25 de setembro de 2010

A mãe de todos os males

INEXORÁVEL e ponto. Assim se cumpre o destino do planeta, selado em seus primórdios quando o fator humano pesou - ou deixou de pesar - na atribuição de valores. Não há outro caminho que cedo ou tarde não leve à destruição.

Como raça somos um fracasso. Quando se trata de desequilíbrio, mestres. E tudo por conta de uma simples, porém consisitente razão: não somos capazes de estender os ideais de vida criados para nós mesmos àqueles criados sob nossa semelhança. São tantos os abismos a ponto de encararmos, quase que com naturalidade, a imagem que ilustra este post. Já não nos acostumamos a isso?

A mãe do todos os males é a falta de sensibilidade. É ela quem cria abismos intransponíveis por conta da voracidade humana em fazer de sua passagem por este planeta um acúmulo desmensurado de riquezas e afeta, em última instância, toda a dinâmica comportamental da raça. Não é por outra razão que geramos imperadores incendiários, ditadores fascistas, governos corruptos, mafiosos, torturadores, assassinos profissionais e toda sorte de "ser humano" que enxerga, na desgraça alheia, o trampolim para seu próprio engrandecimento. Isso ocorre porque é assim mesmo, porque nunca se pensou de outra maneira ou se estabeleceu um sistema que valorizasse a comunhão.
Gosto muito daquela historinha que diz que um certo ser humano, algumas centenas de anos à nossa frente, teve a oportunidade de visitar um berçário em um planeta distante. Ficou impressionado ao ser levado a um espaço do tamanho do Maracanã em que havia milhares e milhares de bebes dispostos, todos calmamente dormindo em seus bercinhos. "Como funciona isso?", ele perguntou ao seu anfitrião. "Muito simples. Quando um bebe nasce, nós o recolhemos e o trazemos a esse local. Aqui recebem todo tipo de assistência e crescem felizes e saudáveis". "E como os pais fazem para saber quem são seus filhos?", o humano perguntou. "Não fazem. Aqui todos são seus filhos".

Nada mais a ser dito. 

4 de setembro de 2010

As voltas que o mundo dá


Quando penso no papel que cabe a nós, humanos, na condução de nossas vidas, penso também na condição atribuída a cada um para que as responsabilidades se cumpram. Parece evidente diante da lei do equilíbrio: se por um lado somos agraciados com o sopro divino, por outro temos que retribuir de alguma forma, neutralizando as energias do sistema. De que maneira?

Cada um se expressa a sua, baseado em valores, princípios e ideais. O que serve para um nem sempre serve a outro, o que indigna um passa desapercebido a outro. E assim vai. Eu tenho cá comigo que se fui privilegiado com uma condição qualquer, seja ela econômica, emocional ou intelectual, devo compartilhá-la. É por isso que tantas pessoas realizam trabalhos assistenciais, estendendo não só a mão ao próximo, mas sua própria condição. Esse é o caminho da construção, da solidariedade e da formação de uma sociedade de verdade, que estabelece uma linha de equilíbrio entre seus indivíduos para que não haja falta, de um lado, ou excessos, de outro. Na prática, uma utopia.

A sociedade moderna se desenha de outras formas. O tal equilíbrio dá lugar ao interesse, a competitividade e a lei do mais forte. Tudo posso naquele que me fortalece, o dinheiro, e quanto mais dele disponho, mais longe posso chegar. Não é a toa que se criam grandes bolsões de miséria, contrapostos a luxuosos condomínios onde prevalece o interesse individual. Como expresso em 'O último mensageiro', cada um tem o poder de escolher seus caminhos e encontrar o melhor para si, partindo então para uma situação de divisão e equilíbrio. O que se sucede, porém, é um acúmulo desmensurado que cria abismos tão intransponíveis que nem mais 500 anos de gestão serão capazes de corrigir.

Se 89% das moradias da região Amazônica não contam com rede de esgoto, como bem alertou o Bruno Filleti, como conceber a construção de um estádio de R$ 0,5 bilhão para a copa do mundo? Que espécie de equilíbrio é esse? Creio ser este o grande mal que padece a sociedade moderna: a busca em linha reta pelo interesse individual, sem olhar para os lados. A construção dessa porra de estádio beneficiaria empreiteiras, políticos e todos aqueles que poderão dispor de, sei lá eu, R$ 200 para assistir a uma partida de futebol. Os 89% seguirão nas mesmas condições de higiene e sujeitos as mesmas doenças...

São inúmeros os exemplos que refletem esse estado de espírito. Hoje me dei ao trabalho de assitir ao horário eleitoral e... não é que vi o Collor em palanque pedindo votos pra Dilma? Ou o Temer, que representa todo o retrocesso político na figura mor de seu partido, Don Sarney, ao lado de Lula? Já não me assusto com essas merdas, faz parte do mesmo processo de interesses. O Lula não doou R$ 25 milhões para a reconstrução de Gaza? A troco de que, simpatia internacional? Alguém tem que avisá-lo (ou como diria a Dilma, "alguém tem de avisá-lo") que problemas internos ainda existem aos montes e é preciso corrigi-los antes de se olhar para fora.

A esfera política é apenas um exemplo. Nosso dia a dia é repleto de situações como essa, basta dirigir em uma cidade como São Paulo para entender o que quero dizer. Desrespeito, agressividade, individualidade. Até onde é capaz de chegar o descuido humano? "Que futuro dispõe uma sociedade que não é capaz de preservar a integridade de seus indivíduos?", questiona Abel em suas andanças pelo livro. Obscuro.

 Eu tenho a resposta. Assim como William Mitchell, coronel da força aérea americana que disse, em 1923, que Pearl Harbor era porta de entrada para um possível ataque japonês ao continente. As coisas acontecem, minha gente, o mundo dá voltas...


2 de setembro de 2010


"O maior desafio dos homens de bem reside na constante renovação de suas energias para transpor, quase que diariamente, as barreiras impostas pelo preconceito e pela intolerância. É da união e da força, da solidariedade, que haverão de brotar resultados".