamados em um ciclo interminável. Com o bolsa família não é diferente: você alimenta um programa de transferência de renda que sana os problemas causados pela falta de dinheiro, mas não elimina o problema. Você elimina o fogo, não a probabilidade dele voltar porque não fez os reparos necessários!

E em que consiste tais reparos? Na geração de conhecimento, produtividade e inserção no mercado de trabalho. A tal da qualificação que mencionei no post anterior, que permite que cada indivíduo contribua com sua parcela para o desenvolvimento econômico. E o que é preciso fazer? Investir nas bases da educação, em um programa de formação profissional, geração de empregos (se diminuir os entraves para a criação de empresas no Brasil e a carga tributária já ajuda) e multiplicação de renda. Isso tem um custo, naturalmente, mas a longo prazo permite o equilíbrio ao invés de alimentar um sistema parasita onde uns recebem sem produzir (significa dizer que eu, você e toda a sociedade tem que produzir mais para compensar os que só recebem). E a coisa vai mais longe: quem recebe esse benefício hoje não são somente os miseráveis que não tem o que comer. Há relatos de beneficiados do bolsa maldita que possuem carro e celular, sem contar os que são funcionários públicos ou políticos e que tem a cara de pau de receber o valor. Na prática, isso só vale porque conta votos e este é o único objetivo do projeto de poder do PT. Não se trata do desenvolvimento econômico, mas do apego parasitário ao "trono". Se a casa pega fogo uma vez, você chama os bombeiros. Se não resolve o problema na origem, isso não termina nunca e acaba por alimentar uma camada que a cada dia se torna mais indolente e refém do sistema. Se estamos nos distanciando em termos de competitividade dos outros países da América Latina, literalmente ficando para trás, a tendência é que tudo fique ainda pior nas próximas décadas, principalmente se este projeto do PT se perpetuar (e tudo leva para este caminho, já que os responsáveis pela reeleição da Dona Dilma são estes mesmos beneficiados, maioria no país). A longo prazo, o Brasil estará arrebentado.

Isso sem contar o 'mais médicos'. Trazer gente de fora que se submete às condições locais levanta a mesma questão: ajuste de consequência, não de causa. Os médicos brasileiros só não se mobilizam a preencher as vagas necessárias país afora porque sabem das condições precárias que terão que enfrentar, ao passo que os estrangeiros cubanos ganharão aqui, em um ano, o que não ganham lá em dez. De novo uma apelação eleitoral na tentativa de captar votos nestes rincões que sofrem com o atendimento precário ou a total ausência dele.

E assim caminha o Brasil do PT, um projeto de país refém da natureza maligna que alimenta estas distorções. É possível construir uma nação com um programa assistencialista e um sistema de saúde assombroso? Claro que é. Uma nação de párias e ignorantes perpetrados em um ciclo tão perigoso como a cobra que se alimenta de si mesma...




19 de outubro de 2013

Por que o Brasil é tão medíocre?


Não se pode atribuir a um fator isolado a responsabilidade acerca do desastre Brasil como nação, um país que tem a ousadia de estampar em seu estandarte as palavras 'ordem' e 'progresso' e historicamente caminhar na contra mão de ambos. Mas se eu tivesse que fazê-lo (assumir este fator isolado), diria que nossa grande deficiência chama-se DESQUALIFICAÇÃO. Um país sem bases, sem diretrizes, sem um projeto estrutural de educação e crescimento e sem cabeças apropriadas para dirigi-lo só poderia chegar onde chegou em pleno século XXI: uma sociedade amorfa, liderada por ignorantes com interesses particulares, onde quase nada funciona e, invariavelmente, a lei da selva impera. 

Mas, afinal, o que é a qualificação e por que estamos tão distantes dela?

São vários os pressupostos que compõe a qualificação e se distribuem em diversos segmentos - profissional, social, econômico - que sintetizados compõe dois aspectos, a meu ver, essenciais: preparação e ambiente regulatório.

Preparação: preparar significa habilitar, criar condições para que determinados indivíduos, sem prévia experiência, possam auferir resultados depois de submetidos ao processo de geração de conhecimento e prática. Para tanto se faz necessária uma estrutura de ensino que promova a distribuição deste conhecimento em todos os níveis, do básico ao universitário, possibilitando educação e desenvolvimento de forma horizontal pela sociedade. Não é preciso ser nenhum expert para saber que o ensino básico no Brasil é sofrível (conheço pessoas com formação universitária que fazem conta no papel para somar 15 mais 17 ou que insistem em escrever 'mais eu não sabia'), que a maneira como qualificamos nossas crianças é o caminho inevitável para que se tornem mão de obra barata e... Desqualificada (obviamente não me refiro ao Brasil representado pelo ensino privado e pelas oportunidades que o mesmo gera, o que só acontece porque a qualificação não está sob a tutela do estado; este, quando consegue algum resultado positivo, o faz no último elo da cadeia, a universidade, via de regra frequentada por quem teve condições de bancar o ensino médio em escolas particulares ou por quem se insere através das quotas - a exceção da exceção). O nivelamento é por baixo, e isso não seria um problema se essa mão de obra estivesse limitada a trabalhos mais braçais do que intelectuais. Passamos a contar com profissionais nas mais diversas áreas sem formação precisa, técnica e de caráter, diga-se de passagem, e sem tal qualificação o resultado é catastrófico, sobretudo quando voltamos o olhar àqueles que dominam a máquina pública e que tomam decisões como se estivessem tomando banho, tal o despreparo. O resultado? As ruas esburacadas que danificam seu carro, o risco de ser assaltado à luz do dia, a morte à espreita nos corredores dos hospitais públicos...

Tomemos o exemplo do pré-sal, mais do que na moda. O modelo de exploração proposto pelo governo para a iniciativa privada não deve ser lá tão satisfatório, caso contrário as maiores companhias de petróleo do mundo como Exxon, British Petroleum ou Chevron estariam participando. O leilão corre o risco de ser um fiasco e envolver apenas um consórcio participante. Por outro lado, entidades sindicais prometem fazer uma baguncinha básica para impedir que o leilão siga adiante, justificando que o modelo de exploração é, na verdade, uma privatização e uma afronta à soberania nacional. Milha leitura? Desqualificados, manipulados, massa de manobra que não faz a menor ideia do que está falando. O Brasil, e mais especificamente a Petrobrás, não possuem as condições necessárias para levar adiante a exploração sem a ajuda de terceiros, é melhor costurar parcerias e ter algum retorno do que esperar mais duzentos anos e não ter nada. Essa discussão pode se perpetuar sabe-se lá por quanto tempo, mas, de novo, só demonstra o nível de ignorância que permeia a sociedade. Como é que com um nível de imbecilidade desta envergadura o país pretende chegar a algum lugar? Outro exemplo de gestão: temos uma presidente que diz que a inflação está sob controle e que, provavelmente, nunca foi a um supermercado na vida (se tivesse ido saberia, por experiência própria, que nada está sob controle). Mas esse é o discurso de quem não tem capital intelectual para dirigir qualquer tipo de negócio, e assim o país se arrasta.

Ambiente regulatório: preparação apenas não basta, é preciso aliá-la às regras que definem o meio competitivo para que o processo qualificatório se complete. E aqui nada caminha nesta direção: a guerra dos portos, a contestação dos aumentos das passagens de ônibus refletidas em aumento de IPTU, a polícia envolvida com a cúpula do PCC e n outros exemplos que mostram que as cabeças desqualificadas não são capazes de levar adiante um país como o nosso, com tamanho potencial, recursos naturais e gente disposta a fazer acontecer. Verdadeira lástima.

Não há como negar o nível de estagnação e mediocridade do país, agora já mergulhado em um embate político que só terminará com as eleições de 2014. O governo voltado para a reeleição, a oposição disposta a cutucar as feridas, o Congresso brincando de governar. Enquanto isso o Chile cresce, o Peru cresce, até o Uruguai, com todo respeito, cresce. O Brasil? Não passa de uma ex-colônia imatura que ainda não encontrou seu caminho.


30 de junho de 2013

PRODUZIR is not an option!

Embora tenha origem no campo das ciências biológicas, o termo parasita aplica-se com propriedade às ciências sociais, sobretudo quando o olhar volta-se para a classe política brasileira. O parasita, por definição, é o  indivíduo que capta a energia necessária à sua sobrevivência através de um terceiro, o chamado hospedeiro, e perpetua essa relação simbiótica em que ambos usufruem do que apenas um produz. Não é à toa que a origem da palavra grega significa 'aquele que come ao lado', e que claramente traduz a ideia de que o esforço do hospedeiro sempre terá que ser maior para compensar a inércia do pária.

Traduzindo isso em realidade social, a brasileira carrega o péssimo hábito de beneficiar-se de situações em que nenhum esforço ou energia é dispendido por conta própria. Isso vai desde o simples ato de furar uma fila (o esforço foi do outro em se planejar e chegar primeiro), prática muito comum entre a maioria de nós e que se não sugere maiores implicações econômicas esbarra na fraqueza moral, até apropriar-se indevidamente do dinheiro alheio. E não estou falando aqui de roubo ou corrupção, estou falando do dinheiro que é cedido por lei àqueles eleitos pelo povo e que em troca produzem... o que? A Folha de hoje noticiou o fato de Dona Dilma gastar mais de R$ 3.000,00 para se produzir ante às cameras de TV em seus pronunciamentos (e olha que puta dinheiro mal gasto, a cara da mulher não melhora uma vírgula). E não se trata do valor ser alto ou baixo, se trata do que é produzido em contrapartida para se ter acesso a ele! Se a mulher de um grande empresário quiser gastar R$ 3.000,00 para fazer as unhas é um direito que lhe assiste, o marido produziu o suficiente para bancar a conta (se vale ou não é outra questão). Mas no caso da Dona Dilma, que tipo de produção justifica o gasto? A quebra da Petrobrás? O elenco inflado de 39 ministérios que ela mal consegue administrar? A alta da inflação ou a estagnação econômica? 

A classe política brasileira é adepta da prática há décadas. "Você produz, eu compartilho, nós usufruímos!". É verba disso, daquilo, em troca de que? Das práticas imorais? Dos conchavos? Foi só o povo sair às ruas que produziram em dois dias o que não produziam há dois anos! O Brasil precisa se reinventar, e pode começar por práticas muito simples: para sobreviver e ter acesso a ganhos, é preciso produzir. Não basta ficar sentado em uma cadeira no congresso nacional, trocando figurinhas com comparsas, inventando coisas idiotas para o tempo passar. É preciso produzir, gerar recursos e receber de acordo. Não é assim na vida de todo mundo? Por que na política haveria de ser diferente? Há que se criar a consciência necessária que indica o trabalho e a geração de riqueza como primeiro passo para um processo de distribuição que garanta a eficiência dos serviços públicos. Quer auxilio moradia? Quer verba de gabinete? Quer verba pra contratar auxiliares? Quer auxilio terno? Vai trabalhar, vagabundo! Ou como você acha que o Japão emergiu como potência econômica depois de ser arrasado pela bomba atômica? Ou como as cidades devastadas pelo tsunami há dois anos já foram reconstruídas ao passo que nós, parasitas e preguiçosos, mal saímos do lugar?
Isso chama-se arregaçar as mangas e trabalhar, coisa que a voz das ruas parece estar colhendo seus primeiro frutos. Produzir, meus caros, não é opção, é obrigação!



23 de junho de 2013

Líderes: a arte de saber construir

Tive o privilégio de trabalhar com grandes líderes, homens como Rubens Taveira e Jose Maria Latugaye, que ajudaram a moldar meu caráter como profissional e apontar os caminhos em busca de resultados. Agradeço a eles pelos ensinamentos, entre eles - e fazendo um paralelo com o discurso da Dona Dilma - posso citar:

1. Diante de uma questão ou problema vá direto ao ponto, nada de rodeios ou chover no molhado, tergiversações ou desvio de foco - exatamente o contrário do que fez Dona Dilma, que usou metade do tempo do seu discurso para legitimar as manifestações e condenar os atos de vandalismo. Ora, isso tá todo mundo cansado de saber, é insistir em algo que todo mundo já viu, descascar a questão sem um objetivo definido, sem a busca por soluções. Se você já participou de uma reunião com mais de três pessoas, seguramente já passou por isso em algum momento da sua vida

2.       Definido o problema, busque soluções e monte um plano de trabalho que envolva prazos, recursos e responsáveis para resolvê-lo – pronto, exatamente o que fez Dona Dilma ao afirmar que a solução para a saúde no Brasil é trazer médicos do exterior, não? Solução perfeita, encobrindo os problemas reais de estrutura, leitos, materiais e o total sucateamento do serviço de saúde pública. Soluções dessa natureza são para inglês ver, barrigam a questão sem vislumbrar saídas viáveis

3.       Errou? Assuma. As pessoas que trabalham com você perceberão que errar é uma possibilidade real e que pode acontecer até com o líder; isso as incentiva a agir, a não pecar pela omissão, mas aprender com os erros – como disse Dona Dilma, tudo que ela não conseguiu fazer foi por limitações políticas e econômicas – coisas do sistema, não de sua incapacidade como líder (as crianças pequenas costumam dizer ‘não foi minha culpa!”)

Enfim, dá pra listar uma série de outros atributos como saber ouvir e traçar um diagnóstico antes de tomar qualquer decisão – coisa que a Dona Dilma adora não fazer, tomando decisões por conta e risco e não dando ouvidos aos que a cercam, como já manifestaram vários ministros – cercar-se de gente com habilidade e iniciativa para a execução de projetos – exatamente o que ela não faz ao recrutar um bando de fichas sujas para assessorá-la - ou mentir - balela essa história que não há financiamento público na construção dos estádios, só o dinheiro perdido em isenções fiscais já conta. Já tive o desprazer de trabalhar com líderes perfil 2D (Dona Dilma), uma mistura de inépcia e total falta de foco que desperdiça recursos e tempo, e  posso dizer que os resultados sempre foram os piores possíveis...