20 de fevereiro de 2009

Einstein

Cientista, não é isso? Qualquer um haverá de associar o nome ao ofício sem muita dificuldade. Einstein foi o gênio que revolucionou a física e o mundo da ciência com sua teoria da relatividade, e como tal é conhecido como uma das mentes mais brilhantes - senão a mais brilhante - que já colocou os pés neste planeta. O que pouco se conhece a seu respeito são suas incursões por outros campos, pensamentos colocados de forma magistral como os que transcrevo abaixo:

"Que estranho destino de nós, mortais! Aqui estamos por um breve período, não sabemos com que propósito ainda, mas as vezes achamos que o percebemos. Mas não é preciso refletir muito para saber, em contato com a realidade cotidiana, que a gente existe para as outras pessoas. Em primeiro lugar, para aqueles de cujo sorriso e bem-estar depende totalmente a nossa própria felicidade e, depois, para muitos outros, para nós, desconhecidos, a cujo destino estamos ligados por laços de afinidade. Eu recordo cem vezes por dia que minha vida interior e minha vida exterior se apoiam no trabalho de outros homens, vivos e mortos, e que devo me esforçar para dar na mesma medida em que recebi e sigo recebendo. Me atrai profundamente a vida frugal e costumo ter a absoluta certeza de que absorvo uma quantia indevida do trabalho de meus semelhantes. As diferenças de classe me parecem injustificadas e, em última análise, baseadas na força. Creio que também é bom para todos, física e mentalmente, levar uma vida simples e modesta".



"Sempre me pareceu absurdo, de um ponto de vista objetivo, buscar o significado de nossa própria existência ou de outras criaturas. E, no entanto, todos temos certs ideais que determinam a direção de nossos esforços e julgamento. Neste sentido, nunca persegui a comodidade e a felicidade com fins em si mesmos. Chamo a esta colocação ética e o ideal da pocilga. Os ideais que iluminaram meu caminho e me proporcionaram uma ou outra vez novo valor para enfrentar a vida alegremente foram a beleza, a bondade e a verdade. Sem um sentimento de comunhão com os homens de mentalidade similar, sem ocupar-me do mundo objetivo, sem o eterno incansável das tarefas da arte e da ciência, a vida teria me parecido vazia. os objetos triviais de esforço humano - posses, sucesso, público, luxo - sempre me pareceram desprezíveis".



"O que é realmente valioso no espetáculo da vida humana não é, na minha opinião, o estado político, mas o indivíduo sensível e criador, a personalidade. Só isso cria o nobre sublime, enquanto o rebanho como tal se mantém torpe no sentimento. Esse tema me leva ao pior produto da vida de rebanho, o sistema militar, que detesto. Que um homem possa sentir prazer desfilando ao compasso de uma banda é suficiente para que eu o desconsidere. Esta praga da civilização deveria ser abolida o mais rápido possível. Que vil e desprezível é a guerra".


Gênio em todos os sentidos, Einstein declarou que, se não fosse cientista, teria sido músico. Sensibilidade ele tinha de sobra.

ZAP neles!

Sérgio Naya se foi (e tarde). Aos 65 anos, o responsável pelo desabamento do Palace 2, em 1998, morreu de enfarte. E pior, sem indenizar devidamente as vítimas de sua magnífica obra, que pelo uso de material de segunda acabou por deixar 8 mortos e 150 famílias desabrigadas (tem nego que ainda vive em hotel!) no Rio de Janeiro. Nem 10% do total de seu patrimônio, estimado em R$ 400 milhões (será que ele também tinha castelo?), foi repassado às famílias das vítimas. E olha que o bonitinho ainda tinha uma bela pensão de ex-deputado. Naya, como se sabe, foi absolvido pela justiça brasileira.

A lei dos homens é, na maior parte das vezes, viciada e falha. Mas a lei divina não. Pelo contrário, pune a seu tempo, fazendo valer o princípio cármico do plantar e colher. E o que são 11 anos na escala do universo?

Em tempo: o Palace 2 desabou em um sábado de carnaval. Sérgio Naya, que Deus o tenha, numa sexta. Boa, Deus, Zap neles!

14 de fevereiro de 2009

"Us and Them"




"and after all we're only ordinary man."
Foi nos idos de 1988 que comecei a traçar as primeiras linhas que, como divisor de águas, colocavam em lados opostos interesses e comportamentos de indivíduos neste mundo de Deus. Chameio-os de artistas e ignóbeis, eu me lembro, mas infelizmente não consegui localizar o material. O que estava lá continua valendo 21 anos depois: uns nascem para produzir e compartilhar, outros para invejar e vampirizar. De um lado, o poder da criação que trabalha a favor do todo, a visão holística que se equilibra no bem comum. Roger Waters e o Pink Floyd que o digam, produziram uma das mais fantásticas obras musicais de todos os tempos, o álbum "The dark side of the moon" (o terceiro mais vendido em todo o mundo; estima-se que uma em cada 14 pessoas com menos de 50 anos nos Estados Unidos tenha o álbum), do qual "Us and Them" faz parte. Se é isso que temos de um lado (Us), de outro (Them) surge a cobiça que corrói cada fração do que é repartido. Colocando desta forma, lado a lado, pode até parecer que a divisão é equilibrada, mas está muito longe de ser assim. Os primeiros podem representar o quê? 20% da população? 10% talvez? Acho que nem isso. A verdade é que o padrão adotado pela maioria, assim como o nobre (nobre porque, se você tem um castelo, pode se dar o direito de ser assim chamado) deputado pilantra, corruptor, egoísta e insaciável Edmar Capeta (na foto da direita), carece do olhar comunitário que este planeta tanto precisa. Olhando para dentro, para nossos desejos e necessidades unicamente, fomentamos abismos que se dilatam a cada dia, acentuando traços de uma injustiça social que se prolonga por séculos. Haverá tempo para uma saída digna?
De O Último Mensageiro, extraio um trecho em que nosso herói, Abel Antunes, trava um diálogo com um agente do FBI sobre o assunto:

– ...Claro, é um direito que lhe assiste. Mas considere seu potencial de expansão, não olhe apenas para o seu “eu”. Não fomos feitos para ficar fechados em casulos e agir de acordo com interesses egoístas. Doar é preciso, Andrew, mesmo que não façamos idéia de quem esteja do outro lado.
– A decisão é minha, Abel.
– E eu a respeito. Minha pergunta é se você se sente seguro com isso.
– E por que não deveria?
– Ora, pelo pensamento viciado. Você pode até estar visando o bem, mas isso não vai passar de uma atitude isolada de vez em quando. Por outro lado, imagine o que milhões de seres humanos pensando e agindo de maneira coletiva não seriam capazes de fazer.
– Pura utopia – Hann ironizou.
– E por quê? Porque sempre agimos do modo contrário? É isso que está nos levando à destruição.
– Espere um pouco... Você não acha que está exagerando? Uma coisa é pensar e agir de forma pessoal, garantir seu bem-estar. Não vejo mal nisso, se você quer saber, você estabelece seus alicerces e depois parte para outras prioridades. O homem é livre para fazer o que bem entender, o que não significa que isso seja o caminho de sua destruição.
– Engano seu, Andrew. O modo como agimos é a maneira inconsciente de assumir a desunião.
– Mas desunião não é destruição. Há uma grande distância entre uma coisa e outra.
Abel riu.
– Uma coisa leva à outra. Preste atenção e você vai entender o que estou querendo dizer. Vamos partir do princípio que todo indivíduo na face da Terra deveria ter direito ao alimento, a pelo menos uma refeição balanceada por dia. O que você acha que deveria ser feito para que isso acontecesse?
Hann ficou pensativo. Depois respondeu:
– Um plano de equalização, algo que pudesse equilibrar a distribuição de comida pelo planeta.
– Perfeito, e para isso...
– Teríamos que rever as prioridades, desviar recursos de outras áreas.
– Percebe? Nem tudo que é do interesse de um tem o mesmo significado para outro. Se não são todos que têm acesso à comida, e estou citando apenas a mais básica das necessidades, significa que os interesses globais não se movem na mesma direção, não são suficientes para gerar união. E onde não há união há discórdia, onde há discórdia há destruição. Roubos, assassinatos, revoltas, guerras...
Hann não respondeu.
– Não há como pensar em futuro se não deixarmos para trás nossas ambições pessoais – Abel continuou. –Elas se cumprirão no seu devido tempo e com o devido direito, sem temor, assim que o equilíbrio na base da pirâmide esteja estabelecido. A bênção da vida para todos, Andrew, é sobre isso que estou falando.

Us... Unindo forças para minimizar diferenças. Them... ZAP neles!


12 de fevereiro de 2009

O alinhamento e a sincronicidade (nem que leve uns 40 anos)

No próximo dia 14, sábado, a lua em libra entra na sétima casa, enquanto Júpiter e Marte estarão alinhados no signo de aquário, na décima segunda casa da transformação espiritual. Manjo pouco de astrologia, mas o curioso desse processo está em "Aquarius/ Let the sunshine In", música lançada pelo conjunto The 5th Dimension em 1969 e que fez sucesso na trilha sonora do filme 'Hair' (pra matar saudades, segue o vídeo logo abaixo). A letra diz textualmente: "When the Moon is in the seventh house and Jupiter aligns with Mars. Then peace will guide the planets and love will steer the stars". Ou seja, "Quando a Lua estiver na sétima casa e Jupiter se alinhar com Marte, então a paz guiará os planetas e o amor varrerá as estrelas". Ainda que com um ligeiro atraso, o universo desenhará com eficiência o que foi imaginado e escrito há 40 anos...
Jung deu o nome de sincronicidade a estas 'coincidências' que permeiam nossas vidas. A minha, particularmente, está repleta delas, tanto é que passei a anotá-las cuidadosamente em um caderno próprio para este fim. Já tive o prazer de dividir estas experiências com inúmeras pessoas, e para mim deixaram de ser motivo de espanto. Tem cada uma que é de arrepiar... Não é mesmo, Natália?

O importante deste alinhamento planetário, que começará às 4hs25 no horário de Brasília e terá duração de 18 minutos, é a oportunidade que se abre para que vibrações positivas fortaleçam o amor e a paz pelo mundo. Usemos a intenção para criar uma onda de energia, que em comunhão com milhares de pessoas sintonizadas na mesma frequência inundará o planeta com o bem. Se estivermos acordados, é claro.

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11 de fevereiro de 2009

Help, Herr Hesse, Help!

Só pra complementar o 'cômico mundo': tô meio atrasado nessa história, mas hoje ouvi na Pan que o tal deputado é corregedor da câmara. Ah, Hesse, fala sério, dá pra engolir um negócio desses? Tive a pachorra de dar uma olhada no site da câmara dos deputados, "a casa de todos os brasileiros", como lá consta. Diz que corregedor é o cara que "... é responsável por elaborar pareceres sobre denúncias de desvios éticos e quebra de decoro parlamentar contra os deputados...". Hesse! Pelamor, os caras tão de sacanagem. Desvios éticos!! Alguém chegou a explicar pra eles o que é isso? Não bastasse o cara ser um ladrão descarado, ainda lhe deram a chave do galinheiro!! Chama a polícia, chama a corregedoria! Ah, desculpe, eu tinha me esquecido...

Parece que o tal deputado tem uma empresa de segurança e tá cheio de dívidas trabalhistas. Parece também que entre as beneses que este sanguessuga tem direito há uma verba de R$ 15.000,00, a chamada verba indenizatória (que não serviu nem pra indenizar os pobres trabalhadores), e que não é detalhada. E o prodígio (ex) corregedor apresentou, em 2008, R$ 140.000,00 com despesas de... Segurança! Dá pra ser mais descarado?


O nome dele é Edmar e eu tenho a palavra como arma. Mas juro que gostaria de chamá-lo de Luis, checando os últimos detalhes da guilhotina. ZAP neles!





10 de fevereiro de 2009

"Não há porque fazer a este cômico mundo...


... a honra de levá-lo a sério". A frase é do escritor alemão naturalizado suiço Hermann Hesse, prêmio Nobel de literatura em 1946. Embora cunhada no século passado, assenta-se com perfeição a qualquer tempo dentro da escala evolutiva humana, já que valores e princípios mais dignos continuam jogados pra escanteio. Hoje mesmo comentavam comigo sobre o tal deputado que tem um castelo nas Minas Gerais. Um castelo, véii!! No Brasil? O que é isso?! Nem vou me sair com aquela de que o cara foi eleito pelo povo, trabalha pelo povo etc etc. Não adianta, tá no sangue. Do brasileiro que acha que pode mais, do português que atravessou o mundo para conquistar uma terra que não era sua, do inglês imperialista do século XIX que fez da Índia seu quintal (se bem que se não fosse por isso ninguém por lá teria a menor noção do que é o críquete, o legítimo legado britânico para o esporte. Vai dizer que não é importante?). Lá ou cá, não importa, o princípio do dane-se o outro continua valendo. Primeiro eu, se der tempo as mulheres e as crianças, depois seja o que Deus quiser. Por isso levo Herr Hesse tão a sério, porque é quase impossível não se indignar diante da postura que se perpetuou através dos séculos. O cara tava certo, só tirando uma... fala sério!



Em total contraponto, deixo parte da mensagem enviada pela minha amiga Cris Toth no oráculo de hoje do Calendário Maia, dia de dia de Hun Lahun Oc, ou cachorro:
"Quando o homem pratica um ato pacífico ou produtivo em benefício do próximo, consegue dissolver a ilusão do “ser individual” e ensinar o amor sem qualquer motivo ou sem dar ouvidos às vaidades do ego. Essa abertura é a presença da verdadeira compaixão. Quanto mais aberto e altruísta você é, mais será capaz de se comunicar com seus amigos, com a sua família, com o universo ao seu redor. Quando estiver menos concentrado em si mesmo, a compaixão cresce em profundidade e se torna abrangente! Um sentimento profundo de aceitação é gerado e passamos a aceitar o outro mesmo com suas falhas e diferenças. Até mesmo um pequenino gesto, uma ação insignificante, pode melhorar muito o ambiente em que nos encontramos, entusiasmar quem está depressivo, restituir a fé e a alegria daquele que está desiludido. Como entender essas atitudes? Um simples aperto de mão confiante, um sorriso sereno e um olhar carinhoso fazem milagres nos momentos de abandono e de carência.
Esteja certo de que a felicidade não vem de fora. Você a encontra dentro do seu coração, quando aprende a ajudar a todos indistintamente, vencendo as barreiras da separação e do egoísmo. Esse coração, quando iluminado, não distingue o sábio do ignorante, o rico do pobre, o feio do bonito, o doente do são. Para encontrar paz e alegria, espalhe otimismo e bondade ao seu redor. Ajude sempre!
A vida só é linear na aparência. Quando podemos ouvir a nossa consciência interior a cada momento, seguimos o caminho do coração e o futuro deixa de ser apenas uma continuação do passado. Nossa atitude mental e espiritual afeta todo o universo. O amor é a escada que nos eleva a Deus".

7 de fevereiro de 2009

Vata, Pitta ou Kapha?

Reza a tradição ayurvédica (do sânscrito ayur - vida - e veda - conhecimento) que as leis que atuam no cosmos e seus elementos - terra, ar, fogo, água e espaço - atuam sobre o ser humano. É da combinação destes que nascem os doshas, ou biotipos, que variam de acordo com a proporção destes mesmos elementos. São três principais: vata (ar), pitta (fogo) e kapha (água/terra). Cada ser humano sobre a face da Terra é diferente e se enquadra em um dos três biotipos, o que influencia sua forma de ser, seu comportamento e até sua alimentação. Quer saber o seu dosha? Acesse http://www.yogasite.com.br/ayurv/index.htm.

A essencial arte do improviso

Para quem ainda não teve a oportunidade de ver pessoalmente é chegado o momento. Os Barbixas estão em cartaz no Tuca em um espetáculo que é de chorar de tanto rir. São campeões de views no youtube, graças ao improviso que o trio, juntamente com um convidado e um mestre de cerimônias, é capaz de levar ao palco em jogos como 'troca', 'só perguntas' ou 'transforma'. Estive por lá na última quinta, conferindo a performance da trupe ao lado de Rafinha Bastos e Márcio Ballas, este um show a parte. Demais! Vídeos deste dia ainda não estão disponíveis, mas aproveito para deixar um 'troca' com o hilário Marco Luque, por sinal presente na platéia naquele dia e muito simpático ao tirar uma fotinho ao lado da Gisele (acima)


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Recomeços III


Agora parece que vai. Gostei do formato e do visu, ficou com carinha de algo a mais. Até a foto tá boa! Agradeço ao meu amigo e mentor musical, Haroldo Gutierrez (sem o qual eu talvez tivesse me perdido por aí, sem o privilégio de contar com Rushes, Cheap Tricks e Uriahs da vida), que me deu as dicas para que este espaço pudesse ser formatado. Existir, existia, mas tava tão pobrezinho e jogando num canto, coitado...


Este espaço é pra expressar, refletir, questionar, sempre em busca de melhores dias. É pra quem olha pra frente, em perspectiva, mas também para quem olha pra trás, porque nunca esquece de onde veio e da bagagem que carrega. É pra quem olha para os lados, para os companheiros de jornada, e olha pra cima, pra saber se vai chover. Porque a chuva lava, limpa, purifica. E é disto que mais precisamos!

O mensageiro vem aí. Carrega seus ideias de justiça e solidariedade, traz a luz em seu coração e a esperança de um mundo melhor. Mas isto é, literalmente, uma outra história...

"You say goodbye, and I say hello!"


07/01/2009

2008 se foi (na foto, equipe Brain Trust na festa de final de ano no Geni), já não passa de um receptáculo de lembranças cuja tendência, assim como em anos anteriores, é tornar-se longínqua. 2000inove - o Bradesco que me desculpe- chegou, trazendo nestes primeiros dias equilíbrio e um acordo entre eu e eu mesmo para o caminho da pura potencialidade. Como fazê-lo? Respirando o ar do presente, antenado em cada décimo de segundo que transita diante dos olhos, esquecendo o passado e não projetando o futuro. "No mind", diz Katsumoto em "O último Samurai", o estado do entregar-se e deixar ir para que o universo se acomode e retribua. Que este 2009 não seja mais nem menos, apenas reflexo daquilo que plantamos dentro de nós mesmos.
E apenas para registrar esse que se foi: transição, acima de tudo, aprendendo com os erros e me alinhando com o que realmente importa. Agradeço a todos que me estenderam a mão nesta trajetória e que, de uma forma ou de outra, ajudaram no processo. Eu fiz o que devia ser feito.

Economia solidária

16/12/2008

E eu que pensei tratar-se de um modelo economicamente sustentável, cuja finalidade maior era diminuir os contrastes gerados pelo bicho capitalista. Detentores dos meios de produção de um lado e mão de obra do outro, além de um sistema que permitisse "a valorização do ser humano e não do capital". Aprendi com o projeto de iniciação científica da minha filha, uma jovial e inspiradora mocinha de 14 anos, fruto de uma geração que, diferentemente da minha, talvez faça algo a respeito quando chegar lá. E não será por comprometimento ou consciência, afinal de contas todos nós os temos em maior ou menor escala. Será simplesmente porque o sistema, cheio de boas intenções, mas perverso por natureza, não lhe deixará alternativa.
Enquanto isso, entende-se por economia solidária os movimentos de socorro a bancos, montadoras, seguradoras e qualquer outro destes filhos pródigos que se engasgam no próprio vômito. Trilhões para recolocar o trem nos trilhos a fim de evitar o colapso - ao menos por enquanto - exatamente como o viciado que tem a certeza que no amanhã larga tudo. No seu íntimo, ele sabe que esse dia nunca chegará, que a força que se move de fora para dentro é maior do que a sua e que fatalmente, no devido tempo, estará morto. A prática posterga o destino, mas não se arrasta para longe dele. Resguarda, a quem tem, o direito à posse e sobrevida para que outros, lá na frente, assumam responsabilidades que não lhes pertenciam. É por isso que digo que não haverá alternativa.
Economia solidária, nos nossos tempos, poderia ser chamada de economia solitária. E salve o tricolor que eu já estou indo...

Recomeços II


15/11/2008

Depois de uma looooooooooooooonga e tenebrosa ausência (confesso até que havia esquecido a propriedade intelectual destas linhas, obrigado Bruno pela lembrança!) retomo parte do que me é peculiar. E nada mais significativo do que recomeçar por um princípio de vida que, aliado à prática do dia a dia, certamente nos brindaria com relações mais produtivas, seres mais saudáveis, egos menos feridos. Travestido em ficção, revela-se no trecho em que Abel, inseguro diante dos desdobramentos que sua jornada assume, conversa com Putu em trecho do Último Mensageiro:
"– Eu sei, mas é como se eu não quisesse enxergar a dimensão que tudo isso está tomando. Mesmo sabendo que há o envolvimento de planos superiores, há também o exército e essa maldita condição humana. Aqui separamos uma coisa da outra, mas lá fora a história é diferente. Aqui visualizamos dois mundos, mas quando se trata de fugir, o espiritual desaparece e eu me perco. É aí que bate o desespero.
– Pois então inverta os caminhos, use o plano espiritual como referência e deixe que ele o oriente em seu mundo. Há uma condição natural para que isso aconteça.
– Natural?

– Isso mesmo. A chama divina que habita cada alma deste planeta, Abel, cada detalhe na miraculosa composição da vida. Encare isso como um sonho e você terá naturalidade, coerência. Tudo que a natureza cria tem coerência: o cair das folhas no outono, o movimento contínuo das marés. O ciclo evolutivo de uma borboleta. Onde há natureza, há coerência, sincronicidade. Se nos deixamos levar automaticamente por este movimento, preenchendo nossas vidas e deixando que se faça o encaixe natural, estaremos sempre alinhados com a lei do cosmos. Não há necessidade de ser diferente, de fazer valer aquilo que você supostamente deseja. Se pela lei natural da vida aquilo lhe pertence, então, por princípio, é seu. "
Vida longa à sincronia!

Convicções

30/04/2007

Há algo dentro de nós que se movimenta sempre na mesma direção. É puro instinto, uma engrenagem invisível que nos leva àquilo que mais valorizamos e que de alguma maneira nos pertence, assim como nos faz pertencer. Não há sentido concreto nisto, apenas a constatação de que as inúmeras divisões se espalham pelo mundo e, invariavelmente, criamos identidade com algumas delas. Um dom, uma filosofia, uma conduta. Nos tornamos aquilo que passeia por nossas mentes, remonta às nossas origens, dá sentido à existência. De uma maneira ou de outra, para fazermos aquilo que nos propomos a fazer, não haveríamos de estar aqui por alguma outra razão.

O tempo para



30/04/2007

Cazuza diria que não, mas até aí são pontos de vista diferentes. Dependem do momento, da angulação, da ótica. Reflexivos ou expansivos, côncavos ou convexos, não importa. O que vale é a particularidade, esse toque pessoal que permite ir além das convenções, ignorando padrões para que eu possa assumir minhas verdades. É isso, o tempo parou. Os ponteiros do relógio andam, o sol se põe e o dia desaparece, mas o tempo parou na sarcástica espera. Ah, então é isso. Sofrer pelo futuro, sem saber ao certo como ele se dará, evitando pensar nos desdobramentos de todas as ações que levaram ao momento presente, na inevitável mistura de planos. Onde estou? Como é que vim parar aqui? E tudo que ficou para trás? Não importa. Os olhos tem que se perder no horizonte infinito, sem julgar ou premeditar. Abrir a mente em contínuo esforço para o foco, o relaxamento natural que movimenta a engrenagem, ainda que a sensação seja de expectativa. Os segundos passam, o poeta tem razão. Acabo de emergir da pseudo-letargia e assumo minha condição humana, para que dias como este sejam traços, faíscas sem importância. O trem volta aos trilhos.

Recomeços


04/09/2006

"Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho. Quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos." Pablo Neruda


Assim se fazem caminhos, criam-se lendas e heróis. Homens mais fortes e verdadeiros, obcecados pelo destino e carregando dentro de si a semente de um projeto transformador. É a palavra que se espalha em busca de realização, traduzida não apenas em valores de ordem pessoal, mas nos mais nobres atributos que direcionam o caminho do homem. Esta é a luz que me leva adiante.
Começar é difícil. Deixar para trás toda uma estrutura montada e aceita como verdadeira, a base de sustentação de toda uma vida, é um passo audacioso e arriscado. Acerca-se do lado aventureiro, do peso do incerto, e trás como consequência uma certa instabilidade natural, principalmente no que diz respeito a abrir mão de recursos para se dedicar a um novo caminho. Há o desequilíbrio, que só ocorre porque o ideal que luta dentro de você clama por vir à tona. Caso contrário, bastaria ficar quietinho no meu canto deixando a vida passar, consumida por bons e maus momentos, alheio às transformações globais que, em última instância, não me interessariam. Mas não é por isso que estou aqui.
Abracei meu ideal e pronto, não há nada que mude a história. Tive a energia necessária para fazê-lo, mas isso não faz de mim um mártir ou um alguém em busca de reconhecimento, não neste sentido. Quis que a vida tivesse como âncora meu ideal, transformado em palavras que circulam as esferas e fazem de mim seu instrumento. É para isso que criei "O último mensageiro", para que a palavra correta se faça ouvir. E fico me perguntando se valeu a pena...
Claro que valeu. São momentos de transição que colocam em jogo as escolhas, que suscitam dúvidas pelo vácuo que se abriu neste ínterim e que me inclinam a pensar em arrependimento. Depois passa, nada pode ser mais importante do que saber que minha obra pessoal, aquela que investi bons anos de meus estudos e valores, esteja finalmente pronta. O resto é pura consequência.