17 de junho de 2009

Enfim... Ética!

Ah, mudança de ares. Sair dos bastidores enlameados da política nacional para falar de ética e respeito, valores cada vez mais escassos no nosso dia a dia, é um exercício sublime, ainda mais quando o assunto é futebol!
Calma lá, obviamente não se trata de um jogo em gramados brasileiros, senão em terras holandesas. O dia que algo assim acontecer por aqui, em um Corinthians e Flamengo, por exemplo, será o sinal de que figuras como Sarney e cia. estarão relegados a um passado que todo brasileiro, com um pouco de vergonha na cara, fará questão de esquecer. Tá longe ainda.

O lance inusitado ocorreu em 2006, se não me engano, mas ainda assim vale o registro porque cenas como essa não vão se repetir tão cedo. A partida era entre o time do Ajax (de vermelho e branco), um dos mais tradicionais clubes da Holanda e por onde passou Johan Cruijff - o comandante do carrosel holandês de 74 e um dos maiores jogadores de todos os tempos - e um time de amarelo e azul que não pude identificar. Reza o fair play que, quando um jogador se machuca sem que o juiz tenha marcado falta, e por isso desaba no gramado, a equipe que tem a posse de bola a coloca para fora para que o jogador receba atendimento médico. Reiniciado o jogo com a cobrança de lateral, o jogador que fica com a bola devolve a gentileza ao adversário, normalmente chutando na direção do goleiro sem oferecer perigo.

Ao ver o jogador do Ajax caído na área, o zagueiro do time de amarelo coloca a bola para fora (o filme mostra o 18 do Ajax caído na área e é editado, cortando para a cobrança de lateral e a devolução da bola). O lateral é então batido e o jogador do Ajax, quase do meio de campo, manda a bola para o goleiro adversário.

Para a surpresa de todos, inclusive do próprio jogador do Ajax a quem coube a façanha, a bola entra no gol! Ele, ao que parece, tenta explicar que não era essa sua intenção (não deve ter visto que o goleiro não estava exatamente onde deveria estar). Ao juiz não cabe outra atitude que não seja a de validar o gol, já que o lance transcorreu durante o desenrolar natural da partida. E foi então que veio a lição de respeito a quem estava do outro lado.

Por estar ciente de que havia marcado um gol em condição regular, porém em desacordo com as leis do cavalheirismo que regem o esporte, o time do Ajax permitiu ao time de amarelo fazer um gol na sequência. Tudo bem que os caras são ruins e quase perderam o gol, não fosse o pique do 18 e a bola teria saído. Mas é admirável observar um time inteiro parado para que a condição de igualdade fosse, como mand a ética e o bom senso, reestabelecida.

Ganhar a qualquer custo implica que gols com a mão (Dalle Maradona!), através de simulações de penalti e outras façanhas sejam parte do espetáculo. O fim justifica os meios, diria Maquiavel, porque o que importa, no final das contas, é estar na frente, vencer.
Onze homens em campo mostraram que nem sempre é essa a mentalidade que prevalece.


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Crédito da ilustração: Bê Franco

Um comentário:

  1. Muito bom Andrew! De fato, cenas e postura como estas estão anos luz de distância dos gramados brasileiros. Independente disso, o golaço que o cara do Ajax fez, sem querer, foi hilário e nunca mais se repete. Grande abraço!

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