28 de maio de 2010

Pra matar saudades













Esta semana tive a satisfação de rever amigos de longa data. Quando digo longa data, me refiro a laços de 30 a 40 anos que por uma razão ou outra se perderam no tempo e, como névoa, passaram a habitar mundos distantes. A cronologia da vida tem seu balanço natural, é verdade. Cria movimentos que se desdobram na razão da própria existência. Esse é o caminho. Uns se encontram mais, outros menos, uns casam mais jovens e tem filhos, outros vivenciam a paternidade mais velhos. Não se pode dizer que há padrões no que diz respeito a destinos e afins, mas é possível identificar algo sutil que permeia nossa trajetória e que se faz presente em momentos tão interessantes como esse.


Falo de energia manifesta. Se tenho me deparado com manifestações não convencionais ao longo destes últimos meses, surge aqui mais um evento. É como se 30 ou 40 anos se comprimissem em um vácuo de espaço x tempo e existissem em outros planos, continuamente, sem que houvesse nada a estranhar.

Fatos vão, fatos vem e o emaranhado de emoções continua lá. Ao final, é o rastro de bem estar que se espalha no ambiente e auxilia os mestres em seu trabalho de recodificação.

Vida longa à irmandade.

16 de maio de 2010

Nada mais importa



Minha reação foi de espanto ao ver, pela primeira vez, a campanha da copa do mundo da África, sobretudo pelo fato de Bono Voz, vocalista do global U2, emprestar sua voz na locução. Se a intenção do incansável batalhador dos direitos humanos era ganhar mais alguns pontinhos na consolidação da imagem de 'garoto' pop socialmente responsável, perdeu, ao menos na minha modesta opinião. A assinatura do filme, 'Nada mais importa', não faz parte das palavras de Bono. Mas isso é o que menos importa, a associação já está feita.
Vamos ao filme. A idéia é a mesma que mobiliza qualquer evento de grande monta: isolá-lo a ponto de torná-lo único, soberano perante qualquer outra questão que embale o mesmo momento e que a torne, obrigatoriamente, de menor importância. A sucessão de imagens mescla conceitos distintos e o problema surge quando política, comércio ou religião são colocados na mesma dimensão que aquecimento global, escassez de água e direitos humanos. Cabem todos na mesma cesta? É possível nivelar a questão das diferentes correntes religiosas (vale lembrar que o Itaú explorou o conceito em comercial onde judeus e muçulmanos se unem em torno da bola, ainda que suas diferenças não sejam colocandas de lado; é totalmente metafórico) com o lento caminhar do planeta para o esgotamento? Ou com o respeito pelos direitos humanos? Diga isso ao cara que é torturado nos calabouços de regimes totalitários, à mulher que anda 3km para obter água, às pessoas que vivem em acampamentos permanentes sem condições higiênicas. Pergunte ao voluntário do médico sem fronteiras se ele deixará de assistir a um paciente para assistir um jogo, ou ao refugiado haitiano se ele trocará a refeição que conseguiu obter a duras penas por 90 minutos em frente a TV. A copa do mundo não é tudo.
Naturalmente, há motivações econômicas para que isso aconteça. A FIFA investiu US$ 1 bilhão e boa parte desse investimento retornará através dos direitos de transmissão. Todo mundo ligado na copa do mundo, não é? Não. E por uma simples questão que Einstein colocou com propriedade: tudo é relativo, depende do ponto de vista do observador. Reduzir questões tão amplas e importantes para a humanidade ao mesmo espectro de uma copa do mundo demonstra, uma vez mais, o quanto o poder de persuassão humano é proporcional a sua insignificância.

Veja o filme e tire suas próprias conclusões


video




9 de maio de 2010

Complementando 2: assim já é demais...


Domingo, 9/5, 10hs30, levando a Gisele para fazer exame de sangue no Delboni...

Complementando...

... o post anterior, domingo cedo é dia de pãozinho, esse é o cartão que recebi com o código de barras para pagamento...

Um ótimo domingo a todos e um feliz dia a todas as mamães!!

8 de maio de 2010

99 numbers 99

Minha relação com números é uma daquelas coisas que garante a existência de uma força oculta, alheia a vontade e provavelmente cheia de boas intenções, trabalhando na calada da noite no tabuleiro de peças que compõe o xadrez humano.
Sempre tive predileção (para não dizer obsessão) pelo 3 e seus múltiplos, em especial o 9 . É uma relação sem qualquer explicação razoável, apenas uma intenção maior, totalmente intuitiva (vale lembrar que nasci em um 12 de abril do ano de 1964, que na somatória leva a 27 e a 9 na redução). Pois bem, deparo-me com eles a todo instante, atravessam meu caminho sempre que podem. É a mesa no restaurante, a espera no cartório, o número do prédio (quando me casei, fui morar no 1485 - 9 na redução - apto 81 - idem). Mas de um tempo pra cá a coisa tem se acentuado de tal forma que não dá pra deixar passar em branco. São tickets de teatro, lava rápido, estacionamento, operadoras de telefonia, laboratório (todos na imagem), que abraçam a teoria na medida em que convergem, em sua somatória e redução, para o misterioso 3/9. Claro que isso não acontece em 100% dos eventos - aí seria demais - mas o que vejo é uma tendência, fora da curva probabilístca regular, para que estes números se manifestem.
Foi o que ocorreu ontem no atendimento da Claro no Shopping Villa Lobos (o ticket está no canto baixo direito): senha 39 (somatória 12, redução 3), horário 21:03hs (6) em 7/5/2010 (somatória 15, redução 6). Indo além, AT (1+20) se reduz a 3. Todos somados, teremos 81, 9 por ele mesmo. Não é intrigante?
Esse cruzamento me fascina. Quando menos espero lá estão eles, acenando pra mim como se dissessem que, em algum ponto obscuro do universo, essa relação tem sentido. Enquanto não desvendo o mistério, trato de guardar os comprovantes que me levam à terra de Oz.

1 de maio de 2010

Tempo de refletir

Afastar-se-se da rotina, ainda que de maneira involuntária, é o primeiro passo para o processo de revisão e, por consequência, de reformulação. Práticas e posturas são avaliadas sob o espectro do tempo e do valor humano, centrados nas questões que habitam os recônditos de nosso ser: é mesmo essa a vida que quero? Sou feliz da maneira que a conduzo? Onde isso vai parar?

Foi meu amigo Bruno quem disse que se você não para, a vida te para. E para mesmo. A dengue foi um acaso, um erro de cálculo de um mosquito multívago que, inadvertidamente, se apropriou de um sangue de baixo valor protéico que corria pelas veias de um corpo quase sem imunidade. dadas as condições de vida que eu havia estabelecido para mim mesmo. Daí pra frente foi queda livre.


15 dias foram suficientes para sentir na pele os efeitos da 'mardita'. A experiência em si é péssima, óbvio, mas dela também se extrai algo positivo (como tudo na vida). No momento em que o ciclo começa a se fechar e a condição interna retoma seu ritmo normal, sem febre e dores, um novo horizonte vai se desenhando lá fora. Por que? Porque dentro do intervalo compulsoriamente concedido é possível rever o ritmo da vida e o fio que a conduz.


Não se trata de escolha, embora em algum momento deva ter existido essa possibilidade. Trata-se do turbilhão de tarefas que preenchem o dia a dia, do deixar-se levar pela louca presunção que tudo por ser feito no período. No começo, bem me lembro, deixava que as pendências do dia a dia preenchessem minha mente e, passo a passo, dentro das prioridades que se estabeleciam, ia resolvendo. Depois, ante o acúmulo de tantas tarefas, passei a organizá-las no papel, depois no outlook, dando baixa a medida em que cada uma ia sendo realizada. Surgiram então dois problemas: o menor deles dizia respeito a imensa lista de atividades profissionais e pessoais que tomava o espaço do outlook; o outro, o estado de irritação e ansiedade diante da incapacidade de administrá-las. Quanto mais itens eu baixava, mais itens surgiam, tornando a lista uma interminável pendência de vida a tomar o tempo sem efetividade. Não dava mais, passei a registrar os itens e, ao mesmo tempo, ignorá-los. Então pra que fazer tudo isso?


Pausa. 15 dias. Análise. Renovação. Visões. Ritmo. Palavra chave: desacelerar!

O mais óbvio, e que na maior parte do tempo insistimos em não enxergar. é que a atribuição total de tarefas simplesmente não cabe no espaço de tempo que determinamos. Querer resolver tudo que está pendente e se irritar a cada olhar para lista diante do que ainda é preciso fazer é, antes de organização, um atestado de incompetência. Não no sentido de não saber fazer, mas no plano administrativo. É como querer ganhar uma guerra, que normalmente dura anos, em dias!






Ordenar e manter o ritmo adequado a necessidade, este é o segredo. Não se cobrar ao extremo, posando de super herói e zerando todas as atividades, até porque isso não vai acontecer. O que decorre dessa situação é que, diante da irritabildade em deixar questões em aberto, acelera-se o processo e faz com que a vida esteja limitada a um acúmulo de funções. A paisagem, as relações, os elementos, a sensibildade e o prazer passam ao largo, figurando como acessórios. Não é à toa que tanta gente que já alcançou um patamar financeiro acima do considerado estável simplesmente não consegue usufruir...






A maneira mais simples de resolver a questão é desacelerando. O mundo não vai acabar porque a proposta que tinha que ser entregue na terça ficou para quarta ou o texto demorou mais do que o previsto para sair. Mito. Quando ligamos o piloto automático e fazemos tudo na inércia, não só nos sentimos frustrados por não completar a lista de tarefas, mas passamos por cima de tudo sem alma e coração, mal se lembrando em que condições o que tinha que ser feito foi feito. E daí? Valeu a pena? Não basta alcançar ao destino, é preciso apreciar a paisagem que se encontra no caminho!






É fundamental ter disciplina para iniciar e principalmente dar continuidade ao processo. De que maneira? Focando a mente e controlando a respiração, cruzando os dois movimentos para obter o melhor dos resultados. Foque sua atenção na respiração e você sempre viverá o momento presente, não haverá interferência de qualquer espécie. O ritmo é mais cadenciado, mas a satisfação que isso lhe traz é fora do comum. Posso afirmar que a alegria de viver volta da maneira mais enfática!






Em uma semana, velhos hábitos foram ficando para trás: acelerar no amarelo para passar o farol, trocar as memórias do rádio a cada minuto, resumir conversas por ter outras coisas "mais importantes" a fazer, sentar-se diante do computador com a obrigação de escrever. Correr, correr, correr e no final chegar no mesmo lugar, exausto, cansado, estressado. Over!






Posso afirmar que o ritmo dessa semana que passou foi diferente e que os resultados apareceram de outra maneira: mais leves, soltos, mas ao mesmo tempo mais contundentes. Há mais energia circulando, há mais vibração. Durmo menos, acordo mais disposto. E encaro a vida numa boa, não com a obrigação de fazer história, mas com o prazer que ela merece. Afinal, como diz meu amigo Ricardo do Viver é pura magia:






'VIVER É PURA MAGIA'!



Encontre a frequência correta e faça da sua vida um acúmulo de prazeres, não de obrigações. Elas existem, claro, mas é a mistura desses elementos que garante a sua felicidade.

Uma ótima semana a todos!